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Governo articula e instalação da CPI da covid é adiada

Planalto quer negociar cargos no primeiro escalão e atender à pressão de parlamentares por emendas

19 abr 2021 20h51
| atualizado às 21h06
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O Palácio do Planalto tenta ganhar tempo e adiar ao máximo a CPI da Covid, com o objetivo de negociar cargos no primeiro escalão e atender à pressão de parlamentares para acomodar suas emendas no Orçamento deste ano. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já indicou que a instalação da CPI não será mais na próxima quinta-feira, mas, sim, no dia 27.

Com minoria na CPI, o governo já admite ceder um ministério para o Senado, que não está contemplado na equipe do presidente Jair Bolsonaro, enquanto a Câmara tem cinco deputados licenciados na Esplanada. Uma das ideias cogitadas é entregar o Ministério da Educação para um senador.

Plenário do Senado Federal
Plenário do Senado Federal
Foto: Waldemir Barreto/ Agência Senado / Estadão

Provável relator da CPI, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) reclamou do movimento para que o colegiado seja instalado somente na próxima semana. "Os integrantes da comissão querem a instalação imediata. O presidente (do Senado) continua naquela, querendo levar para outra semana. Não é fácil isso", disse Renan ao Estadão. Atacado nas mídias digitais bolsonaristas, Renan deixou nesta segunda-feira, 19, as redes sociais e pediu ao Twitter o bloqueio de várias contas com perfil classificado como "fake".

O acordo fechado entre a maior parte dos integrantes da CPI, na última sexta-feira, 16, prevê que Omar Aziz (PSD-AM) seja o presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) assuma a vice-presidência e Renan, a relatoria dos trabalhos. Aliados do presidente Jair Bolsonaro, porém, fazem pressão nas redes para impedir Renan de assumir esse posto porque, além de ser crítico de Bolsonaro, o senador é aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nas mídias digitais, bolsonaristas batem na tecla de que o senador não pode integrar a CPI por ser pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB-AL). A CPI vai investigar o destino do dinheiro repassado pelo governo federal a municípios e Estados, entre os quais Alagoas, para o combate à pandemia de covid-19.

Para o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), o funcionamento da CPI deveria ser adiado indefinidamente. Bezerra Coelho defendeu a questão de ordem apresentada pelo líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), pedindo que a comissão seja presencial e só comece quando todos os participantes estiverem vacinados.

"Existe uma questão de ordem feita pelo senador Eduardo Gomes, que o presidente Rodrigo Pacheco ainda não respondeu. O governo gostaria que essa questão de ordem fosse deferida", afirmou Bezerra Coelho ao Estadão.

Sem cargo

Irritado com o que chamou de "erros" do Planalto na articulação política, o senador Marcos Rogério (DEM-RO), integrante da CPI da Covid, entregou nesta segunda-feira, 19, o cargo de vice-líder do governo Bolsonaro. "O governo errou, deixou correr solto (o funcionamento da CPI). Agora, querem correr atrás do prejuízo. O Palácio não procurou a própria base para conversar", criticou Rogério em entrevista à emissora CNN.

Plano

Uma minuta do plano de trabalho da CPI sugere quatro sub-relatorias paralelas à principal. Os temas são vacinas, colapso em Manaus, repasses federais e insumos para tratamento de doentes. A versão preliminar do planejamento foi preparada pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), suplente da comissão.

Renan disse que os senadores governistas não podem agir como tropa de choque dentro do colegiado e, caso isso ocorra, não poderão ser escolhidos para sub-relatorias. "É uma CPI isenta e será conduzida dessa forma. Se ficar chapada desde o início com tropa de choque, isso retirará a condição de indicação dessas pessoas. Não é CPI contra ninguém, é contra covid, contra a pandemia. O nosso inimigo é a pandemia", argumentou Renan, que já foi quatro vezes presidente do Senado.

O senador Humberto Costa (PT-PE), por sua vez, se mostrou receoso quanto à possibilidade de relatorias paralelas. "Esses bolsonaristas só querem focar a CPI na questão de Estados e municípios. Os caras vão querer construir uma CPI alternativa. É preciso discutir tudo isso com calma", afirmou Costa, ao ser questionado sobre a conveniência das sub relatorias. / COLABOROU DANIEL WETERMAN

Estadão
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