Trump ameaça UE com novas tarifas após multa bilionária contra o Google
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta sexta-feira (24) impor novas tarifas à União Europeia após as multas aplicadas a gigantes americanas da tecnologia, incluindo a mais recente, contra o Google. Trump classificou a sanção como um "roubo" e também afirmou que poderá abrir uma investigação comercial.
A UE impôs, nesta quinta-feira (23), duas multas ao Google que totalizam € 890 milhões (R$ 5,13 bilhões). "A União Europeia pagará um preço muito alto por esse comportamento ilegal e altamente imoral", declarou o presidente americano em sua plataforma, Truth Social. Trump lembrou que já havia feito várias "advertências" ao bloco.
O Google foi multado em € 460 milhões (R$ 2,65 bilhões) por favorecer seus próprios serviços nos resultados do buscador Google Search, afirmou a Comissão Europeia. A esse valor se soma uma segunda multa de € 430 milhões (R$ 2,48 bilhões), por impedir desenvolvedores que utilizam a Play Store de acessar outros canais de distribuição.
"Vamos abrir imediatamente uma investigação com base na Seção 301 sobre a prática de 'ROUBO' contra empresas americanas", escreveu. "Os Estados Unidos não são uma 'vaca leiteira' para a Europa", acrescentou. A Seção 301 da Lei de Comércio Exterior dos Estados Unidos, promulgada em 1974, permite ao governo americano adotar medidas contra práticas comerciais de países estrangeiros por determinação do presidente.
O governo Trump já acusou Bruxelas de perseguir empresas de tecnologia americanas e ameaçou impor tarifas como represália a essas sanções. A multa anunciada nesta quinta contra o Google representa a maior sanção aplicada por Bruxelas a uma empresa no âmbito do Regulamento dos Mercados Digitais (DMA), lei europeia destinada a coibir abusos de posição dominante por parte dos gigantes da tecnologia.
Desde a entrada em vigor do DMA, em 2024, a UE já impôs multas de 200 milhões e 500 milhões de euros (R$ 1,15 bilhão e R$ 2,88 bilhões) contra a Meta e a Apple, respectivamente, em 2025.
Após o anúncio, o representante da Casa Branca para o Comércio (USTR), Jamieson Greer, lembrou que a decisão representa "um verdadeiro risco para a manutenção da estabilidade transatlântica". "A União Europeia afirma que busca estabilidade e previsibilidade em nossas relações comerciais, mas esse tipo de medida gera uma enorme incerteza para as exportações americanas de bens e serviços", declarou Greer.
"Decisão importante"
"É uma decisão muito importante", afirmou a vice-presidente da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Henna Virkkunen, ressaltando que o objetivo é "garantir condições equitativas" para todas as empresas online.
A gigante americana respondeu que a decisão afetará serviços utilizados pelos internautas. "Para cumpri-la, somos obrigados a retirar funcionalidades de busca em tempo real que os europeus valorizam, como a visualização instantânea de preços e a disponibilidade direta de hotéis, voos e restaurantes, além de desativar proteções de segurança no Google Play", protestou Kent Walker, presidente de Assuntos Globais do Google.
Com agências
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