Hezbollah rejeita trégua e Israel prepara nova ofensiva no Líbano
O exército israelense anunciou na manhã de sexta-feira (5) que se prepara para lançar ataques aéreos contra o movimento islâmico Hezbollah na cidade costeira de Sarafand, no sul do Líbano. Os bombardeios, que se repetem apesar do novo acordo de cessar-fogo anunciado por Washington, mataram sete pessoas de quinta para sexta-feira.
O coronel Avichay Adraee, porta-voz do exército israelense em árabe, pediu que os moradores evacuassem a cidade, localizada entre Tiro e Sidon, e também outras seis localidades. Durante a noite, ataques aéreos israelenses na antiga cidade de Tiro, no sul do Líbano e com forte presença de membros do Hezbollah, mataram sete pessoas, disse uma fonte da defesa civil à AFP.
As explosões devastaram um banco e danificaram levemente o Hospital Jabal Amel, um dos três da cidade. Outro ataque aéreo em uma área residencial feriu cinco pessoas, incluindo duas crianças, segundo a Defesa Civil.
A cidade costeira, que alguns moradores se recusam a evacuar apesar dos avisos israelenses, é bombardeada regularmente. Alguns habitantes se refugiaram no bairro cristão superlotado da Cidade Velha, poupado pelos avisos israelenses, dormindo em seus carros ou em barracas. Entretanto, depois que Israel ameaçou a área na terça-feira, acusando membros do Hezbollah de se esconderem na região, muitos fugiram.
Hezbollah promete resistência
Aliado do Irã, o movimento xiita Hezbollah, por meio de seu líder Naim Qassem, rejeitou o acordo de cessar-fogo no Líbano anunciado na quarta-feira (3) em Washington, e exigiu a retirada completa das forças israelenses do sul do país. O grupo ameaçou realizar novos ataques contra o norte de Israel.
Naim Qassem advertiu que, enquanto Israel permanecer em território libanês, o Hezbollah continuará sua "resistência". Tel Aviv, por sua vez, afirmou que não retirará suas tropas do país vizinho.
O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, declarou na quinta-feira que as Forças de Defesa de Israel (IDF) continuariam suas operações em terra - ataques aéreos adicionais foram realizados ao longo do dia - e afirmou que Israel tinha "a liberdade de agir, com o apoio dos Estados Unidos, para atacar" a capital, Beirute.
Na noite de quarta-feira, um ataque aéreo atingiu a área ao redor de um parque onde dezenas de refugiados sírios estão acampados, sem deixar vítimas.
Os bombardeios israelenses contra o Líbano mataram 3.526 pessoas desde o início do conflito, em 2 de março, e deslocaram mais de um milhão, segundo as autoridades. Do lado israelense, 27 soldados e um civil foram mortos no Líbano.
Impacto nas negociações entre EUA e Irã
A recusa do Hezbollah em aceitar o cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos diminui as chances de um acordo entre Teerã e Washington. O Irã condicionou qualquer acordo com os Estados Unidos a um fim definitivo das hostilidades no Líbano e chegou a insinuar que poderia romper a trégua para intervir em apoio ao Hezbollah.
Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha afirmado repetidamente desde o final de março que os Estados Unidos e o Irã estão perto de um acordo, há poucas evidências de progresso diplomático.
Com AFP e Reuters
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