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Líder chinês fará 1ª viagem à Coreia do Norte em sete anos

5 jun 2026 - 07h10
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Xi Jinping quer reafirmar influência sobre vizinho nuclear, que se aproxima da Rússia, apontam especialistas. Já o regime de Kim Jong-un busca ampliar margem para concessões de potências.O presidente da China, Xi Jinping, viajará à Coreia do Norte na próxima semana, anunciaram os dois países nesta sexta-feira (05/06), na primeira visita em quase sete anos. O gigante asiático vem reforçando os laços com o vizinho, que, por sua vez, se aproxima da Rússia, enviando tropas e armamentos convencionais para apoiar a guerra na Ucrânia.

China e Coreia do Norte mantém acordo há 65 anos de apoio mútuo, inclusive em caso de ataque
China e Coreia do Norte mantém acordo há 65 anos de apoio mútuo, inclusive em caso de ataque
Foto: DW / Deutsche Welle

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, vem também buscando melhorar as relações com a China, o seu maior parceiro comercial e principal fornecedor de ajuda.

"À medida que a Coreia do Norte estreita laços com a Rússia, a China busca usar a viagem de Xi para reafirmar sua influência sobre Pyongyang e proteger seus interesses estratégicos no nordeste da Ásia", aponta William Yang, analista do International Crisis Group.

O objetivo da visita de Estado será avançar as relações bilaterais e fortalecer a paz e a estabilidade regionais, disse uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China. Os dois países assinaram há 65 anos um tratado de cooperação e assistência mútua, que obriga legalmente um a prestar apoio militar ao outro em caso de ataque.

"A mensagem implícita do lado chinês é: nós ainda somos o principal ator quando se trata da Coreia do Norte", afirma John Delury, pesquisador sênior da Asia Society.

Programa nuclear em pauta

Ao se encontrarem em Pequim em setembro, Xi e Kim prometeram apoio mútuo e cooperação ampliada. O norte-coreano esteve na capital chinesa para participar de um desfile militar ao lado de outros líderes estrangeiros, incluindo o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Já nas últimas semanas, Xi recebeu tanto Putin quanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Pequim.

O programa de armas nucleares da Coreia do Norte representa uma longeva preocupação para os Estados Unidos. A Organização das Nações Unidas (ONU) impôs sanções econômicas ao país asiático por causa do desenvolvimento nuclear e de mísseis.

Na quinta-feira, a Coreia do Norte revelou uma nova instalação para produzir material para bombas nucleares. Observadores acreditam que seja uma planta de enriquecimento de urânio, embora o país não tenha confirmado a informação.

Um dos pontos de atenção sobre a visita da semana que vem é se a China tecerá comentário sobre os apelos pela desnuclearização da Coreia do Norte.

Kim quer status estratégico

Durante visita à nova planta, Kim anunciou planos para incrementar as forças nucleares do país "em ritmo exponencial". Para especialistas, o líder tinha a intenção de consolidar o status de Estado com armas nucleares antes da viagem de Xi.

O reconhecimento abriria margem para o levantamento das sanções contra a Coreia do Norte. Segundo o The New York Times, a estratégia de Kim inclui ainda obter concessões econômicas da China ao se aproximar da Rússia, sendo menos tratado como um parceiro de menor poder.

Trump, enquanto isso, tem expressado repetidamente o desejo de retomar a diplomacia com Kim. Mas o líder norte-coreano afirma que os Estados Unidos precisam primeiro abandonar a exigência de desnuclearização como pré-condição para negociações.

Rússia e China, ambos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU com poder de veto, já frustraram anteriormente esforços dos Estados Unidos e de outros países para endurecer as sanções internacionais contra a Coreia do Norte, apesar dos seus testes de armas proibidas. Putin e Xi se opõem ao que chamam de "isolamento de política externa, sanções econômicas, pressão militar e outros métodos de criação de ameaças à segurança" da Coreia do Norte.

ht/cn (AP, Reuters, ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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