EUA vão retirar 5 mil soldados da Alemanha
Anúncio ocorre após Trump demonstrar irritação com críticas do chanceler alemão, Friedrich Merz, sobre condução da guerra contra o Irã. Washington tem quase 40 mil militares em várias instalações do país europeu.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirará 5 mil militares americanos de suas bases na Alemanha, de acordo com autoridades da defesa citados por diversos veículos de comunicação locais nesta sexta-feira (01/04).
A decisão de retirar da Alemanha 5 mil militares da ativa das Forças Armadas dos EUA está sendo planejada pelo Pentágono, segundo esses funcionários. A medida demonstraria o descontentamento de Trump, que já havia ameaçado nesta semana retirar tropas devido à falta de apoio de seus aliados europeus na guerra contra o Irã.
Essa ação também é interpretada como uma reação às críticas do chanceler federal alemão, Friedrich Merz, que acusou o republicano de ter sido "humilhado" por Teerã nas negociações para chegar a um acordo.
Quase 40 mil militares no país
Atualmente, o Exército dos Estados Unidos mantém grande presença na Alemanha, quase 40 mil militares na ativa distribuídos por várias instalações do país, entre elas a base aérea de Ramstein, o quartel-general em Wiesbaden, as áreas de treinamento de Grafenwöhr e Hohenfels na Baviera, a base aérea de Spangdahlem e o complexo militar de Stuttgart.
O ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, procurou apaziguar a situação após o anúncio dos EUA. "A presença de soldados americanos na Europa, e especialmente na Alemanha, é do nosso interesse e do interesse dos EUA", disse Pistorius à agência de notícias alemã DPA. Ao mesmo tempo, deixou claro que a decisão não foi inesperada.
Ele afirmou ser evidente que a Otan precisa se tornar mais europeia para se manter transatlântica. "Nós, europeus, precisamos assumir mais responsabilidade pela nossa segurança", afirmou Pistorius, acrescentando que a "Alemanha está no caminho certo nesse sentido".
Na quinta-feira, Trump advertiu Merz que ele deveria se preocupar mais em "consertar" seu país "destruído" e pôr fim à guerra na Ucrânia, em vez de "interferir" no conflito com o Irã, em uma nova salva de críticas na troca de farpas entre os dois líderes.
O republicano acusou o líder europeu de não apoiar os EUA na guerra contra o Irã e de acreditar "que é aceitável que o Irã tenha uma arma nuclear", além de enfatizar que "não é à toa que a Alemanha está indo tão mal, tanto economicamente quanto em outros aspectos!".
Merz apoiou inicialmente os ataques dos EUA e de Israel ao Irã. No entanto, com o passar do tempo, assumiu uma postura cada vez mais crítica, o que lhe rendeu as críticas do republicano.
Trump criticou repetidamente seus aliados europeus por não atenderem ao chamado de Washington, que, juntamente com Tel Aviv, iniciou a guerra contra Teerã em 28 de fevereiro, sem consultar ou comunicar nada previamente aos seus parceiros da Otan.
md (EFE, DPA)
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