Estados Unidos atacam Venezuela e capturam Maduro
Donald Trump diz que EUA realizaram "ataque em larga escala" ao país sul-americano. Maduro irá a julgamento em Nova York por crimes associados ao "narcoterrorismo", afirma procuradora-geral americana.Forças militares dos Estados Unidos lançaram neste sábado (03/01) ataques militares contra alvos na Venezuela, marcando uma inédita escalada de tensão na região e aumentando a pressão sobre o regime de Nicolás Maduro.
As principais informações:
Fortes explosões e ruídos de aviões foram ouvidos nas primeiras horas deste sábado (03/01) em Caracas e outras regiões da Venezuela.
O presidente americano, Donald Trump, anunciou em sua rede social Truth Social que os EUA capturaram Maduro e sua esposa, e que eles foram levados de avião para fora do país sul-americano. Trump disse que os Estados Unidos realizaram um "ataque em larga escala à Venezuela".
Procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou que Maduro irá a julgamento em um tribunal de Nova York.
O governo venezuelano denunciou o que chamou de "agressão militar gravíssima" dos Estados Unidos contra alvos civis e militares em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua, La Guaira, onde estão localizados o aeroporto e o porto da capital do país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as ações americanas que, segundo afirmou, estariam em "flagrante violação do direito internacional"
Acompanhe os últimos desdobramentos.
Secretário de Estado dos EUA acusa Maduro de "narcoterrorismo"
Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, acusou Maduro de chefiar uma organização "narcoterrorista" - termo que vem sendo utilizado por Washington para justificar os vários ataques americanos a embarcações que supostamente estariam transportando drogas para o país, entre outras ações.
"Maduro não é o presidente da Venezuela e seu regime não é o governo legítimo. Maduro é o chefe do Cartel de Los Soles, uma organização narcoterrorista que assumiu o controle do país. Ele está sob acusação por tráfico de drogas nos Estados Unidos", disse Rubio, em postagem no X.
Lula critica ataque como "flagrante violação do direito internacional"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nota criticando as ações americanas na Venezuela, que, segundo afirmou, lembram "os piores momentos da interferência na política da América Latina".
"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional."
"Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo", disse o presidente.
Lula lembrou que o Brasil a condenação do o uso da força "é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões" e disse que a ação na Venezuela "lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz".
"A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação."
Ataque dos EUA esvazia espaço aéreo da Venezuela
O espaço aéreo da Venezuela aparece vazio na manhã desta sábado (03/01), após o ataque dos Estados Unidos contra a capital Caracas e outras localidades. As imagens são dos aplicativo FlightRadar.
Maduro será julgado em Nova York, diz procuradora-geral dos EUA
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou que Nicolás Maduro será julgado pela Justiça americana em um tribunal de Nova York.
"Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram indiciados no Distrito Sul de Nova York", disse Bondi, acrescentando que o venezuelano foi "acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os Estados Unidos".
"Em nome de todo o Departamento de Justiça dos EUA, gostaria de agradecer ao presidente Trump por ter a coragem de exigir responsabilização em nome do povo americano, e um enorme agradecimento às nossas bravas Forças Armadas que conduziram a incrível e bem-sucedida missão de captura desses dois supostos narcotraficantes internacionais", afirmou a procuradora-geral.
UE pede moderação, mas ressalta que Maduro "carece de legitimidade"
A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, pediu moderação em nome do bloco das 27 nações, após os últimos acontecimentos na Venezuela, mas questionou a legitimidade do regime de Maduro.
"A UE declarou repetidamente que o Sr. Maduro carece de legitimidade e defendeu uma transição pacífica", disse Kallas em postagem no X. "Em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e a Carta da ONU devem ser respeitados."
Kallas disse ter conversado com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e que a UE, assim como muitos outros países europeus, está "monitorando de perto" a situação.
"A segurança dos cidadãos da UE no país é nossa principal prioridade", afirmou.
