Chanceler de Israel visita América Latina em busca de apoio político da direita para guerra em Gaza
O chanceler israelense Gideon Saar iniciou nesta quarta-feira (5) uma viagem pela Colômbia e pelo Equador, para reforçar a aproximação de Israel com governos de direita na América Latina. Ele participará da posse do colombiano Abelardo de la Espriella e discutirá iniciativas como a transferência de embaixadas para Jerusalém, tema sensível na diplomacia internacional. A agenda ocorre enquanto Israel enfrenta críticas internacionais pela guerra em Gaza e tenta ampliar alianças políticas na região.
Na sexta-feira (7), Saar participará da posse do novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, representante da direita radical e aliado próximo de Donald Trump. A presença do ministro israelense na cerimônia simboliza a retomada das relações bilaterais após a ruptura diplomática promovida em 2024 pelo então presidente Gustavo Petro, que havia suspendido os laços com Israel em reação à ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza.
A Colômbia, sob a nova administração, anunciou a intenção de transferir sua embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, repetindo gesto diplomático adotado pelos Estados Unidos e por poucos países. A mudança é considerada altamente sensível porque envolve o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, posição rejeitada pela maior parte da comunidade internacional. Israel ocupou e anexou a parte oriental da cidade em 1967 e a considera sua capital indivisível, enquanto organismos internacionais classificam Jerusalém Oriental como território ocupado.
Além da Colômbia e do Equador - Quito recebe a primeira visita de um chanceler israelense em 44 anos -, Saar tem mantido conversas com outros governos conservadores da região. Ele se reuniu recentemente com Keiko Fujimori, presidente eleita do Peru, que integra o bloco de países latino-americanos alinhados a Israel. Segundo o chanceler, a estratégia de ampliar contatos com governos de direita tem sido conduzida de forma "determinada e sistemática", permitindo renovar vínculos que estavam fragilizados.
Empresa israelense quer explorar petróleo nas Malvinas
Outro aliado de Israel na região, o presidente argentino Javier Milei, também prometeu transferir a embaixada argentina para Jerusalém. A iniciativa, porém, não avançou. Segundo a imprensa israelense, o impasse está ligado a um conflito envolvendo um projeto de exploração de petróleo nas Ilhas Malvinas, área reivindicada pela Argentina e administrada pelo Reino Unido. Uma empresa israelense pretende atuar no local, o que gerou atritos diplomáticos e atrasou a decisão.
Esses movimentos de aproximação ocorrem ao mesmo tempo em que Israel enfrenta críticas intensas de governos e organizações internacionais por sua condução da guerra em Gaza. O conflito foi desencadeado após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, considerado o mais grave já realizado pelo grupo em território israelense. Desde então, a ofensiva de Israel tem provocado reações negativas em diversos países, especialmente entre governos progressistas da América Latina, que passaram a rever ou suspender relações diplomáticas.
A estratégia de Saar busca consolidar um bloco de apoio político num momento em que Israel tenta conter esse isolamento diplomático. Ao fortalecer vínculos com governos de direita, o país procura equilibrar perdas recentes e garantir respaldo internacional para sua política externa, especialmente em temas sensíveis como Jerusalém e a guerra em Gaza.
Com AFP
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