Especialistas debatem o cenário político do Brasil em meio à insegurança jurídica e reforçam a necessidade de reformas
Durante o evento, que ocorreu na Casa LIDE, em SP, analistas e lideranças apontaram que as engrenagens institucionais do país sofrem com vícios estruturais que impedem o avanço socioeconômico nacional
No Seminário LIDE Cenários do Brasil, especialistas defenderam reformas urgentes na política e no Judiciário para superar entraves ao desenvolvimento socioeconômico. Roberto Giannetti destacou que tais mudanças exigem pressão da sociedade civil, enquanto a cientista política Deysi Cioccari alertou sobre o personalismo e o domínio de clãs familiares que barram avanços no Congresso. Já o ex-governador João Doria propôs o fim da reeleição no Executivo e defendeu novas lideranças para o país.
A necessidade de promover uma reforma política ampla e reestruturar o Poder Judiciário centralizou os debates de especialistas reunidos no Seminário Empresarial LIDE Cenários do Brasil, promovido na Casa LIDE, em São Paulo.
Durante o evento, analistas e lideranças apontaram que as engrenagens institucionais do país sofrem com vícios estruturais que impedem o avanço socioeconômico nacional.
Ver esse post no Instagram
O economista Roberto Giannetti da Fonseca destacou que o modelo eleitoral vigente incentiva a perpetuação no cargo e compromete a gestão pública. Ele criticou a perpetuidade das cadeiras na mais alta corte do país e defendeu a ação direta dos cidadãos.
"É um mal esse mal ao país, que o presidente já entra pensando no próximo mandato. Então, a reforma política e a reforma judiciária? Eles não vão reformar a si mesmos. Se não vier de fora, da sociedade civil, com uma grande mobilização para a reforma judiciária, nada acontece."
Segundo Giannetti, estas reformas são inadiáveis. "Agora, a pergunta é: como fazê-las? Porque eu não vou esperar que o próprio Congresso, nem que o próprio Judiciário vão regular a si mesmos, que eles não vão."
Personalismo e a urgência de uma reforma política profunda no Brasil
Ao analisar a cultura institucional brasileira, a cientista política e jornalista Deysi Cioccari recorreu aos conceitos do sociólogo Max Weber para explicar a dependência do país em relação a alianças pessoais em detrimento da racionalidade administrativa.
Ela pontuou que o ambiente legislativo continua sendo dominado por grupos familiares, o que dificulta alterações substanciais na legislação. Por fim, ressaltou a falta de atenção do eleitorado ao escolher seus representantes no Congresso Nacional. "Max Weber fala que, quanto mais complexa é uma sociedade, mais você tem que depender mais da racionalização. E a sociedade brasileira, ela é muito complexa, mas ela depende cada vez mais de personalização. Então, de quem você conhece, das elites, dos 'agradinhos' aqui e ali."
A pesquisadora observou que a renovação de nomes nas urnas não traduz uma mudança real nas diretrizes partidárias. Ela apontou que a perpetuação de oligarquias bloqueia avanços urgentes no ecossistema político. "Mas o último Congresso Nacional ah teve 68% de renovação, mas quando você vai olhar, são os filhos, os sobrinhos, os netos dos mesmos que estão lá. São os clãs. Isso só muda se tiver, realmente, essa quebra dentro do Congresso Nacional. Só que, o problema é que o brasileiro escolhe o senador, que é quem poderia começar com essa reforma, no dia da votação."
Presente no painel de discussões, o empresário e ex-governador de São Paulo João Doria defendeu a extinção da reeleição para cargos do Poder Executivo como medida fundamental para o equilíbrio republicano. O ex-gestor classificou a possibilidade de recondução como prejudicial ao país e reconheceu equívocos históricos de gestões anteriores. Ele reforçou a necessidade de novas lideranças para conduzir o futuro nacional.
"E só um mandato, não pode ter reeleição. Sou absurdo, sempre fui, como prefeito, como governador, eu disse: 'Vou disputar uma eleição só, sou contra a reeleição'. O presidente Fernando Henrique nos deu um governo excecional, mas errou na reeleição. Felizmente, ele mesmo reconheceu e publicou um artigo anos atrás no Estadão e no Globo, reconhecendo o erro. Isso mostra a grandeza de alguém que teve a capacidade de reconhecer que errou. Mas nós precisamos ter um líder, ou não vamos mudar o Brasil. Não será agora, nós não temos esse líder nesse momento. Mas nós não podemos abandonar o Brasil."
Ver esse post no Instagram
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.