Governo brasileiro discutirá crise na Venezuela em reunião no Itamaraty
O governo brasileiro fará uma reunião neste sábado para discutir o ataque do governo dos Estados Unidos à Venezuela, segundo informações divulgadas pela emissora GloboNews.
Não foi informado ainda quais ministros deverão participar da reunião, que será realizada no Palácio Itamaraty.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que estava de férias, antecipou sua volta a Brasília.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama, Janja da Silva, estão na base militar da Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro.
Alemanha acompanha "com grande preocupação" a situação em Caracas
O Ministério do Exterior da Alemanha disse que acompanha a situação na Venezuela com grande preocupação e que uma equipe de crise se reuniria ainda neste sábado para discutir a questão.
Segundo informações obtidas pela agência de notícias Reuters, a pasta estava em contato próximo com a embaixada alemã em Caracas.
Milei comemora captura de Maduro
O presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou a notícia da captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
"A liberdade avança", escreveu Milei, fervoroso apoiador e aliado de Donald Trump, em postagem no X, reagindo a uma publicação que anunciava a captura do líder venezuelano.
Rússia condena "ato de agressão armada" dos EUA
A Rússia condenou a ação militar dos EUA na Venezuela, afirmando que não havia justificativa para o ataque e que a "hostilidade ideológica" prevaleceu sobre a diplomacia.
"Esta manhã, os Estados Unidos cometeram um ato de agressão armada contra a Venezuela. Isso é profundamente preocupante e condenável", disse o Ministério do Exterior da Rússia em comunicado.
"A Venezuela deve ter garantido o direito de determinar seu próprio destino sem qualquer intervenção externa destrutiva, muito menos militar", dizia a nota.
O Ministério pediu diálogo para evitar uma escalada ainda maior e afirmou que reafirmou sua solidariedade com o povo e o governo venezuelanos, acrescentando que a Rússia apoia os apelos por uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
O que Trump espera alcançar com fim do governo Maduro
Em meados de dezebro, numa entrevista à revista Vanity Fair, a chefe de gabinete do presidente dos EUA, Donald Trump, Susie Wiles , disse, sem rodeios, que seu chefe queria "continuar explodindo barcos até que Maduro se renda". A declaração foi uma referência à campanha de meses dos EUA para destruir supostos barcos venezuelanos que estaraiam transportando drogas no Caribe.
No início, parecia que a questão das drogas estava no centro da mira de Trump. Há muito tempo ele buscava fechar o cerco contra narcotraficantes e, também em dezembro, declarou o fentanil , tema recorrente em seus dois mandatos presidenciais, uma arma de destruição em massa.
Também foi sugerido que os ataques eram um pretexto para obter mais recursos - petróleo e terras raras - da Venezuela. Trump ordenou, na mesma semana da declaração sobre o fentanil, bloqueio total a petroleiros sancionados , que agora estão impedidos de chegar ou deixar o país sul-americano.
Mas a entrevista de Wiles mudou essa visão, ou pelo menos diminuiu as especulações sobre as intenções do governo. Parece que Maduro, que controla a Venezuela como presidente desde 2013, a despeito de repetidos esforços para se instaurar a democracia, estava no centro da campanha de Trump.
"Não acho que esse fosse o objetivo em janeiro deste ano, quando Trump assumiu o segundo mandato", disse Paul Hare, diplomata aposentado do Reino Unido e ex-embaixador, agora diretor interino do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Boston. "A ideia era fazer um acordo sobre deportações com Maduro, talvez obter algumas concessões de petróleo para os americanos e fazer um tipo de pacto comercial que lhe permitisse permanecer no poder."
Derrubar Maduro não é uma tarefa simples, mas uma solução potencialmente mais fácil para o governo Donald Trump do que os campos de batalha na Ucrânia e em Gaza.
