Hacker diz que Bolsonaro perguntou sobre 'invasão de urnas' e revela Pix 'à disposição' de Zambelli
Walter Delgatti Neto, o 'Vermelho', preso nesta quarta, 2, relatou à Polícia Federal detalhes de encontro em 2022 com o então presidente, no Palácio do Alvorada, e repasses que teria recebido de deputada
Saiba quem é o hacker Walter Delgatti Neto, conhecido pela 'Vaza Jato' e preso em operação da PF
O hacker implicou diretamente a deputada Carla Zambelli, aliada de de Bolsonaro. De acordo com ele, Zambelli teria lhe pedido que caso não conseguisse hackear as urnas, que obtivesse 'conversas comprometedoras' de Alexandre de Moraes.
'Vermelho' alegou que explorou a plataforma do CNJ para encontrar uma vulnerabilidade e, quando conseguiu achar uma porta de entrada, contatou Zambelli dizendo que conseguiria emitir um mandado de prisão em desfavor de Alexandre, como se fosse o próprio ministro o autor do decreto.
Segundo o hacker, Zambelli 'ficou empolgada', fez o texto e enviou para que ele publicasse. Delgatti alegou que 'fez algumas alterações, pois o português estava meio ruim, e emitiu o mandado de prisão e o bloqueio de valores, no exato valor da multa aplicada ao PL' - de R$ 22 milhões, em razão do ataque às urnas eletrônicas.
Walter Delgatti Neto sustentou que foi pago para ficar à disposição da deputada. Segundo o depoimento, os pagamentos se deram em outubro de 2022, no valor de R$ 3 mil. O hacker disse que os repasses foram efetuados por um assessor da parlamentar, 'chamado Jean, por transferência bancária e em dinheiro em espécie, levado pelo motorista da deputada, Renan'.
Afirmou, ainda, que recebeu transferências Pix de R$ 13,5 mil - R$ 10,5 mil enviados por Renan César Silva Goulart, que atuaria como assistente parlamentar do deputado estadual em São Paulo Bruno Zambelli, irmão de Carla, e ex-secretário da parlamentar; e R$ 3 mil de Jean Hernani Guimarães Vilela que atua como secretário parlamentar de Zambelli desde maio.