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EUA ameaçam asfixiar Irã economicamente, mas não detalham plano

25 ago 2026 - 06h11
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Resumo
O governo dos EUA anunciou planos para ampliar as sanções contra o Irã e pressionar parceiros comerciais a isolarem o país, visando setores como criptomoedas, ouro e transporte de petróleo. Apesar de qualificada por Donald Trump como um "Dia D econômico", a iniciativa evitou punições imediatas a outras nações e não fixou prazos, gerando dúvidas sobre seu impacto real. Em resposta, Teerã afirmou ter um plano para resistir às medidas e ameaçou bloquear o transporte de petróleo no Golfo Pérsico.

Secretário do Tesouro anuncia que EUA vão impor novas sanções contra o Irã e dá ultimato para que outros países interrompam relações comerciais com o regime, mas não estabelece prazos ou detalha punições concretas.Numa iniciativa propagandeada como "sem precedentes" para sufocar a economia do Irã, os EUA anunciaram que pretendem ampliar sanções contra o regime em um momento em que a guerra no Oriente Médio prossegue sem qualquer resolução ou progresso real à vista.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, durante anúncio sobre novas sanções ao Irã
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, durante anúncio sobre novas sanções ao Irã
Foto: DW / Deutsche Welle

No entanto, a iniciativa, propagandeada inicialmente pelo presidente Donald Trump como um "Dia D econômico", ficou em grande parte no terreno das ameaças.

O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent na segunda-feira (24/08), que disse que os EUA estão incluindo cinco setores da economia iraniana em sua lista de alvos: criptomoedas utilizadas pela Guarda Revolucionária do Irã e por integrantes do regime; tecnologias relacionadas a armamentos; ouro usado para estabilizar a moeda iraniana; companhias aéreas do Irã; e o transporte marítimo de componentes de armas e petróleo.

Os EUA também anunciaram sanções contra 60 entidades, indivíduos e embarcações que permitem ao Irã adquirir tecnologia nuclear ou de mísseis, realizar operações cibernéticas e vender petróleo.

Bessent também disse que Washington pretende ampliar a pressão contra o regime por meio de sanções secundárias contra os parceiros comerciais do Irã.

Ele afirmou que Trump está entrando em contato com outros líderes mundiais para exigir que apoiem os Estados Unidos na busca pela "asfixia econômica do regime". "Em todo o mundo, nosso objetivo é cortar qualquer linha de vida econômica que sustente esse regime tirânico, até que Teerã fique isolado", disse Bessent em coletiva de imprensa. "Vamos responsabilizar a todos.

Porém, o secretário não identificou os líderes contatados nem detalhou ou estabeleceu um prazo para punições contra países que negociem com o Irã, levando alguns analistas a apontarem que a fanfarra do governo Trump que precedeu o anúncio a não se traduzir em ação de fato. Bessent indicou que novas medidas devem ser divulgadas ao longo da semana.

Ao ser questionado sobre por que os EUA decidiram não anunciar sanções abrangentes de imediato contra nações que ainda negociam com o Irã, Bessent afirmou que o governo Trump quer dar a esses países uma "oportunidade de corrigir condutas inadequadas".

"Por que eu iria querer destruir o sistema financeiro global?", disse Bessent. "Acreditamos que um aviso prévio e um alinhamento de expectativas são medidas adequadas."

O jornal Washington Post apontou que alguns especialistas independentes consideraram o anúncio de segunda-feira pouco impactante, especialmente após as advertências de Trump e Bessent sobre a deflagração de um "Dia D econômico" contra o Irã e seus parceiros comerciais.

O que Bessent disse sobre os planos?

Bessent chamou os planos dos EUA de "Operação Pária Econômico" e tentou novamente compará-lo ao "Dia D Econômico" mencionado na semana passada pelo presidente Trump — uma analogia que provocou zombaria na imprensa dos EUA devido à sua aparente inadequação às circunstâncias.

"Na Segunda Guerra Mundial, o Dia D marcou o início histórico de uma campanha com nossos aliados para atacar e expulsar o inimigo de suas posições, inclusive aquelas em terceiros países", disse Bessent, em uma tentativa aparente de resgatar a alusão histórica.

A medida teria como alvo o Irã "e seus facilitadores", afirmou ele.

"O Irã agora enfrenta uma escolha muito clara, com apenas dois caminhos à sua frente: isolamento global completo e uma economia de subsistência, ou um retorno à normalidade com a oportunidade de reintegrar-se à economia global", disse Bessent.

Ele afirmou que o Tesouro mapeou "cada ponto, cada rede e cada facilitador que o Irã utilizou para contrabandear petróleo e burlar sanções", e disse que agora começará a "apertar o cerco" para restringir "qualquer fonte potencial de receita que financie a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) e o regime iraniano maligno".

O plano, segundo o secretário, é uma "abordagem de vazamento zero", acrescentando que, para países terceiros, "não é mais aceitável operar nas zonas cinzentas deste conflito".

"O presidente está telefonando para líderes mundiais com pedidos específicos para que cessem suas interações com o regime. Já estamos vendo resultados", disse Bessent, sem entrar em detalhes.

"Aqueles que estiverem ao lado dos Estados Unidos colherão os frutos de nossa parceria", afirmou Bessent. "Aqueles que se vincularem ao regime iraniano devem esperar compartilhar o isolamento de um regime em declínio."