Isso também se alinharia com a estratégia de segurança nacional do segundo mandato do republicano, que restabelece um foco firme em sua esfera de influência no hemisfério ocidental - uma região que abrange as Américas e, em sua periferia, a Europa Ocidental.
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Ministro venezuelano da Defesa critica ataques a alvos civis
O ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, disse que os bombardeios dos EUA em diversas áreas do país, incluindo a capital, afetaram a população civil, e anunciou um "desdobramento maciço" de armas para a defesa do país.
"As forças invasoras [...] profanaram nosso solo sagrado nas cidades de Fuerte Tiuna, Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, atingindo inclusive áreas civis com mísseis e foguetes disparados de seus helicópteros de ataque", disse Padrino López.
Ele disse que iria ativar um "desdobramento maciço de todos os recursos terrestres, aéreos, navais, fluviais e de mísseis" e "sistemas de armas para uma defesa abrangente", acrescentou em vídeo publicado em suas redes sociais.
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, exigiu que os EUA forneçam provas de que Nicolás Maduro e sua esposa estão vivos.
Irã condena ataque dos EUA contra seu aliado na América do Sul
O Irã, país que mantém laços estreitos com a Venezuela, condenou veementemente o ataque americano contra seu aliado na América do Sul.
"O Ministério do Exterior do Irã condena veementemente o ataque militar dos EUA contra a Venezuela e a flagrante violação da soberania nacional e da integridade territorial do país", afirmou o Ministério em nota, criticando a "agressão ilegal" cometida pelos Estados Unidos.
Teerã pediu ao Conselho de Segurança da ONU que "aja imediatamente para interromper a agressão ilegal" e responsabilize os culpados.
Trump confirma ataque e diz que Maduro foi capturado
O presidente americano, Donald Trump, anunciou em sua rede social, Truth Social, que os EUA capturaram Maduro e sua esposa, e que eles foram levados de avião para fora do país sul-americano. Trump disse que os Estados Unidos realizaram um "ataque em larga escala à Venezuela".
Trump disse que a operação foi realizada em conjunto com agências de segurança dos EUA e anunciou uma coletiva de imprensa para as 11h locais da manhã deste sábado (13h de Brasília, 17h da Alemanha).
Sob pressão dos EUA, Maduro libertou presos políticos
Na última quinta-feira, sob forte pressão dos Estados Unidos, a Venezuela anunciou a libertação de 88 pessoas presas por protestarem contra a contestada vitória de Maduro nas eleições de julho de 2024.
Maduro impôs uma violenta repressão aos opositores que rejeitaram o resultado oficial, que o conduziu a um terceiro mandato de seis anos na Presidência.
A violência resultou na morte de 28 pessoas e na prisão de cerca de 2.400 manifestantes, incluindo dezenas de menores de idade.
Desde então, mais de 2 mil manifestantes foram libertados, segundo registros oficiais.
Em 25 de dezembro, Caracas já havia anunciado a libertação de 99 prisioneiros como "uma expressão concreta do compromisso do Estado com a paz, o diálogo e a justiça".
ONGs venezuelanas estimam que cerca de 900 presos políticos ainda estejam detidos, incluindo pessoas presas antes das eleições.
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Governo venezuelano denuncia "agressão gravíssima" dos EUA ao país
O governo venezuelano denunciou neste sábado uma "agressão militar gravíssima" dos Estados Unidos contra alvos civis e militares nos estados de Miranda, Aragua, La Guaira e na capital do país, Caracas, e ordenou "o destacamento do comando para a defesa integral da nação".
Em nota, o governo da Venezuela convocou a população às ruas. "O governo bolivariano convoca todas as forças sociais e políticas do país a ativarem seus planos de mobilização e repudiar este ataque imperialista."
O comunicado acrescentou que o presidente Maduro "ordenou a implementação de todos os planos de defesa nacional" e declarou ""estado de perturbação externa".
"A Venezuela rechaça, repudia e denuncia à comunidade internacional a grave agressão militar perpetrada pelo atual governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana."