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O que esperar do debate presidencial na Globo? Veja o que dizem analistas

Lula, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Simone Tebet, Soraya Thronicke, Felipe d'Avila e Padre Kelmon têm amanhã o último encontro antes do primeiro turno

28 set 2022 - 11h58
(atualizado às 17h07)
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Candidatos que estarão no debate da Globo
Candidatos que estarão no debate da Globo
Foto: Montagem/Reuters/Estadão Conteúdo

Na noite desta quinta-feira, 29, a Rede Globo reúne os principais candidatos à Presidência do Brasil para o último debate antes do primeiro turno. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Soraya Thronicke (União Brasil), Luiz Felipe D'Avila (Novo) e Padre Kelmon (PTB) participam do evento.

O debate ocorre nos Estúdios Globo no Rio de Janeiro e será transmitido ao vivo pela TV Globo GloboNews, começando às 22h30, logo após a exibição da novela Pantanal.

Ao todo, serão quatro blocos - o primeiro e o terceiro contarão com perguntas de tema livre, enquanto o segundo e o quarto terão perguntas com assuntos preestabelecidos. Ao final do quarto bloco, os candidatos farão suas considerações finais.

Pelas regras, os candidatos terão 30 segundos para fazer as perguntas e um minuto para a réplica, enquanto o candidato que responde terá três minutos, que poderá dividir como quiser, entre a resposta e a tréplica. 

As perguntas, em ordem sorteada previamente, serão feitas sempre de candidato para candidato. O candidato pergunta para um candidato de sua livre escolha, entre os que ainda não tiverem respondido naquele bloco. No bloco de temas determinados, a mecânica é a mesma, com o mediador sorteando em uma urna, antes das perguntas, o tema que deverá ser abordado. 

Expectativa

Não é de se esperar que Lula siga a mesma passividade que apresentou no primeiro debate eleitoral, exibido pela TV Bandeirantes em 28 de agosto. "Lula irá com um sorriso no rosto, mas será incisivo quando provocado. Se Bolsonaro chamá-lo de 'presidiário', o ex-presidente vai devolver a pancada e falar sobre a corrupção no atual governo", diz cientista político Humberto Dantas.

Há um consenso entre os especialistas - esse será o debate "mais violento" até aqui. Os concorrentes estão diante do "tudo ou nada", com o fim do horário eleitoral gratuito (também nesta quinta) e as últimas atividades de campanha. Na propaganda no rádio e na TV, o horário eleitoral já demonstra o aumento da agressividade e troca de acusações no lugar de apresentação de propostas.

"Sempre que o presidente puder, ele vai se referir à prisão de Lula e as denúncias contra o PT. Ele tentará mobilizar o sentimento antipetista que o elegeu em 2018?, afirma Glauco Peres da Silva, professor associado do departamento de Ciência Política da USP.

Para o professor, Bolsonaro "necessita" da raiva das pessoas contra o petismo para se eleger. "É o campo de possibilidades que ele tem", diz.

"O grande problema de Bolsonaro é que ele não sabe ser irônico, jocoso ou malandro. Quando ele vai ao ataque, ele vai com violência. Logo, ele corre o risco de se descontrolar e explodir", afirma Dantas.

Apesar de o grande destaque da noite ser o embate entre os dois principais candidatos, os presidenciáveis com menor intenção de voto também buscarão afetar a disputa, se projetando como vozes independentes do próximo governo, seja ele qual for. "Ciro Gomes e Simone Tebet devem buscar uma votação honrosa, se colocando como uma alternativa política viável para o pós-eleição", diz Peres da Silva.

Além dos prováveis ataques que sofrerá do pedetista, Lula também deve ficar atento às falas de Padre Kelmon. No último debate, organizado pelo Estadão e Rádio Eldorado em parceria com o SBT e um pool de veículos, o petista se recusou a participar, e o candidato do PTB defendeu repetidamente o atual governo, atuando em parceria com Bolsonaro. É bem provável que ele faça o mesmo na Globo.

Mulheres

Bolsonaro tem sido bastante atacado nos debates por Soraya Thronicke e Simone Tebet. "Elas devem eleger o presidente como alvo principal. E, caso ele caia na armadilha de agredi-las verbalmente, isso dificultará ainda mais sua relação com o eleitorado feminino", afirma Marco Antônio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Apesar da importância do evento, Dantas não acredita que o debate vá provocar muitas mudanças na votação de domingo. "O eleitor já está muito consolidado em torno desses dois nomes. Por mais que seja o debate mais esperado, a rejeição de Bolsonaro não vai deixar de existir por causa de um único encontro."

Ele entende que, se Lula for cuidadoso e nenhum dos outros presidenciáveis for brilhante no debate, há uma chance razoável de que o petista ganhe a eleição já no primeiro turno.

Estadão
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