"Já é hora de nos livrarmos da ideia de que é 'tempo perdido' o lazer dos trabalhadores, ou um privilégio de classe": há 100 anos, a tática implacável de Henry Ford criava a escala 5x2
Apesar da decisão ter ajudado a transformar a relação entre trabalho e descanso em todo o mundo, por trás dela existia uma estratégia muito mais complexa do que uma simples preocupação com o bem-estar dos funcionários
A escala 6x1 é um tema que está pegando fogo na internet, no Senado e na Câmara dos Deputados. Na última semana, os deputados aprovaram uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso. O texto ainda precisa passar pelo Senado, mas trouxe um questionamento que já era feito há 100 anos pelo empresário Henry Ford: afinal, trabalhar menos prejudica a produtividade ou pode beneficiar trabalhadores e empresas ao mesmo tempo?
Fundador da Ford Motor Company, Henry Ford tomou uma decisão que deixou todo o setor industrial da época descrédulo: reduziu a semana de trabalho para cinco dias e estabeleceu uma jornada de 40 horas semanais. Ao anunciar a mudança, o empresário comentou que já era hora de abandonar a ideia de que o lazer dos trabalhadores representava um privilégio ou um desperdício de tempo. Apesar da medida ter sido vista como um avanço para os trabalhadores, por trás dela existia uma estratégia muito mais calculada do que uma simples preocupação com o bem-estar dos funcionários.
Há 100 anos, trabalhar cinco dias por semana parecia uma ideia absurda
Para entender o impacto da escala 5x2, é preciso usar a máquina do tempo e voltar lá para 1926, quando Henry anunciou a adoção da semana de 5 dias e 40 horas de trabalho nas fábricas da Ford Motor Company. Naquele momento, a referência internacional estabelecida pela Organização Internacional do Trabalho era uma jornada ...
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