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Em recado a Trump, Lula diz esperar "tratamento igualitário"

22 fev 2026 - 15h10
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Presidente afirma que não aceitará papel de subordinação em uma "nova Guerra Fria" após novas medidas tarifárias dos EUA. Também promete levar a Washington proposta de combate conjunto ao crime organizado.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou neste domingo (22/02) sua visita oficial à Índia advertindo seu homólogo americano, Donald Trump, que o Brasil não aceitará um papel de subordinação em uma "nova Guerra Fria" diante da nova reorganização tarifária proposta pela Casa Branca. Ao mesmo tempo, disse que levará a Washington uma proposta de colaboração para prender brasileiros envolvidos com o crime organizado que vivem nos EUA.

Em visita à Índia, Lula confirmou que levará proposta de combate conjunto ao crime organizado a Washington
Em visita à Índia, Lula confirmou que levará proposta de combate conjunto ao crime organizado a Washington
Foto: DW / Deutsche Welle

"Quero dizer ao presidente Trump que nós não queremos uma nova Guerra Fria. Não queremos ter preferência por nenhum país, queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles também um tratamento igualitário com os outros países", disse Lula a repórteres em Nova Délhi.

Neste sábado, Trump subiu as tarifas de importação de produtos globais a um patamar de 15% e indicou que não deve recuar de sua ofensiva comercial apesar de decisões contrárias da Suprema Corte americana.

Os dois líderes devem realizar reunião bilateral nos EUA, em março. Lula disse que priorizará uma extensa agenda centrada na reativação do comércio e do investimento americano. "Falarei de comércio, de parcerias universitárias, mas quero falar de tudo. Incluindo o investimento americano no Brasil, que deixou de existir há muito tempo", acrescentou.

Crime organizado na pauta

O presidente adiantou que apresentará a Trump uma proposta de combate conjunto ao crime organizado, mas condicionou a colaboração à entrega, por parte dos EUA, dos foragidos brasileiros que residem na Flórida.

"Se o governo americano está disposto a combater o narcotráfico, estaremos na linha de frente, mas que nos enviem os bandidos brasileiros que vivem em mansões em Miami", concluiu.

Segundo a Folha de S. Paulo, Lula se referiu, como exemplo, a um "morador de Miami", nos EUA, buscado pela Justiça brasileira. "Essa pessoa mora em Miami, nós mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele, e nós queremos essa pessoa no Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue o nosso bandido", disse.

Acordo por terras raras

Lula partiu de Nova Délhi na manhã deste domingo e aterrissará em território sul-coreano às 20h30 (horário local, 8h30 de Brasília). No dia seguinte, segunda-feira, se reunirá com Lee em Seul, no âmbito de uma visita oficial que se estenderá até terça-feira.

No sábado, o presidente assinou com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, um acordo estratégico de investimento e cooperação técnica para a exploração de minerais críticos.

O pacto busca assegurar o suprimento de terras raras, lítio e nióbio, do qual o Brasil possui 90% das reservas mundiais, para blindar a soberania tecnológica de ambos os países diante da hegemonia da China e das pressões de Washington.

Lula ressaltou que o Brasil não aceitará ser tratado como uma "colônia tecnológica" e contrapôs sua relação com a Índia, qualificada como "política de iguais", frente ao autoritarismo das potências que tentam impor condições unilaterais.

"O que não vamos permitir é que nossos minerais críticos sejam explorados como no passado, quando os enviávamos para fora para depois comprar o produto fabricado", completou.

gq (EFE, Lusa)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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