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Brasil fora da Copa: quando o brilho individual enfraquece o coletivo; psicóloga explica

A valorização da imagem, dos números e das conquistas pessoais pode afastar atletas da essência que transforma um grupo em uma equipe

12 jul 2026 - 00h49
(atualizado às 01h03)
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Durante décadas, o futebol no Brasil foi alimentado por histórias de crianças que corriam atrás de uma bola não apenas pensando em fama, contratos milionários ou seguidores, mas movidas principalmente por um sonho: vestir uma camisa, representar um país, fazer parte de algo maior.

Jogo do Brasil contra Noruega
Jogo do Brasil contra Noruega
Foto: Jean Catuffe/Getty Images / Perfil Brasil

Com o passar dos anos, a profissionalização do esporte, a exposição nas redes sociais e a transformação dos jogadores em marcas globais trouxeram uma nova realidade. O talento individual continua impressionando, mas surge uma reflexão: será que, em alguns casos, a busca pelo protagonismo pessoal começou a ocupar o espaço do propósito coletivo?

Para a psicóloga e neuropsicóloga Tattiana ASerra, essa mudança não acontece apenas no futebol, ou no Brasil, mas reflete um comportamento cada vez mais presente na sociedade.

"Quando você permite que o status ocupe o lugar do propósito, pode até conquistar o mundo, mas começa a se afastar da própria essência. O reconhecimento externo é importante, mas ele não pode ser o único combustível que move uma pessoa", explica.

Segundo a especialista, grandes conquistas coletivas dependem de algo que vai além da soma dos talentos individuais. Um grupo formado pelos melhores profissionais nem sempre se transforma na melhor equipe. Para isso, é necessário conexão, confiança, identidade e a capacidade de colocar um objetivo maior acima do próprio ego.

"O talento individual pode decidir momentos, mas é o senso coletivo que constrói histórias. Quando cada pessoa está preocupada apenas com a própria imagem, o grupo perde força porque deixa de funcionar como um organismo integrado", afirma Tattiana.

A psicóloga explica que o cérebro humano é naturalmente motivado por recompensas. Curtidas, elogios, fama e reconhecimento ativam mecanismos associados ao prazer e podem reforçar determinados comportamentos. O problema surge quando a validação externa se torna mais importante do que valores internos.

"Existe uma diferença entre querer evoluir e querer apenas ser visto. Quando a identidade de uma pessoa passa a depender somente da aprovação dos outros, ela pode perder a conexão com aquilo que fez ela começar", destaca.

No esporte, como no Brasil, isso pode significar trocar a paixão pelo jogo pela preocupação constante com números, contratos, repercussão e imagem. Na vida cotidiana, o mesmo acontece quando profissionais buscam cargos, títulos e conquistas sem se perguntar se aquilo ainda faz sentido para quem são.

Para Tattiana, as grandes equipes, dentro e fora dos campos, são construídas por pessoas que conseguem equilibrar ambição individual e compromisso coletivo.

"Ter objetivos pessoais não é o problema. Querer crescer, vencer e ser reconhecido faz parte do desenvolvimento humano. A questão é quando o 'eu' fica tão grande que não sobra espaço para o 'nós'. Nenhuma grande conquista acontece sozinha", reforça.

Em tempos em que tudo pode ser medido, publicado e comparado, talvez um dos maiores desafios seja recuperar uma pergunta simples: por que começamos?

"Propósito é aquilo que permanece quando ninguém está olhando. É o que sustenta uma pessoa quando não existe aplauso, câmera ou recompensa imediata. E, muitas vezes, é justamente essa essência que diferencia quem apenas conquista resultados de quem deixa um legado", finaliza a psicóloga.

*Texto com informações de assessoria.

Perfil Brasil
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