Emirados Árabes Unidos afirmam que suas exportações de energia não serão "reféns" da guerra EUA-Irã
Devido à guerra entre EUA e Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, que gerou uma crise global, os Emirados Árabes Unidos estão criando rotas alternativas para proteger seu comércio e energia. No Fórum Hili, autoridades dos Emirados e do Catar defenderam maior autossuficiência defensiva, apontando que alianças com Washington não bastam. Com negociações travadas e cessar-fogo rompido, Abu Dhabi exige garantias contra ataques de Teerã e afirma que a reconstrução da confiança levará décadas.
Os Emirados Árabes Unidos estão construindo rotas alternativas para suas exportações de energia e comércio, a fim de garantir que não fiquem "reféns" da guerra em curso entre os EUA e o Irã, afirmou nesta segunda-feira o assessor presidencial dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash.
O conflito teve um impacto significativo nos países árabes do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos, depois que Teerã disparou mísseis contra o país e atacou seus petroleiros no Estreito de Ormuz.
"Nossas exportações de energia não serão reféns, nem nosso comércio e nossa atividade econômica", disse Gargash no Fórum Hili, em Abu Dhabi.
Os Emirados Árabes Unidos vêm ampliando a capacidade portuária ao longo de sua costa leste, além de desenvolver oleodutos, ferrovias e rotas comerciais para corredores alternativos, disse ele.
Embora reconheça que as relações com o Irã possam eventualmente se recuperar, Gargash alertou que a reconstrução da confiança após os ataques pode levar décadas.
Ele também criticou os Estados árabes do Golfo por não terem conseguido montar uma resposta coordenada ao Irã, dizendo que eles não foram capazes de transformar preocupações comuns em uma estratégia unificada.
ALIANÇA COM OS EUA NÃO É SUFICIENTE
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar ecoou preocupações semelhantes no fórum de formuladores de políticas, afirmando que os países árabes do Golfo não deveriam depender exclusivamente de parceria estratégica com os EUA para garantir a segurança.
"Precisamos perceber, no Golfo, que ter forças internacionais na região e manter uma aliança estratégica com os EUA é muito importante, mas não é suficiente", disse Majed al-Ansari.
"A autossuficiência em matéria de segurança é o único caminho a seguir."
Gargash argumentou que, embora a parceria com os EUA seja essencial, o conflito de seis meses revelou a importância das capacidades nacionais.
"Nossa segurança é nossa prioridade número um. Quando dependemos inteiramente de outros, não podemos sempre presumir que ela será a prioridade deles", disse ele.
HORMUZ CONTINUA SENDO PONTO CONTROVERSO
O Irã cumpriu sua ameaça de fechar o Estreito de Ormuz, que já foi um canal de transporte para um quinto do abastecimento energético global. A interrupção fez os preços do setor de energia dispararem e desencadeou uma crise econômica global.
A situação do estreito continua sendo um obstáculo central nas negociações entre Washington e Teerã, mediadas pelo Catar e pelo Paquistão, com o Irã alegando que o estreito pertence ao Irã e a Omã -- uma posição que os países do Golfo rejeitam amplamente.
"A liberdade de navegação não é uma concessão a ser concedida, nem um princípio a ser renegociado sob pressão", disse Gargash, acrescentando que qualquer solução de longo prazo deve incluir garantias confiáveis contra novos ataques iranianos aos Estados árabes do Golfo.
O conflito, desencadeado pelos ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro, permanece em impasse. Um cessar-fogo preliminar alcançado em junho desmoronou, e pouco progresso foi feito nos esforços para reativar o processo de paz.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.