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"Representa o povo": moradores de cidade mais evangélica do País escolhem Bolsonaro, mas de olho em Michelle

Papel da primeira-dama na campanha e governança do candidato à reeleição é exaltado por seguir princípios evangélicos em 'defesa da família'

27 set 2022 - 05h00
(atualizado às 18h17)
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Arroio do Padre (RS): cenário eleitoral da cidade mais evangélica do País:

"Nem tanto ele, mas a metade dele, que é a esposa, é muito importante para nós". É assim que o aposentado e bolsonarista Henri Bonow, de 65 anos, descreve a importância da união matrimonial entre o candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) e a primeira-dama Michelle Bolsonaro para as eleições presidenciais deste ano.

Bonow é um dos moradores mais conhecidos da pequena Arroio do Padre, cidade do Rio Grande do Sul formada por imigrantes alemães e pomeranos em fuga da Segunda Guerra Mundial. No último Censo IBGE, realizado em 2010, o município ganhou o título de cidade mais evangélica do País, depois que 85% da população de 2,7 mil habitantes declarou seguir a religião.

Cobiçado pelos presidenciáveis, o eleitorado evangélico vem conquistando seu próprio espaço na sociedade e na política e, hoje, supera um quinto do total de brasileiros. Desde 2002 até as últimas eleições, a bancada evangélica aumentou o número de seus membros em mais de 60%. Só nas eleições de 2018, por exemplo, a categoria elegeu 92 parlamentares.

Isso faz com que, naturalmente, o voto dos fiéis seja disputado por todos os candidatos à Presidência. Mas nessa disputa quem leva a melhor é Bolsonaro. Pelo menos neste momento e entre os arroio-padrenses. Não por causa do seu plano de governo, aliados ou histórico de realizações na sua gestão, mas, sim, por ter ao seu lado a devota Michelle Bolsonaro. 

"Bolsonaro pode não representar totalmente o evangelho, mas a Michelle representa o povo que pratica", diz Henri Bonow. 

Orações públicas

Mesmo que Bolsonaro seja católico, é de Michelle que parte um movimento que chama a atenção dos religiosos. Não faltam exemplos de demonstrações de sua fé perante o público. No fim de agosto, por exemplo, a primeira-dama conduziu uma vigília no Palácio do Planalto, sede administrativa da Presidência da República. 

O evento contou com a presença de cantores e pastores evangélicos, com fotos e vídeos publicados em seu Instagram, que foram apagados logo em seguida. Mesmo assim, essas e outras demonstrações públicas de fé repercutem entre o eleitorado, que parece ver ações do tipo com bons olhos.

Michelle e Jair Bolsonaro
Michelle e Jair Bolsonaro
Foto: Chip Somodevilla/Pool / Reuters

"O próprio presidente também se submete a posições de respeito ao evangelho, orar em público. Isso é um ato de profunda humildade e reconhecimento que você é muito pouco e dependente do que Deus está planejando", opina Bonow, que acompanha o presidente pelas redes sociais e exalta a relação de Michelle com a governança do marido. "Acreditamos que seja duas metades de um só ser", diz.

Para a moradora Sileia Rejante, de 49 anos, é a primeira-dama quem assegura que os princípios religiosos voltem a ser seguidos.

"Se nós não tivéssemos elegido Bolsonaro, onde estaríamos hoje? Se a esquerda tomar conta do país, para onde vamos?", questiona. 

Deus, Pátria e família 

As normas evangélicas dentro do governo federal parecem estar asseguradas com a primeira-dama, segundo avaliam os arroio-padrenses. Embora temam a volta de "partidos de esquerda" ao poder e a perda destes princípios, Bonow recusa o título de "conservador" para se referir aos eleitores que seguem o evangelho. 

"Não precisava, mas machuca. É a mesma coisa que chamar alguém de bolsonarista", afirma. Apesar disso, Sileia Rejane acredita que é preciso defender os princípios religiosos que guiem o povo e o governo alinhados ao evangelho. Na avaliação dela, os anos de esquerda no governo causaram "estragos" na sociedade brasileira. 

Evangélicos declaram voto em Bolsonaro (PL) mirando princípios religiosos de Michelle
Evangélicos declaram voto em Bolsonaro (PL) mirando princípios religiosos de Michelle
Foto: Reuters

"Hoje estamos colhendo frutos muito amargos, da forma como sutilmente o povo brasileiro foi enganado", diz ela, que se divide entre ajudar no pequeno mercado e no restaurante da família.

A suposta enganação à qual Rejane se refere são conceitos que consideram novos formatos de família, que envolvem relações homoafetivas, o reconhecimento de direitos de pessoas transexuais e outras pautas, como o aborto e legalização da maconha.

"É tudo muito sutil", explica. "Primeiro, eles entraram nas escolas, conseguiram formar a cabeça de muitos professores e jovens. Essas pessoas não têm entendimento, precisam abrir os olhos. Quem nos faz enxergar essas coisas é o Espírito Santo". 

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Essa é uma das reportagens da série especial de eleições do Terra Votos pelo Brasil. Eleitores de nove cidades brasileiras, que se destacaram nas Eleições de 2018 e nos últimos quatro anos, contam suas percepções sobre o País e expectativas para 2 de outubro. Novas reportagens serão publicadas diariamente ao longo desta semana.

Fonte: Redação Terra
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