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Eurovision 2026 começa sob sombra de boicote contra Israel

12 mai 2026 - 10h41
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Pressão contra a participação israelense leva festival a boicote inédito de cinco emissoras públicas da Espanha, Irlanda, Eslovênia Holanda e Islândia, além de menor número de competidores em duas décadas.A 70ª edição do Festival Eurovisão da Canção (Eurovision Song Contest, ESC), que começa nesta terça-feira (12/05), em Viena, enfrentará o maior boicote desde sua criação, em 1956.

Festival autorizou candidato israelense de participar do concurso apesar dos boicotes
Festival autorizou candidato israelense de participar do concurso apesar dos boicotes
Foto: DW / Deutsche Welle

Nesta segunda-feira, as emissoras públicas da Espanha, Irlanda e Eslovênia juntaram-se à Holanda e Islândia e confirmaram que não participarão da competição de música pop, em protesto contra a presença de Israel no evento. Dessa forma, esses países não vão contar com músicos na disputa deste ano.

Já a Espanha, Irlanda e Eslovênia pretendem ir mais longe, e também pretendem não transmitir o festival para telespectadores dos seus países. A final da edição de 2026 está prevista para ocorrer no próximo sábado (16/05).

Extremamente popular no continente europeu, o festival cultural ganhou contornos políticos há décadase, cada vez mais, sofre pressão devido à presença israelense, em meio à guerra na Faixa de Gaza. A Rússia, por exemplo, foi suspensa após a invasão da Ucrânia em 2022. Nos últimos dois anos, protestos tomaram as ruas de Malmö, na Suécia, e depois de Basileia, na Suíça contra os competidores de Israel.

Em 2025, a polêmica cresceu após suspeitas de manipulação do sistema de votação para favorecer Israel. Na ocasião, Yuval Raphael, sobrevivente do ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro, recebeu uma enxurrada de votos online, apesar das notas baixas do júri. Contas oficiais do governo, incluindo a do premiê Benjamin Netanyahu, foram usadas para incentivar o público a votar até 20 vezes na cantora.

O festival é organizado anualmente pela União Europeia de Radiodifusão (EBU, na sigla em inglês) e ocorre no país vencedor do ano anterior.

A israelense Raphael chegou à final e terminou em segundo lugar, o que impediu o Eurovision 2026 de ser realizado em Tel Aviv. Na ocasião, ela obteve 83% de seus pontos do público com a música New Day Will Rise. A vencedora, Wasted Love, da Áustria, recebeu apenas 41% dos votos populares e precisou do apoio dos júris nacionais para chegar ao topo.

O Eurovision é uma competição não entre governos, mas que envolve emissoras filiadas à EBU — uma comunidade de emissoras de serviço público. Nas últimas décadas, a quantidade de membros ativos ou associados da EBU se expandiu para fora do continente europeu, passando a incluir emissoras da Austrália e de Israel. Os israelenses estrearam no Eurovision em 1973, e já ganharam a competição quatro vezes desde então.

Países preparam programação alternativa

"Em vez do circo do Eurovision, a programação da televisão nacional será marcada pela série temática Vozes da Palestina", afirmou a emissora eslovena RTV.

Durante a segunda semifinal, na quinta-feira, a irlandesa RTÉ exibirá The End of the World with Beanz, com a vencedora do Eurovision de 1993, Niamh Kavanagh, na Noruega. Na final, transmitirá um episódio da popular sitcom irlandesa dos anos 1990 Father Ted.

A RTVE, da Espanha, apresentará seu próprio especial musical, The House of Music. Já as emissoras públicas da Holanda e da Islândia irão transmitir a competição, mas não participarão com representantes.

No ano passado, a Islândia já havia indicado que ficaria fora da disputa em 2026.

"A situação em Gaza, apesar do cessar-fogo e da aprovação do processo de paz, e a utilização do concurso para fins políticos por Israel tornam cada vez mais difícil manter o Eurovision como um evento cultural neutro", afirmou à época Alfonso Morales, secretário-geral da RTVE.

Com isso, apenas 35 países disputam o título este ano, o menor número desde a ampliação da competição em 2004. Algumas emissoras também manifestaram preocupação com a liberdade de imprensa, devido ao veto israelense à entrada de jornalistas em Gaza.

"Esperamos que eles voltem"

Diretor do programa, Martin Green afirmou que fará o possível para que as emissoras retornem ao projeto. "Temos cinco membros da nossa família ausentes neste ano. Sentimos falta deles, nós os amamos e esperamos que voltem", disse ele em coletiva de imprensa nesta segunda-feira.

"Vamos continuar conversando. Estamos muito claros de que faremos tudo ao nosso alcance para encontrar um caminho de volta. Em última análise, cabe a eles, e eu respeito totalmente isso."

No sábado, Green já havia dito que pediu à emissora israelense KAN que cessasse a divulgação de vídeos incentivando os espectadores a votar repetidamente em Israel.

"Vimos no ano passado um tipo de ação que poderíamos classificar como marketing e promoção desproporcionais, algo que consideramos fora de sintonia com a natureza do evento. Por isso, estabelecemos algumas regras sobre esse tipo de prática", afirmou Green à agência Reuters, sem se referir diretamente às publicações. Cada pessoa poderá registrar apenas 10 votos neste ano, metade do permitido em 2025.

Ele também indicou que, neste ano, os júris profissionais estão de volta às semifinais como contrapeso ao voto popular. "Temos um dos sistemas de votação mais seguros e justos", disse aos repórteres.

Anistia denuncia "covardia"

A Anistia Internacional afirmou que a falha da EBU em suspender Israel da Eurovisão foi "um ato de covardia e uma demonstração de duplos padrões flagrantes".

A participação de Israel "oferece ao país uma plataforma para tentar desviar a atenção e normalizar seu genocídio em curso na Faixa de Gaza ocupada", disse a secretária-geral da Anistia, Agnes Callamard, em comunicado. "Canções e lantejoulas não devem ser permitidas para abafar ou distrair das atrocidades de Israel ou do sofrimento palestino."

Israel afirma ser alvo de uma campanha global de difamação, especialmente desde o início da guerra em Gaza. Em resposta ao alerta sobre os vídeos de Bettan, a KAN afirmou que "segue todas as regras da EBU".

gq/jps (AFP, Reuters, OTS)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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