Filho da princesa herdeira da Noruega pode ser condenado a 7 anos de prisão
Marius Borg Hoiby acumula dezenas de acusações, incluindo estupro, violência doméstica, assédio e agressão a faca. Promotoria o descreveu como "propenso a acessos de raiva, especialmente sob efeito de álcool ou drogas".Promotores noruegueses pediram, nesta quarta-feira (18/03), uma pena de prisão de sete anos e sete meses para o filho da princesa herdeira da Noruega, Marius Borg Hoiby. Ele está sendo julgado por acusações de estupro, crimes relacionados a drogas e violência doméstica.
O filho da princesa Mette-Marit foi preso no início de fevereiro, pouco antes do início julgamento, sob suspeita de lesão corporal, porte de faca e violação de uma ordem de restrição. As acusações mais recentes não estão relacionadas a várias outras que o levaram ao banco dos réus em um julgamento aguardado há meses.
Aos 29 anos, Marius Borg Hoiby acumula outras 38 acusações, incluindo estupro, abuso doméstico e assédio. Se condenado, os 63 dias que ele já passou sob custódia deverão ser descontados da pena. Ele também será proibido de entrar em contato com uma ex-namorada por dois anos.
Hoiby se declarou culpado de várias infrações relativamente menores, mas negou os supostos estupros, que, segundo a promotoria, ocorreram enquanto as mulheres dormiam ou estavam inconscientes.
O ponto central do caso é determinar se as mulheres estavam ou não em condições de consentir em ter relações sexuais.
"Estrangulamento, socos e cuspidas"
"O estupro pode deixar cicatrizes permanentes e destruir vidas", argumentou o promotor Sturla Henriksbo no penúltimo dia do julgamento que ganhou destaque em todo o mundo. "Pode ser algo que a vítima carrega consigo por toda a vida."
O promotor o descreveu como um homem "propenso a acessos de raiva, ciumento e, especialmente sob efeito de álcool ou drogas, capaz de perder o controle".
"Ele pode perder a cabeça, surtar, gritar, jogar telefones, até facas, chutar paredes. Nós até ouvimos [depoimentos] sobre estrangulamento, socos e cuspidas", disse Henriksbo. "Marius Borg Hoiby não é um monstro. Nenhum de nós é. Somos todos seres humanos, com lados bons e ruins. Ele não deve ser julgado por quem ele é, mas pelo que fez", disse o promotor.
O promotor se referia a declarações de Hoiby na semana passada nas quais ele se queixou da "pressão da mídia" que, em sua opinião, o "apagou como pessoa". "Não sou mais Marius, sou um monstro. Me tornei alvo de ódio em toda a Noruega", disse ao tribunal.
Hoiby também é acusado de fazer ameaças, violar ordens de restrição, danos à propriedade, infrações de trânsito e transportar 3,5 quilos de maconha, sem fins lucrativos, segundo ele.
Denúncias em série
A prisão de Hoiby desencadeou uma série de outras denúncias por várias vítimas. Entre elas, estão a de estupro de quatro mulheres, violência contra uma ex-parceira e filmagem ilegal de várias mulheres, incluindo suas partes íntimas, sem o conhecimento ou consentimento delas.
Os estupros teriam acontecido entre 2018 e novembro de 2024. Todas as supostas agressões teriam ocorrido após relações sexuais consensuais, enquanto as mulheres dormiam.
Ele é também investigado por conduta sexual criminosa, abuso em relacionamento íntimo e lesão corporal, além de danos intencionais, ameaças à polícia e infrações de trânsito, acrescentou a polícia.
Hoiby rejeita as acusações de crimes sexuais, segundo seus advogados. A corte real norueguesa não quis comentar o assunto no ano passado, quando ele foi formalmente denunciado.
Violência e abuso de drogas
Marius Borg Hoiby é fruto de um relacionamento anterior de Mette-Marit, antes de ela se casar com o príncipe herdeiro Haakon, futuro rei da Noruega. Hoiby não possui o título de príncipe nem é membro oficial da família real norueguesa.
Ele foi inicialmente detido em agosto de 2024, por suspeita de agressão à então companheira. Hoiby admitiu ter agido de maneira violenta quando estava sob a influência de álcool e cocaína, além de ter destruído objetos no apartamento dela.
Mette-Marit vem sendo criticada há semanas por sua amizade com o criminoso sexual Jeffrey Epstein. A princesa herdeira sofre de uma forma rara de fibrose pulmonar, uma doença crônica, e precisará de um novo pulmão. Aos 52 anos, ela não aparece em público desde o final de janeiro.
O veredicto no caso de seu filho é esperado dentro de alguns meses.
rc (DPA, AFP)