Zema critica STF e diz que 'é como se nós tivéssemos um papa pedófilo'
Governador protocolou neste mês um pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes por envolvimento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pré-candidato ao Palácio do Planalto, criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 18, afirmando que o exemplo dado pelos ministros da Corte seria como "se tivéssemos um papa pedófilo" influenciando padres.
A declaração se deu durante o evento "Agro - a força de Minas".
"Eu não me lembro de ter assistido à mais alta Corte do Brasil, que deveria ser referência... olha o que que ela está aprontando. É como se nós tivéssemos um papa pedófilo. O que esperar dos padres? Então, estamos hoje nesta situação".
O governador mineiro criticou o Supremo após ser questionado sobre como o agronegócio seria incluído em sua pré-campanha à Presidência. Nas últimas semanas, ele deu declarações sobre o envolvimento dos ministros do STF o escândalo das fraudes financeiras do Banco Master.
"É algo aterrador o que nós estamos vivendo. E como eu já falei, muita gente calada. Cadê os estudantes de direito que defendem tanto a democracia? Cadê as associações de magistrados, o presidente da República? Onde está esse pessoal? Quem não está discordando está concordando com essa situação", completou o governador.
No dia 9 de fevereiro, Zema protocolou um pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. O documento é assinado pelo presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, e pelos deputados e senadores do partido - com a exceção do deputado Ricardo Salles (SP), e outros correligionários, como o ex-deputado Deltan Dallagnol.
O pedido do mineiro tem como base a revelação de conversas entre o ministro do Supremo e Daniel Vorcaro, dono do Master. A justificativa diz que Moraes foi "desidioso no cumprimento do cargo" e procedeu "de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções".
Pré-candidatura ao Palácio do Planalto
Zema já começou as despedidas dentro do governo e deixará o cargo no próximo domingo, 22 de março. Ele se despede sem conseguir transferir votos para o vice, Mateus Simões (PSD), pré-candidato ao Palácio Tiradentes, e com o próprio futuro político incerto.
Zema tem repetido publicamente que vai se desincompatibilizar do cargo para ser candidato à Presidência da República, mas nos bastidores ele é cotado como vice em alguma candidatura do campo da direita, como a do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O governador já negou a possibilidade de se candidatar ao Senado.
Em pesquisas internas feitas por nomes da direita, Romeu Zema aparece, até aqui, como alguém com dificuldade de transferir votos, o que tem se traduzido nos números de Mateus Simões ao governo.