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Rio Grande do Sul tem crise financeira como tema central

Estado terá candidaturas pulverizadas, do PSDB ao NOVO, após forte desgaste no governador atual, de José Ivo Sartori (MDB)

3 jun 2018
23h02
atualizado às 23h38
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PORTO ALEGRE - A crise financeira no Rio Grande do Sul, 5.º maior colégio eleitoral do País, será tema central das campanhas para o governo do Estado. Com uma dívida na casa dos R$ 76 bilhões, 28% maior que em 2014, a atual gestão não consegue pagar em dia os servidores públicos e foi obrigada a buscar ajuda federal. O desgaste político promoveu uma debandada do apoio ao governador gaúcho, José Ivo Sartori (MDB), que ainda não anunciou se vai tentar a reeleição, e fez pulverizar candidaturas de oposição e propostas de soluções para o problema.

PSDB, PP e PDT deixaram recentemente a base governista para lançar candidaturas próprias ao Palácio Piratini. Na opinião do analista político e professor da PUC-RS Augusto Neftali de Oliveira, os partidos já não enxergam a candidatura de Sartori como viável e querem evitar desgaste de suas imagens e buscar alternativas para a crise.

O cientista político Aragon Dasso Júnior, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, afirmou que está em jogo na eleição deste ano o modelo de Estado a ser adotado a partir de 2019 para tentar diminuir os efeitos da crise financeira gaúcha. "Temos dois lados. Um de caráter mais liberal, que trabalha com a discussão sobre o gasto público, e outro que discute principalmente como incrementar a receita", disse.

PSDB e PP proporão ideias de tendências liberais para combater a crise gaúcha. Ex-prefeito da cidade de Pelotas, o pré-candidato tucano, Eduardo Leite, afirmou que pretende diminuir o peso do Estado realizando privatizações e parcerias com a iniciativa privada. "Precisamos promover a redução do custo do Estado."

Já o pré-candidato do PP, Luis Carlos Heinze, deputado federal em seu quinto mandato, disse que reduzirá o número de cargos de confiança e secretarias, tentará privatizar estatais e renegociará a dívida com a União. "Minha ideia é trabalhar fazendo uma força-tarefa entre os Estados devedores, para fazer pressão no governo federal", afirmou.

O PDT terá o ex-prefeito de Canoas Jairo Jorge como postulante ao governo. Jorge afirmou que buscará um Estado mais "eficiente e rápido", com menos burocracia, e que aposta em parcerias público-privadas para infraestrutura.

Voltado para um modelo de Estado que promova o desenvolvimento, o pré-candidato do PT, Miguel Rossetto, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, propõe renegociar a dívida gaúcha, mantendo - e até ampliando - o papel do Estado. "Temos de reconstruir as bases de um serviço público eficiente como forma de estimular a volta do crescimento econômico", disse.

PCdoB e PSOL lançaram, respectivamente, a servidora pública Abigail Pereira e o vereador de Porto Alegre Roberto Robaina. Os dois pré-candidatos possuem projetos semelhantes, propondo diminuição de incentivos fiscais e combate à sonegação de impostos como soluções para ampliar as receitas estaduais.

Ex-secretário do Planejamento do Rio Grande do Sul Mateus Bandeira, pré-candidato do NOVO ao Piratini, possui tendências liberais, a favor de privatizações e Estado-mínimo.

'Tradição'

"Não fugirei da raia", tem dito o governador José Ivo Sartori, que ainda não se lançou pré-candidato do MDB à reeleição oficialmente. Contra o emedebista, no entanto, pesa uma estatística desfavorável: o Rio Grande do Sul nunca reelegeu um governador.

O eleitorado gaúcho, aliás, jamais elegeu dois governadores do mesmo partido consecutivamente. PT e MDB, por exemplo, já governaram mais de uma vez o Estado, mas nunca de forma consecutiva. Segundo o analista político Augusto Neftali de Oliveira, da PUC-RS, o Rio Grande do Sul é tradicionalmente visto como um Estado dividido.

Para o cientista político Aragon Dasso Júnior, "a questão (dessa alternância) se explica historicamente". "Temos um quadro eleitoral que desde o fim da ditadura se divide entre um grupo mais progressista e mais conservador independentemente da legenda."

Estadão
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