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Russomanno: "Vacina deve ser testada em quem já está doente"

Afirmação do candidato à Prefeitura de São Paulo vai contra o propósito de produzir um imunizante

3 nov 2020
13h06
atualizado às 13h15
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O deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), candidato à Prefeitura de São Paulo, disse na manhã desta terça-feira, dia 3, que a vacina contra o novo coronavírus deveria ser testada em quem já está está doente, além de ser testado em crianças e idosos. A afirmação foi dada durante evento na Associação Paulista de Imprensa.

Russomanno: "Vacina deve ser testada em quem já está doente"
Russomanno: "Vacina deve ser testada em quem já está doente"
Foto: Renato S. Cerqueira / Futura Press

"A vacina está sendo testada em adultos sãos, nenhum com covid. Não está sendo testada em crianças, não está sendo testada nos idosos e não está sendo testada nos doentes. São as etapas por onde uma vacina deve passar. Isso não está acontecendo", afirmou. "Os efeitos colaterais imediatos a gente pode prever, mas os a longo prazo, não. Toda vacina tem que passar por esse processo. Eu quero muito, todos aqui querem uma vacina. Mas se ela é tão boa assim, mas se essa vacina é tão boa assim, vai lá, começa na China, aplicando nas pessoas", concluiu.

A afirmação vai contra o propósito de produzir um imunizante, substância que previne que pessoas contraiam a doença, segundo especialistas."Isso mostra o absoluto desconhecimento de como funciona um ensaio clínico", afirmou ao Estadão o médico infectologista Jamal Suleiman, do Hospital Emílio Ribas, sobre a ideia de testar vacinas em pessoas que já têm a doença. De acordo com o especialista, os testes são sempre iniciados em adultos não idosos antes de passarem a incluir crianças e pessoas de idade. "Idosos vão perdendo a sua capacidade de resposta imunológica, um fenômeno conhecido há pelo menos um século", explicou Suleiman, sobre o motivo de testes em pessoas de idade ficarem para um segundo momento.

Em seu discurso, Russomanno disse ser contra fazer com que a população de São Paulo "seja cobaia", linha adotada por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, cabo eleitoral do candidato do Republicanos. "Eu não sou negacionista não, pelo contrário. Quero a vacina o mais rápido possível, agora não quero que a a população de São Paulo seja cobaia de nada", afirmou.

No mês passado, outra afirmação do candidato relacionado ao coronavírus causou polêmica. Russomanno sugeriu que a falta de banho deixa moradores de rua resistentes à covid-19.

Bolsonaro x Doria

O Estado de São Paulo é palco de uma polêmica sobre a vacina envolvendo Bolsonaro e seu rival político, o governador João Doria (PSDB), aliado do atual prefeito Bruno Covas (PSDB), que disputa a reeleição. A disputa entre ambos envolve o CoronaVac, imunizante desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan e que aguarda análise de registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

No último dia 21, Bolsonaro afirmou, em entrevista à Rádio Jovem Pan, que não comprará a Coronavac mesmo se ela receber registro da Anvisa. O imunizante está na última etapa de testes clínicos no Brasil. Naquele mesmo dia, ele havia desautorizado o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e vetado a compra de 46 milhões de doses do produto pelo Ministério da Saúde.

De acordo com pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo divulgada na sexta-feira, 30, dois terços dos paulistanos discordam do veto do presidente.

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