Ele disse que os EUA estabeleceriam um cronograma definido para que vários países cooperassem e adotassem medidas específicas, sob pena de enfrentarem consequências. No entanto, nada foi divulgado.

Como o Irã reagiu?

Após as novas ameaças, o ministro da Economia do Irã, Ali Madanizadeh, previu "mais uma derrota" para Washington, afirmando que Teerã dispõe de um "plano de dois anos" para enfrentar as sanções.

"Eles fizeram tudo o que podiam para testar a determinação do povo iraniano e das autoridades do país, mas fracassaram todas as vezes. Parece que eles querem sofrer mais uma derrota", disse Madanizadeh à televisão estatal.

"Já esperávamos por esses planos há muito tempo; o governo está — e sempre esteve — preparado e conta com um plano de dois anos para lidar com essas situações."

No fim de semana, o chefe do principal órgão de segurança do Irã alertou que o regime consideraria o apoio de qualquer país às medidas dos EUA como um "ato de guerra".

O líder do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, afirmou que o Irã "retaliaria de forma sísmica" às sanções, visando outras rotas de transporte de petróleo a partir do Golfo Pérsico.

"Se a guerra econômica continuar, nem uma única gota de petróleo será exportada, seja pelo Estreito de Ormuz ou de qualquer ponto do Golfo Pérsico", disse Rezaei.

Por que os EUA estão tendo que focar em outros países?

O Irã já vive sob sanções internacionais há décadas. Os EUA praticamente não realizam comércio bilateral com o Irã e têm pouquíssima influência econômica direta sobre o país.

Antes da guerra, os dois maiores parceiros comerciais do Irã eram, de longe, a China — possivelmente o país que mais efetivamente resistiu às tentativas anteriores de intimidação econômica por parte da administração Trump — e os Emirados Árabes Unidos. Na semana passada, os Emirados Árabes Unidos anunciaram a suspensão de todo o comércio, intercâmbios comerciais e transações financeiras com o Irã até segunda ordem.

A Turquia, membro da Otan, e o vizinho Iraque mantêm relações comerciais significativas com o Irã.

A Rússia também é um parceiro comercial importante, embora não necessite das exportações de combustível do Irã.

A Alemanha é o maior parceiro comercial europeu do Irã, mas o volume de negócios mal ultrapassou um bilhão de euros em 2025, com dados provisórios do governo sugerindo que esses níveis cairão pela metade, atingindo mínimas históricas neste ano, em meio à guerra.

Bessent afirmou que não "citaria nomes" ao falar sobre de quem os EUA buscariam ou exigiriam cooperação.

Antes da coletiva de imprensa de segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que Pequim estava acompanhando de perto os desdobramentos e que faria o necessário para proteger seus interesses. O ministério acrescentou ainda que sanções e táticas de pressão não ajudam a resolver problemas.

"Dia D econômico"

Em uma publicação na rede social X antes do anúncio de segunda-feira, Bessent descreveu as sanções como "a maior ofensiva financeira já lançada contra um adversário".

Ele afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, havia "desmantelado as capacidades militares do Irã", destruído quase 100% de suas fábricas militares e "enterrado seu programa nuclear".

"Estamos agora entrando na fase final", acrescentou.

Horas antes do anúncio na segunda-feira, Trump afirmou em uma rede social que o Irã estava "entrando em colapso total".

Na semana passada, o presidente dos EUA anunciou o que chamou de "Dia D econômico" para Teerã, ameaçando impor sanções mais severas que atingiriam não apenas o Irã, mas também os países que continuassem a fazer negócios com o país.

"Nosso objetivo é cortar qualquer linha de vida econômica que sustente o regime tirânico, até que Teerã fique isolado", disse Bessent na segunda-feira.

A situação atual do conflito EUA x Irã

O conflito no Oriente Médio teve início em 28 de fevereiro, quando Israel e os EUA lançaram uma ofensiva contra o Irã, matando o líder iraniano Ali Khamenei. Teerã respondeu com ataques a infraestruturas de energia e a bases dos EUA na região do Golfo. Ao contrário da previsão dos EUA e Israel, o regime do Irã não entrou em colapso com os ataques, e forças iranianas também mostraram capacidade de contra-atacar, deixando o conflito num impasse.

Embora ambos os lados tenham suspendido ataques de grande escala, as negociações para encerrar o conflito estagnaram, sendo o controle do Estreito de Ormuz um dos principais pontos de impasse. O Irã bloqueou efetivamente a via navegável — crucial para o transporte global de petróleo e gás —, enquanto os EUA mantêm um bloqueio aos portos iranianos.

Nos termos de um memorando de entendimento assinado em junho, as duas partes dispunham de 60 dias para negociar o fim do conflito e chegar a um acordo sobre o programa nuclear iraniano. No entanto, esse prazo expirou na semana passada sem qualquer sinal de acordo.

Paralelamente, a chegada do chefe do Exército do Paquistão ao Irã estava prevista para segunda-feira, como parte dos esforços para retomar as negociações diplomáticas sobre o conflito.

Além disso, o ministro das Relações Exteriores de Omã deve se reunir nesta terça-feira com seu homólogo iraniano para dar continuidade às conversas sobre o Estreito de Ormuz.

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