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Entenda por que Itaú demitiu mil funcionários em trabalho remoto

9 set 2025 - 14h07
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Cerca de mil empregados do Itaú, segundo estimativa do Sindicato dos Bancários, perderam o emprego após revisão de condutas ligadas ao trabalho remoto e híbrido. O banco, em nota divulgada na segunda-feira (8), confirmou que "realizou hoje desligamentos decorrentes de uma revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada". A instituição financeira não revelou o número de cortes. O sindicato, porém, calcula que as dispensas tenham alcançado aproximadamente mil pessoas.

Fachada do Itaú
Fachada do Itaú
Foto: Divulgação / Perfil Brasil

Problema de produtividade

Fontes ligadas ao processo indicam à BBC News Brasil que o motivo central das demissões está relacionado a baixa produtividade de parte dos trabalhadores. A avaliação do banco é de que, em regime de home office, alguns cumpriam menos horas do que registravam nos sistemas internos. "Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco", informou a nota.

O texto divulgado também destacou que "essas decisões fazem parte de um processo de gestão responsável e têm como objetivo preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade".

O Sindicato dos Bancários contestou os desligamentos e afirmou que não houve diálogo prévio com os trabalhadores. Em comunicado, a entidade destacou: "Os trabalhadores foram dispensados sem qualquer advertência prévia e sem qualquer diálogo com o Sindicato, num claro desrespeito aos bancários e à relação com o movimento sindical".

O diretor sindical Maikon Azzi, que também atua como bancário do Itaú, declarou à BBC News Brasilque a surpresa foi geral entre os profissionais da instituição. "Hoje fomos surpreendidos com essa demissão em massa feita pelo banco. O banco afirma que os desligamentos se baseiam em registros de inatividade nas máquinas corporativas. Em alguns casos, períodos de quatro horas ou mais de suposta ociosidade", afirmou.

Segundo Azzi, o método usado pelo banco desconsidera aspectos relevantes da atividade. "No entanto, consideramos esse critério extremamente questionável, já que não leva em conta a complexidade do trabalho bancário remoto, possíveis falhas técnicas, contextos de saúde, sobrecarga, ou mesmo a própria organização do trabalho pelas equipes", completou.

Além disso, ele criticou a falta de retorno do Itaú durante o monitoramento. Para o sindicato, a ausência de feedback retirou dos funcionários a chance de corrigir condutas.

O Itaú Unibanco, maior banco do Brasil, informa em seu site que emprega mais de 96 mil pessoas. Apenas no segundo trimestre deste ano, a instituição registrou lucro de R$ 11,5 bilhões.

Segundo o Sindicato dos Bancários, no último ano houve corte de 518 postos, o que reduziria o quadro total para 85 mil trabalhadores. A entidade afirmou que pedirá mais esclarecimentos sobre as demissões recentes.

Perfil Brasil
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