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Líder do governo minimiza texto compartilhado por Bolsonaro

Segundo o Major Vitor Hugo, texto sobre país 'ingovernável' não vai prejudicar a reforma da Previdência

19 mai 2019
10h31
atualizado às 11h01
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O líder do Governo na Câmara dos Deputados, Major Vitor Hugo (PSL-GO), minimizou o impacto negativo que o texto compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) causou no Congresso. Para o parlamentar, o texto foi só "uma avaliação" do presidente e que não deve interferir na votação de temas importantes do governo como a Previdência.

"É só uma avaliação (do presidente). Não acredito em impacto. Vamos continuar trabalhando para aproximar ainda mais o governo do Congresso", afirmou o líder do governo na manhã deste domingo.

O Estado mostrou na sexta-feira que o presidente compartilhou a um grupo restrito de aliados um texto que afirma "que o Brasil, fora desses conchavos, é ingovernável". No sábado, o presidente disse que passa "muita mensagem no Whatsapp" e que "geralmente" não coloca ali sua opinião. "Eu boto assista, tire suas conclusões. Esse pessoal que divulga isso faz parte do povo. Esse pessoal que devemos ser fieis a eles e ponto final. Quem tem que ser forte é o povo. Quem tem que dar norte é povo. Não sou eu", afirmou.

Líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo
Líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo
Foto: Adriano Machado / Reuters

A mensagem repassada pelo presidente foi interpretada no Congresso como mais um ataque à classe política. Sob reserva, parlamentares criticaram o que consideraram intenção do presidente de expor a política "como corrupta" para se fortalecer, o que foi mal visto no Congresso.

Previdência

Neste domingo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), recebe na residência oficial o relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP), e o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, para tratar dos ajustes no texto que vai alterar as regras da aposentadoria no País. Na segunda-feira, 20, está prevista outra reunião do relator da proposta com a equipe econômica do governo, mas, desta vez, no Ministério da Economia, com a presença do ministro Paulo Guedes e de todos os secretários da pasta.

Ao Estado, na sexta-feira, o presidente da Comissão Especial que analisa a reforma na Câmara, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), afirmou que um grupo de deputados decidiu que o projeto de reforma da Previdência terá a marca do Parlamento, e não a do Executivo. Assim, a ideia é apresentar um texto alternativo ao enviado pelo governo, de forma a garantir que o projeto tenha o DNA da Câmara, sem mudar os prazos de tramitação, no entanto. O líder do governo minimizou as alterações.

Eu conversei com o relator (da Previdência) e ele explicou que não haverá uma nova proposta de Previdência. O texto como este é complexo e é natural que se apresente um substitutivo já que qualquer pequena modificação pode obrigar a adaptação de toda proposta. Vamos dialogar para que se mantenha o texto encaminhado pelo governo, a sua essência", afirmou o parlamentar.

No sábado, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, disse ao Estado que está em constante diálogo com o relator Samuel Moreira e com Rodrigo Maia para apoiá-los na elaboração das mudanças no projeto enviado pelo Executivo. As mudanças na concessão da aposentadoria rural e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) devem ser excluídas do projeto.

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Estadão
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