Lucro da BYD despenca e acende alerta no mercado global de carros elétricos
Saiba como a crise de consumo na China e a guerra de preços estão forçando a gigante dos elétricos a mudar sua estratégia mundial
A gigante chinesa de veículos elétricos BYD registrou uma queda expressiva de 19,1% em seu lucro anual durante o exercício de 2025. O anúncio foi feito pela própria companhia nesta sexta-feira (27), evidenciando um cenário econômico desafiador. De acordo com informações oficiais, o desempenho negativo é reflexo direto da fraqueza no consumo interno chinês no período. A empresa enviou um comunicado detalhado à Bolsa de Valores de Hong Kong para reportar os dados financeiros aos investidores. Segundo o documento, o lucro destinado aos acionistas somou 32,6 bilhões de yuans no ano passado, o equivalente a R$ 24,6 bilhões.
Este montante representa uma redução significativa quando comparado ao desempenho de 2024, quando a fabricante registrou 40,3 bilhões de yuans. Apesar desse recuo financeiro, a montadora conseguiu se consolidar como a principal empresa no competitivo mercado da China. Atualmente, o país asiático detém o posto de maior mercado de veículos elétricos de todo o planeta. Entretanto, a liderança global da indústria chinesa enfrenta obstáculos severos dentro de suas próprias fronteiras. A concorrência interna desenfreada tem reduzido drasticamente os ganhos das empresas do setor.
Diante da saturação doméstica, muitas companhias passaram a direcionar seus esforços comerciais para o mercado exterior. A própria montadora chinesa acelerou seus planos de exportação para compensar a margem menor em seu país de origem. Além dos desafios econômicos, a pressão regulatória sobre o setor também aumentou consideravelmente nos últimos meses. Em maio, uma entidade ligada ao setor automotivo criticou abertamente as fabricantes chinesas por estimularem uma guerra de preços agressiva. A crítica ocorreu poucos dias após a fabricante anunciar novos descontos para seus principais modelos de veículos.
No fechamento de 2025, a receita total da empresa atingiu a marca de 804 bilhões de yuans, o que corresponde a R$ 606 bilhões. Esse resultado indica um crescimento modesto de apenas 3,5% na comparação direta com o ano anterior. Vale lembrar que, em 2024, a receita anual da marca já havia superado a de sua principal rival americana, a Tesla. Naquele período, a companhia ultrapassou a marca simbólica de US$ 100 bilhões em faturamento. Agora, a expansão internacional ganha um ritmo cada vez mais intenso para manter a competitividade da marca.
Em setembro, a empresa vendeu mais de 13 mil veículos nos países que integram a União Europeia. Esse volume representa um salto impressionante de 272,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados foram confirmados pela Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis e reforçam a nova direção da companhia. A estratégia de focar no mercado externo surge como uma resposta necessária à queda de rentabilidade na Ásia. O mercado global segue acompanhando como a gigante chinesa equilibrará seus preços e sua expansão diante das pressões internacionais e regulatórias.