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Enterro de "Açougueiro de Bósnia" atrai milhares na Sérvia

7 set 2026 - 12h51
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Resumo
Milhares de pessoas, incluindo ministros e diplomatas, compareceram em Belgrado ao funeral de Ratko Mladic, ex-comandante militar conhecido como "açougueiro da Bósnia". Condenado por genocídio e crimes de guerra cometidos nos anos 1990, Mladic morreu aos 84 anos enquanto cumpria prisão perpétua em Haia. A cerimônia, marcada por honras militares e gritos populares de "herói", foi duramente criticada pela União Europeia, que condenou a glorificação de criminosos de guerra e o revisionismo histórico.

Funeral com honras militares de Ratko Mladic contou com participação de ministros sérvios. Milhares tomaram parte na cerimônia, gritando "Herói! Herói!" em homenagem ao criminoso de guerra. UE condena glorificação.Milhares de pessoas se reuniram em Belgrado, capital da Sérvia, nesta segunda-feira (07/09) para o funeral do criminoso de guerra condenado Ratko Mladic, provocando condenação de Bruxelas pela glorificação de um homem condenado por genocídio durante a guerra da Bósnia na década de 1990.

Mladic morreu no final de agosto, aos 84 anos, enquanto cumpria pena de prisão perpétua em Haia por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante o conflito. Sua reputação levou a imprensa internacional a apelidá-lo de "açougueiro da Bósnia".

O ministro da Justiça da Sérvia, Nenad Vujic, anunciou inicialmente que Mladic receberia "honras militares e de Estado", provocando indignação internacional. Posteriormente, o presidente Aleksandar Vucic minimizou a decisão.

Vucic rejeitou as acusações de que estaria glorificando o ex-general, afirmando que a cerimônia foi realizada em conformidade com os desejos da família.

Darko Mladic, filho de Ratko Mladic e organizador oficial do funeral, permaneceu ao lado do caixão nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, enquanto patcipantes entravam na igreja, muitos deles beijando o caixão.

Presença de autoridades sérvias

A cerimônia foi realizada na pequena Igreja de São Lucas, em vez do grandioso Templo de São Sava, onde normalmente ocorrem funerais de Estado. Vários ministros sérvios compareceram, juntamente com o embaixador da Rússia na Sérvia e o ex-presidente da República Srpska, Milorad Dodik.

Vucic havia declarado anteriormente que o Estado garantiria que o evento transcorresse de forma "segura", mas que ele próprio não compareceria devido a um compromisso previamente agendado.

Mladic foi sepultado no cemitério de Topcider, em Belgrado, em um túmulo ao lado de sua filha Ana, que se suicidou em 1994, durante o auge da Guerra da Bósnia (1992-1995).

O patriarca Porfírio da Sérvia, chefe da Igreja Ortodoxa Sérvia, foi responsável por conduzir o funeral de Mladic.

Após a cerimônia religiosa, membros do Exército sérvio cobriram o caixão com as bandeiras da Sérvia e da República Srpska, uma das duas entidades autônomas da Bósnia e Herzegovina, enquanto o retiravam da igreja.

Procissão e salva de tiros

A procissão foi liderada por policiais em motocicletas, e milhares de cidadãos aplaudiram ao longo do trajeto enquanto o carro funerário transportava o caixão, segundo imagens transmitidas pela emissora regional N1.

Durante a cerimônia no cemitério, estiveram presentes uma banda militar e uma guarda de honra, enquanto uma unidade do Exército sérvio realizou uma salva de honra com armas leves.

De acordo com a televisão pública sérvia RTS, o presidente do país balcânico, Aleksandar Vucic, não compareceu ao funeral, mas seu filho, Danilo, esteve presente.

Também participaram da cerimônia o ministro da Defesa da Sérvia, Bratislav Gasic; o ministro da Justiça, Nenad Vujic; além de outros integrantes do atual governo.

Além disso, as imagens mostraram a presença do ex-presidente da República Srpska, Milorad Dodik; do embaixador da Rússia na Sérvia, Alexander Botsan-Kharchenko; e do ex-ministro da Defesa da Grécia e líder conservador Panos Kammenos (2015-2019).

"Herói ou criminoso"

"Obrigado, irmãos, por virem julgar se meu pai foi um herói ou um criminoso", declarou durante o funeral Darko Mladic, filho do morto. Os presentes responderam aos gritos de: "Herói! Herói!"

Mladic foi preso na Sérvia em 2011, após permanecer quase 16 anos foragido, e foi transferido para Haia poucos dias depois.

Em 2017, ele foi condenado em 2017 à prisão perpétua pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Iugoslávia, em Haia, pelo genocídio em Srebrenica, no qual mais de 8 mil homens e meninos muçulmanos foram mortos; pelo cerco de Sarajevo, que durou anos, durante a Guerra da Bósnia de 1992 a 1995, e outros crimes de guerra, incluindo a criação de campos de detenção para civis não sérvios e prisioneiros de guerra.

Ao todo, ele passou aproximadamente 15 anos sob custódia das Nações Unidas, divididos entre a prisão preventiva e, após a condenação, o cumprimento da pena.

Nos últimos meses, havia sofrido vários acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e recebia tratamento médico enquanto permanecia detido.

UE alerta contra "glorificação"

Enquanto isso, a União Europeia (UE) reiterou nesta segunda-feira que a "glorificação" de criminosos de guerra, a negação do genocídio e o revisionismo histórico "não têm lugar" na UE nem em países candidatos à adesão, como a Sérvia.

"Qualquer glorificação de criminosos de guerra, negação de genocídio e revisionismo contradizem os valores europeus mais fundamentais e não têm lugar nem na União Europeia nem nos países candidatos à adesão", afirmou, em comunicado, um porta-voz da chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas.

md (AFP, EFE, AP)

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