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Em discurso na ONU, Lula defende a soberania do Brasil e critica interferências externas

Em meio às tensões diplomáticas e ao cenário eleitoral, chefe do Executivo enfatiza o multilateralismo e a preservação dos interesses econômicos do país

22 set 2026 - 12h04
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Resumo
Na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, o presidente Lula defendeu a soberania nacional, o multilateralismo e criticou interferências externas na política e nas eleições do Brasil. Em meio a tensões com os Estados Unidos, o mandatário repudiou sobretaxas comerciais, defendeu a regulação tecnológica e a preservação do PIX, além de assegurar o controle brasileiro sobre recursos estratégicos, como as reservas minerais e a Margem Equatorial, priorizando o desenvolvimento sustentável do país.

No discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a autodeterminação nacional e o princípio da não ingerência em assuntos domésticos. O pronunciamento do chefe do Executivo brasileiro ocorre em um momento de acirramento diplomático com os Estados Unidos, influenciado pela aproximação da disputa presidencial no país, marcada para o início de outubro. Diante de representantes dos 193 Estados-membros do organismo internacional, o líder apontou a escolha entre o respeito às regras multilaterais e o avanço de ações unilaterais no cenário geopolítico.

Na 81ª Assembleia Geral da ONU, Lula defende a soberania do Brasil
Na 81ª Assembleia Geral da ONU, Lula defende a soberania do Brasil
Foto: Getty Images / Perfil Brasil

Alertas sobre interferência eleitoral e a defesa da soberania do Brasil

Ao discursar na sede da organização, o chefe do Governo brasileiro ponderou que a convivência com a potência norte-americana é inevitável geograficamente, ressaltando a busca por parcerias construtivas que estimulem o crescimento econômico e a preservação das instituições democráticas.

O posicionamento rebate as preocupações do Palácio do Planalto com ingerências externas nas eleições, na qual o atual mandatário disputa a preferência popular com o senador Flávio Bolsonaro, recebido recentemente pelo presidente Donald Trump na Casa Branca. Sobre o cenário de pressões externas, o presidente declarou: "Esta Assembleia [...] agora deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre multilateralismo ou unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação". Em seguida, complementou sobre a postura do país afirmando que "a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável", contudo "o Brasil não cabe no quintal de ninguém".

O líder da nação prosseguiu a argumentação destacando que "Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais". Reafirmando a autonomia política do eleitorado nacional, asseverou que "Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano".

Tarifas econômicas, segurança e recursos naturais

Além das questões institucionais, a manifestação abordou o impacto das sobretaxas comerciais impostas pelo governo norte-americano contra o mercado nacional e cobrou mudanças estruturais no Conselho de Segurança da ONU e na Organização Mundial do Comércio. Em crítica aberta às táticas de pressão econômica, o mandatário pontuou que "A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos. Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas. Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações".

Tratando da segurança pública e do avanço tecnológico, o presidente rejeitou intervenções militares estrangeiras na costa brasileira, sinalizando a necessidade de cooperação internacional para barrar o financiamento do crime organizado. Ao mencionar os agentes do setor digital, criticou a atuação de conglomerados de tecnologia e mandou um recado direto sobre a proteção do sistema financeiro público ao garantir que "Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX".

No âmbito ambiental e energético, o governante destacou os índices recentes de redução do desmatamento na Amazônia e defendeu a exploração mineral de terras raras e das reservas na Margem Equatorial. Encerrando sua apresentação, garantiu que "Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas. O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais".

Perfil Brasil
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