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Love story: livro revela os segredos da boate mais livre de SP

Obra resgata bastidores, histórias e personagens da Love Story, casa que marcou gerações na noite paulistana.

28 jan 2026 - 11h52
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Durante mais de duas décadas, a Love story foi um daqueles lugares que não cabiam em uma definição simples. Não era apenas uma boate no Centro de São Paulo, mas um espaço onde pessoas diferentes se encontravam sem rótulos, horários ou regras rígidas.

Fotos: Divulgação
Fotos: Divulgação
Foto: Alto Astral

Ali, fama e anonimato dividiam a pista. Desejo, liberdade e curiosidade conviviam lado a lado, refletindo uma cidade que vivia a noite de forma intensa e sem pudores.

Mais do que um endereço, a Love story se transformou em memória afetiva para quem passou por suas portas. Um símbolo de uma São Paulo que ousava, misturava e experimentava - e que agora tem sua história registrada em livro.

A lembrança em documento

Essa história ganha registro definitivo em Love Story - A Casa de Todas as Casas. A obra revela bastidores, personagens e episódios de um dos endereços mais emblemáticos da vida noturna brasileira.

Mais do que nostalgia, o livro ajuda a entender uma época. Um tempo em que a noite era espaço de convivência, contradição e invenção social.

O resultado é um retrato honesto. Sem romantizar, sem moralizar e sem tentar criar uma versão oficial dos fatos.

A Love Story como reflexo da noite paulistana

A Love story nasceu em um ponto simbólico do Centro de São Paulo. Ficava entre a Boca do Lixo e a Boca do Luxo, duas faces da mesma cidade.

Essa localização também moldava o público. Ali circulavam artistas, empresários, jornalistas, anônimos e personagens da noite.

Não havia códigos rígidos nem filtros sociais. O que importava era estar ali, dançar e viver o momento.

Com o tempo, a boate virou patrimônio emocional. Um espaço onde desejo e liberdade coexistiam sem julgamento.

Uma biografia escrita sem censura

O livro foi escrito pelos jornalistas Katia Simões e Roberto Prioste. A proposta sempre foi clara: contar a história sem controle narrativo. A ideia partiu do empresário Luiz Paulo Fogguetti, que provocou os autores a mergulharem na Love story sem filtros.

A narrativa se constrói a partir de mais de 25 horas de depoimentos. Jornalismo, memória, comportamento e cultura urbana se cruzam a todo momento.

Vozes que ajudam a entender o fenômeno

O livro reúne relatos de diferentes gerações. Cada pessoa viveu a Love story de um jeito único.

Essa diversidade explica por que a casa marcou tanto. Ela não era exclusiva nem excludente.

A atriz Luana Piovani lembra da liberdade musical da boate.

"O Love era diferente porque tocava todo tipo de música.

Ali dava para se divertir de verdade."

Um espaço de acolhimento e igualdade

A chef Janaína Torres descreve a Love story como um refúgio. Um lugar onde ninguém precisava se encaixar.

"Eu chegava direto do trabalho, com roupa de cozinheira.

E o tratamento era exatamente o mesmo."

Esse sentimento de igualdade fazia parte da identidade da casa. Ali, aparência e status perdiam importância.

Mistura real de tribos e desejos

Para a empresária Aritana Maroni, a Love story representava algo raro. Uma mistura verdadeira de pessoas e experiências.

"Você entrava e via famosos escondidos, travestis, gente da noite.

Era miscigenação de verdade."

Essa convivência sem filtros ajudou a construir a aura mítica da boate.

Histórias discretas e passagens improváveis

O livro também reúne episódios quase cinematográficos. Visitas que aconteceram longe dos holofotes.

O ator Chadwick Boseman passou uma noite inteira na Love story sem ser reconhecido. Isso só foi possível graças ao pacto informal de discrição do local.

Até a realeza passou por ali. O escritor Ari Behn, então marido da princesa Märtha Louise, gravou cenas de um programa europeu na casa.

Privacidade como regra silenciosa

A relação da Love story com a fama sempre foi cautelosa. A boate protegia seus frequentadores da exposição excessiva.

Câmeras eram controladas e seguranças faziam revistas. Tudo para preservar o anonimato.

Alguns artistas evitavam entrar para não virar pauta social. O cantor Thiaguinho é citado como alguém que preferia ir embora ao perceber risco de exposição.

O fim de um ciclo e a mudança de época

Apesar da força simbólica, a Love story entrou em declínio. Dívidas, queda de público e mudanças no comportamento noturno pesaram. A falência veio após um longo processo de recuperação judicial. A pandemia selou o fechamento definitivo.

O livro contextualiza esse fim sem dramatizar. Mostra como a cidade e a forma de viver a noite mudaram.

O que existe hoje no endereço da Love story

O imóvel da Rua Araújo não ficou abandonado. Hoje, no local, funciona o Love Cabaret.

A proposta é completamente diferente. Mais intimista, artística e conectada ao presente. O espaço aposta em performances sensoriais e eróticas. Pole dance, shibari e diversidade de corpos fazem parte da experiência.

O público é menor e fica sentado ao redor de um palco central. A ideia é observar, sentir e vivenciar o desejo com consciência.

Ruptura assumida com o passado

Os novos gestores deixam claro que não se trata de reviver a Love story. A intenção foi ressignificar o espaço. A lotação foi reduzida. O horário de funcionamento encurtou.

Segundo eles, repetir o antigo modelo não faria sentido hoje. A cidade mudou. A noite também.

Um endereço que continua provocando

Mesmo transformado, o endereço segue despertando curiosidade. Parte disso vem da memória da Love story.

O livro ajuda a entender essa trajetória. Mostra como um espaço pode refletir o espírito de uma época.

Ao mesmo tempo, o novo uso aponta para o futuro. Uma nova história começa onde outra terminou.

Alto Astral
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