Acusado de narcoterrorismo, Maduro volta a tribunal de NY e defesa negocia julgamento para 2027
Destituído do poder após sua captura por forças norte-americanas em Caracas, o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro volta ao centro das atenções nesta quarta-feira (22), ao comparecer pela terceira vez à Justiça dos Estados Unidos. Acusado de narcoterrorismo e tráfico de drogas ao lado da mulher, Cilia Flores, ele enfrenta um processo que pode se arrastar até 2027. O caso ganhou novos desdobramentos após promotores e defesa proporem um calendário para o julgamento.
Nicolás Maduro deve comparecer nesta quarta-feira (22) a um tribunal federal de Manhattan para uma audiência processual que marca mais um capítulo do caso aberto pelos Estados Unidos após sua captura em Caracas, em janeiro deste ano.
A audiência acontece depois que promotores do Departamento de Justiça e os advogados do ex-presidente venezuelano apresentaram conjuntamente uma proposta para que o julgamento seja iniciado em junho de 2027.
Maduro está detido desde 3 de janeiro em uma prisão federal no bairro do Brooklyn, em Nova York. Sua mulher, Cilia Flores, também foi presa na mesma operação e responde ao processo. Os dois se declararam inocentes das acusações apresentadas pela Justiça norte-americana.
Maduro responde a quatro acusações criminais, incluindo narcoterrorismo. Flores enfrenta três acusações. A Procuradoria sustenta que ambos participaram de uma estrutura ligada ao tráfico internacional de drogas.
A audiência desta quarta não deve abordar o mérito das acusações, mas aspectos processuais do caso e o cronograma das próximas etapas judiciais.
Julgamento pode ficar para o ano que vem
A proposta apresentada pelas duas partes para levar o caso a julgamento apenas em junho de 2027 indica a complexidade do processo e a quantidade de elementos que ainda precisam ser analisados.
Desde sua chegada aos Estados Unidos, Maduro já apareceu publicamente diante da Justiça em duas ocasiões.
Na primeira delas, realizada pouco depois de sua captura, o ex-presidente afirmou ser um "prisioneiro de guerra", em referência à operação conduzida pelas forças norte-americanas para retirá-lo do território venezuelano. A ação mobilizou cerca de 150 aeronaves e helicópteros, além de tropas em solo, segundo informações divulgadas à época pelas autoridades dos Estados Unidos.
A captura encerrou uma longa disputa entre Washington e Caracas e provocou uma mudança abrupta no cenário político venezuelano. Desde então, Delcy Rodríguez assumiu interinamente o comando do país, em um governo que opera sob intensa pressão dos Estados Unidos, que afirmam exercer influência decisiva sobre os rumos do Estado venezuelano.
Batalha judicial se amplia
Paralelamente ao processo criminal, Maduro passou a enfrentar novas dificuldades na Justiça norte-americana. No início de julho, familiares de cinco jovens mortos na Venezuela ingressaram com uma ação civil contra o ex-presidente. Segundo os autores da ação, as mortes teriam ocorrido dentro de um contexto mais amplo de violência estatal e teriam sido ordenadas pelo então governante venezuelano. Maduro nega as acusações.
Outro ponto de disputa nos últimos meses envolveu o financiamento de sua defesa. Após um impasse com o governo norte-americano, foi autorizado que recursos venezuelanos fossem usados para custear os honorários dos advogados do ex-presidente e de sua mulher. Inicialmente, a administração norte-americana havia bloqueado essa possibilidade, alegando que as sanções internacionais impostas à Venezuela impediam a transferência dos recursos.
Com a questão resolvida e um cronograma preliminar sobre a mesa, a expectativa agora é que a Justiça federal de Nova York avance para uma fase mais estruturada do caso, considerado um dos processos de maior repercussão internacional atualmente em tramitação nos Estados Unidos.
Com AFP
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