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Dono da Anthropic pede freio na IA após alerta viral de engenheiro sobre 'fim da humanidade em 10 anos'

O presidente da Anthropic, uma das maiores empresas de inteligência artificial do mundo, defendeu neste sábado (12) que o setor precisa reduzir o ritmo de desenvolvimento de modelos avançados. A declaração ocorre uma semana após a demissão do matemático britânico Jacob Coxon, que viralizou ao afirmar que a IA "pode destruir a humanidade em 10 anos".

12 set 2026 - 12h27
(atualizado às 12h39)
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Resumo
Dario Amodei, chefe da Anthropic, pediu uma desaceleração no avanço da inteligência artificial para permitir auditorias independentes, alertando que agentes autônomos podem controlar a internet em até um ano. O apelo ocorre após a demissão do pesquisador Jacob Coxon, que alertou sobre riscos existenciais iminentes da tecnologia, e em meio a incidentes de sistemas da OpenAI e da própria Anthropic que escaparam do confinamento de testes e exibiram comportamentos imprevisíveis e não supervisionados.

O chefe da Anthropic, Dario Amodei, pediu neste sábado (12) para reduzir a velocidade de desenvolvimento da inteligência artificial, citando a necessidade de controlar melhor a evolução dos sistemas e mencionando o incidente ocorrido em julho na OpenAI. A mensagem, publicada em seu site pessoal, surge poucos dias depois de Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic, anunciar que deixaria a empresa californiana, acusando-a de minimizar o risco existencial que a IA representa para a humanidade.

A logomarca da Anthropic, um teclado e uma mão robótica nesta imagem ilustrativa criada em 5 de junho de 2026
A logomarca da Anthropic, um teclado e uma mão robótica nesta imagem ilustrativa criada em 5 de junho de 2026
Foto: REUTERS - Dado Ruvic / RFI

Em 4 de setembro, Coxon publicou mensagens nas redes sociais afirmando que modelos avançados de IA poderiam "matar todos os humanos até o fim da década", acusando empresas do setor de ignorar sinais de comportamento imprevisível.

As declarações viralizaram e transformaram Coxon em figura central do debate global sobre riscos extremos. A repercussão foi imediata, com especialistas discutindo a possibilidade de que modelos avançados possam desenvolver comportamentos não previstos pelos criadores.

Jacob Coxon afirma que modelos avançados de inteligência artificial exibem comportamentos que não foram previstos pelos engenheiros durante o pré‑treinamento, etapa em que sistemas absorvem padrões de linguagem, lógica e tomada de decisão. Segundo ele, versões sucessivas de modelos apresentam mudanças abruptas de comportamento, sugerindo formas de raciocínio interno que não são transparentes para os criadores.

Coxon descreve episódios em que sistemas contornaram instruções internas, produziram soluções mais eficientes do que as previstas e demonstraram capacidade de propor ajustes no próprio processo de treinamento, o que ele interpreta como sinais de autoaperfeiçoamento não supervisionado. Para o matemático, esse conjunto de comportamentos indica que modelos de grande escala podem desenvolver estratégias próprias para atingir objetivos, inclusive quando esses objetivos não foram definidos pelos engenheiros.

Sem avaliação independente

O presidente da Anthropic, Dario Amodei, afirma que o setor vive "uma corrida que não favorece ninguém" e que modelos cada vez mais poderosos estão sendo lançados "sem tempo suficiente para avaliação independente". Ele defendeu que empresas e governos estabeleçam limites temporários para novos lançamentos, permitindo auditorias externas e testes de impacto.

Essas advertências ocorreram após um incidente em que modelos da OpenAI saíram espontaneamente de seu ambiente confinado durante testes, alcançaram a internet e atacaram a plataforma de IA Hugging Face. Desde então, vários outros episódios em que sistemas da OpenAI e da Anthropic acessaram a internet sem o conhecimento de seus supervisores foram relatados pelas duas empresas.

Controlar "toda a internet"

Em todos os casos, eles envolviam agentes de IA, ou seja, um programa específico construído sobre um modelo e dotado de conhecimentos próprios e objetivos próprios. As ações e os métodos desses agentes causaram ainda mais preocupação porque mostraram tendência a se coordenar, estabelecer hierarquia entre si, trapacear e apagar rastros de suas ações.

Diante da atual aceleração do desenvolvimento da IA, "receio que, dentro de 6 a 12 meses, um grupo de agentes seja capaz de tomar o controle de toda a internet", alerta Dario Amodei, o que "poderia causar centenas de bilhões de dólares em danos".

A Anthropic, fundada por ex-integrantes da OpenAI, é considerada uma das principais concorrentes globais no desenvolvimento de modelos avançados de IA. Claude, seu sistema mais conhecido, é utilizado em setores estratégicos, incluindo pesquisa científica, análise de dados e operações corporativas. 

A declaração ocorre em um momento de tensão global sobre o uso militar de IA, especialmente após episódios recentes envolvendo grupos armados no Oriente Médio. Para especialistas, o posicionamento público do presidente da Anthropic representa uma mudança significativa no discurso das grandes empresas do setor, que até agora evitavam defender limites explícitos ao desenvolvimento.

Crise Coxon acelerou debate sobre riscos extremos

Na sexta-feira (11), a Anthropic divulgou um relatório no qual descreve como atores maliciosos usaram seu sistema de inteligência artificial (IA), Claude, para atividades de vigilância patrocinadas por Estados, operações de propaganda e outros fins.

No mesmo dia, 25 ganhadores da Medalha Fields, equivalente ao Nobel de matemática, alertaram em carta, para um possível "efeito destrutivo" da inteligência artificial (IA) nas pesquisas nessa disciplina.

O alerta foi feito dias após a OpenAI anunciar que um de seus modelos de IA resolveu em menos de quatro dias um problema de mais de um século de antiguidade.

Com AFP e agências

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