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Irã reafirma direito à autodefesa, mas vê possibilidade de acordo com os EUA

O Irã reafirmou seu "direito à autodefesa" em caso de um ataque americano, ao mesmo tempo em que declarou, no domingo (22), que há uma "boa chance" de chegar a um acordo com os Estados Unidos, com novas negociações previstas para a próxima semana.

22 fev 2026 - 15h15
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"Acredito que ainda há uma boa chance de se chegar a uma solução diplomática vantajosa para ambos os lados", afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, no domingo. "Continuamos nossas negociações, trabalhando nos elementos de um acordo e em uma primeira versão do texto", disse o ministro à rede americana CBS, antes de uma reunião com negociadores americanos, "provavelmente na quinta-feira, em Genebra".

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, discursa em uma sessão especial da Conferência sobre Desarmamento nas Nações Unidas, paralelamente às negociações entre EUA e Irã em Genebra, Suíça, em 17 de fevereiro de 2026.
O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, discursa em uma sessão especial da Conferência sobre Desarmamento nas Nações Unidas, paralelamente às negociações entre EUA e Irã em Genebra, Suíça, em 17 de fevereiro de 2026.
Foto: REUTERS - Pierre Albouy / RFI

Mas o Irã tem "o direito de se defender", continuou ele. Diante de um "ato de agressão", qualquer resposta é, segundo Araghchi, "justificada e legítima".

Teerã e Washington realizaram duas rodadas de negociações desde o início de fevereiro, mediadas por Omã, para tentar resolver suas divergências — particularmente em relação ao programa nuclear iraniano, que há muito tempo tensiona as relações entre os dois países. Para forçar um acordo, o presidente Donald Trump ameaça com intervenção militar e enviou dois porta-aviões e mais de dez navios de guerra para a região.

"Nossos mísseis não podem atingir o território americano; portanto, precisamos encontrar outra solução (...) e atacar a base americana na região", reiterou Araghchi, sem especificar qual.

Autoridades iranianas já haviam ameaçado bloquear o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica para o comércio global de petróleo.

As negociações indiretas anteriores entre os dois países foram abruptamente interrompidas em junho de 2025, durante a guerra iniciada por Israel contra o Irã e apoiada pelos Estados Unidos, na qual instalações nucleares iranianas foram alvo de ataques.

Buscando alívio das sanções internacionais que prejudicam sua economia, o Irã afirmou, na sexta-feira, que desejava um acordo "rápido", um dia após o ultimato emitido por Donald Trump.

Segundo o portal americano Axios, citando um alto funcionário não identificado, os Estados Unidos — liderados pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo genro de Donald Trump, Jared Kushner — estão prontos para novas negociações "se receberem uma proposta detalhada do Irã nas próximas 48 horas".

Abbas Araghchi, que lidera a delegação iraniana nas negociações, afirmou, na sexta-feira, que um rascunho do texto estaria pronto "em dois ou três dias" e seria então apresentado aos Estados Unidos. Donald Trump, por sua vez, deu a si mesmo de 10 a 15 dias, na semana passada, antes de tomar uma decisão.

Enriquecimento zero x enriquecimento "simbólico"

Enquanto o presidente americano defende o "enriquecimento zero" de urânio em solo iraniano — ponto crucial de discórdia —, Washington estaria considerando, segundo o Axios, a possibilidade de autorizar um "enriquecimento simbólico e limitado", que não permitiria ao Irã desenvolver armas nucleares.

"Como país soberano, temos todo o direito de decidir por nós mesmos", declarou o ministro Araghchi no domingo. "Desenvolvemos essa tecnologia por conta própria, graças aos nossos cientistas, e ela é muito importante para nós."

As nações ocidentais temem que o Irã possa adquirir armas nucleares, enquanto Teerã defende o desenvolvimento de energia nuclear civil.

Essas novas tensões entre Washington e Teerã surgiram após a repressão, pelo governo iraniano, de um amplo movimento de protesto no país.

Donald Trump havia dito inicialmente que queria intervir militarmente em apoio aos manifestantes, mas depois passou a pressionar por uma solução diplomática para as disputas.

Pela primeira vez desde a repressão de janeiro, slogans pedindo a morte do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, foram novamente ouvidos esta semana em várias cidades iranianas.

No domingo, estudantes favoráveis e contrários ao regime se enfrentaram pelo segundo dia consecutivo em manifestações realizadas em homenagem aos manifestantes mortos.

No dia anterior, confrontos entre os dois grupos também haviam sido registrados, segundo a mídia iraniana.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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