Em busca da estatueta dourada, 'O Agente Secreto' representará o Brasil no Oscar 2026
O longa, que tem estreia marcada no Brasil para 6 de novembro de 2025, ganhou notoriedade em festivais internacionais e coleciona críticas positivas de veículos especializados.
O Brasil já tem seu representante na corrida pelo Oscar 2026 de Melhor Filme Internacional. A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais anunciou nesta segunda-feira, 15 de setembro, que o longa "O Agente Secreto", dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, será o candidato oficial do país na disputa. A cerimônia da maior premiação do cinema acontece em 15 de março de 2026 em Los Angeles, nos Estados Unidos.
O longa, que tem estreia marcada no Brasil para 6 de novembro de 2025, ganhou notoriedade em festivais internacionais e coleciona críticas positivas de veículos especializados. A escolha, no entanto, não garante automaticamente a indicação ao prêmio: o filme ainda precisa ser selecionado entre os cinco finalistas pela Academia de Hollywood.
Enredo e contexto histórico
Ambientado no Recife dos anos 1970, em plena ditadura militar, "O Agente Secreto" acompanha a trajetória de um professor universitário, vivido por Wagner Moura, que retorna à cidade natal para reencontrar o filho caçula. A decisão coloca o personagem diante de riscos constantes em um cenário de vigilância, repressão e dilemas pessoais.
A narrativa mistura drama, suspense político e memórias de um período sombrio da história brasileira, reforçando a habilidade de Mendonça Filho em unir questões sociais a produções cinematográficas de forte impacto estético.
Reconhecimento internacional
O filme estreou no Festival de Cannes 2025, onde conquistou dois prêmios de peso: Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Direção para Kleber Mendonça Filho. A recepção crítica também foi calorosa.
O jornal britânico The Guardian classificou a obra como "visual e dramaticamente soberba", destacando a ousadia narrativa. Já a revista americana Hollywood Reporter descreveu o longa como "magistral" e celebrou o retorno de Wagner Moura ao cinema nacional, ressaltando a construção de personagem feita sob a direção de Mendonça.
O site The Playlist avaliou o longa com nota máxima e chamou a produção de "obra-prima", apontando-a como o projeto mais ambicioso da carreira de Mendonça Filho.
Concorrência nacional
Antes de ser escolhido, "O Agente Secreto" disputava a vaga brasileira com outros seis filmes também elogiados pela crítica:
- "Baby", de Marcelo Caetano;
- "Kasa Branca", de Luciano Vidigal;
- "Manas", de Marianna Brennand;
- "O Último Azul", de Gabriel Mascaro;
- "Oeste Outra Vez", de Erico Rassi.
A seleção foi feita por um comitê da Academia Brasileira de Cinema, que reúne 25 membros entre artistas e especialistas da área audiovisual.
Como funciona a escolha
Cada país pode indicar um longa para disputar a categoria de Melhor Filme Internacional. Entre os critérios, a obra precisa ter mais de 40 minutos de duração, ser produzida fora dos Estados Unidos e ter mais de 50% do áudio em idioma não inglês.
Além disso, o filme precisa ter exibição comercial em cinema, por no mínimo sete dias consecutivos, e não pode ter sido lançado antes em TV ou streaming.
Após a indicação nacional, a Academia de Hollywood organiza o processo em duas etapas. Na primeira, todos os membros são convidados a assistir aos filmes elegíveis. Os 15 longas mais votados formam a lista de finalistas preliminares, divulgada em dezembro. Na segunda rodada, são escolhidos os cinco indicados oficiais que concorrem à estatueta.