Usina eólica no RS reabre debate sobre fronteira entre Brasil e Uruguai
Projeto bilionário instalado em área contestada levou país vizinho a pedir retomada das negociações
A entrada em operação do Parque Eólico Coxilha Negra, no sul do Rio Grande do Sul, provocou a retomada de um debate diplomático que atravessa gerações. O Uruguai voltou a questionar a soberania brasileira sobre o Rincão de Artigas, área de aproximadamente 237 km² localizada na fronteira com Santana do Livramento.
A reivindicação foi formalizada em junho de 2025, quando a chancelaria uruguaia divulgou nota pública solicitando a reabertura das discussões fronteiriças. Para o Brasil, o território está plenamente integrado ao estado gaúcho desde a demarcação baseada no tratado firmado em 1851.
O questionamento uruguaio surgiu originalmente em 1934, quando estudos técnicos indicaram possível equívoco na leitura de marcos naturais utilizados na definição da fronteira. Mesmo após reiteradas negativas brasileiras e a consolidação da ocupação da área, o tema permaneceu classificado pelo Uruguai como pendente.
Com investimento superior a R$ 2 bilhões, o parque eólico possui 72 turbinas e fornece energia ao Sistema Interligado Nacional desde 2024. Enquanto o empreendimento segue operando, o Itamaraty informou que tratará o assunto por vias diplomáticas, reforçando o compromisso com uma solução pacífica para a disputa territorial.