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PT deve trocar marqueteiro de Lula em campanha, e Franklin Martins perde força

Sidônio Palmeira é mais cotado para assumir lugar de Augusto Fonseca, nome indicado pelo ex-ministro das Comunicações

20 abr 2022 17h59
| atualizado às 22h02
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SÃO PAULO E BRASÍLIA - Uma disputa pelo comando da comunicação no PT ameaça a permanência do marqueteiro Augusto Fonseca na campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto. O publicitário Sidônio Palmeira é o nome mais cotado para substituir Fonseca e já foi até mesmo sondado por dirigentes petistas.

As divergências no comitê de Lula aumentaram nos últimos dias, com troca de acusações entre o coordenador de Comunicação da campanha, Franklin Martins, e o secretário Jilmar Tatto, que cuida da mesma área no PT. A propaganda partidária na TV, divulgada nos últimos dias, foi considerada despolitizada por aliados de Tatto e da presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

A cúpula petista alega que o orçamento de R$ 45 milhões, apresentado por Fonseca, está muito além da realidade financeira do partido desde que foram vetadas as doações de empresários nas eleições, em 2016.

Na prática, porém, a provável saída de Fonseca vai muito além dessa questão. A troca de marqueteiro representa uma derrota de Franklin Martins. Ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) de 2007 a 2010 e muito próximo de Lula, Franklin foi quem bancou o nome de Fonseca, que também é jornalista e diretor da agência MPB Estratégia e Criação. Em 2002, ele já havia atuado ao lado de Duda Mendonça na vitoriosa campanha de Lula. Tem em seu currículo, ainda, as propagandas políticas de Fernando Henrique Cardoso, Marta Suplicy, Aécio Neves e Ciro Gomes.

Slogan

Dirigentes do PT reclamaram, nos últimos dias, da qualidade das inserções comerciais do partido, produzidas pela equipe de Fonseca. Até mesmo o slogan "Se a gente quiser, a gente pode" foi alvo de ataques por ser semelhante ao emblemático "Yes, we can", mote da corrida de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos.

Nos bastidores, integrantes do comitê de Lula disseram que o ex-presidente apareceu na propaganda do PT com "ar cansado" e sem mostrar "esperança", palavra-chave da campanha. Afirmaram, ainda, que os comerciais tinham um foco no "passado", e não no futuro.

"Eu não deixei a campanha do Lula nem recebi nenhum comunicado que tenha sido demitido", disse Fonseca ao Estadão. "Todas as inserções foram aprovadas e elogiadas."

O valor cobrado pelo marqueteiro foi comparado por petistas às cifras apresentadas por Duda Mendonça. Eduardo Freiha, um dos sócios da MPB Estratégia e Criação - agência dirigida por Fonseca -, foi condenado no mensalão por evasão de divisas, acusado de ser o procurador de contas de Duda no exterior que receberam US$ 2,5 milhões. A pena foi extinta em razão da prescrição.

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Atualmente, Tatto e Franklin nem se falam. A disputa entre os dois contaminou o relacionamento com Fonseca. Diretor da agência Leiaute, em Salvador, o publicitário Sidônio Palmeira, por sua vez, é amigo dos petistas. Ele comandou as campanhas de Jaques Wagner e de Rui Costa ao governo da Bahia. Em 2018 foi o responsável pelos programas de TV do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad.

Uma ala do PT que apoia Tatto vai propor a Lula que Franklin perca o papel central na campanha, pois o responsabiliza até mesmo por declarações desastrosas em questões polêmicas como aborto, por exemplo. O ex-presidente, no entanto, confia no ex-ministro e pede a ele opiniões sobre todos os assuntos, antes de dar entrevistas. Questionado, Franklin não se manifestou. Tatto também preferiu o silêncio.

Estadão
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