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Na Globo, Lula compara caso Lulinha com Lava Jato e diz que não vai proteger o filho: 'Vai ter que provar a inocência'

Candidato do PT é o quarto entrevistado da série de sabatinas promovidas após o Jornal Nacional com os presidenciáveis

27 ago 2026 - 21h15
(atualizado às 23h58)
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Lula diz que investigações da PF sobre Lulinha são 'ilações' e que se filho errou 'terá que pagar':

O candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o quarto a participar da série de sabatinas com os presidenciáveis promovida pela TV Globo na noite desta quinta-feira, 27, e começou sendo questionado sobre o seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que é investigado em três inquéritos pela Polícia Federal. "Vai ter que provar a inocência", afirma Lula em entrevista conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli. Polêmicas deram tom à noite, com casos do INSS, Master, dívida pública e crise em estatais sendo elencados.

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Lulinha, Marcola e PF

Questionado sobre a conduta do filho, investigado em três inquéritos da Polícia Federal sob suspeita de corrupção e tráfico de influência em órgãos federais, Lula rebateu que "não tem nenhuma acusação" e apenas "ilações tiradas de telefonemas". O candidato repete o que tem dito sobre o assunto, de que, como atual presidente da República, não irá proteger seu filho --e que se ele fez algo errado, irá pagar por isso. 

"Não sou do Ministério Público. Não sou delegado, não sou juiz. Sou Presidente da República e pai do Fábio. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro que cometeu ilícito", afirmou.

Além disso, Lula comparou a situação ao que ele viveu na Lava Jato, o que chamou de "a maior mentira montada no País" com o intuito de impedir que ele voltasse a ser presidente. "Eu poderia ter feito qualquer coisa para não prestar depoimento, e fiz questão de prestar mais de 20. [...] E com meu filho vai acontecer a mesma coisa, só ele sabe a verdade. Se ele fez erro, ele pagará. Ele não será protegido por ser meu filho, ele sabe o que tem que fazer. Tem que provar a inocência e tenho certeza que ele será inocente. Vamos esperar o tempo", alegou.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo.
Foto: Manoella Mello/Mello

Tralli questionou Lula sobre mensagens específicas da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, obtidas pela Polícia Federal que citam seu filho. "Você acha que se eu pegasse o seu celular e fosse investigar tudo que você falou, só teria coisa correta? O que uma pilantra, ou um cara qualquer, pode fazer no telefone? Quero dizer que o fato de terem pego conversa no telefone não justifica absolutamente nada", alega, complementando que até o momento não há provas concretas de movimentações de seu filho em torno do caso.

Renata citou uma conversa da lobista em que ela disse que o presidente teria a oferecido um carro e que era para ela escolher "onde queria ficar". Lula segue rebatendo: "Só faltou ela dizer que eu ofereci a ela o Ministério da Defesa, o comando da Marinha, da Aeronáutica. É de uma imbecilidade. Eu não conheço essa moça, eu nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça. Ela nunca esteve próxima de mim. É o seguinte, malandro é igual em qualquer lugar do mundo". Apesar da declaração do petista, os dois aparecem juntos em fotos nas redes sociais. 

O ex-assessor presidencial de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, também é citado nas investigações e teve seu nome elencado pela bancada da Globo. Lula foi questionado se isso não traz suspeitas para dentro do Palácio. Apesar de confirmar o receio, o petista defende o papel que Marcola tinha no governo e diz que não quer se precipitar. "Eu não gosto de fazer pirotecnia com acusações sem que se termine o inquérito."

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Enquanto Lula tenta descolar a imagem de Marcola à da lobista, Renata cita contas que foram pagas e presentes que foram dados pela mulher ao ex-assessor. "Não é adequado, é totalmente errado e o Marcola sabe do erro que ele cometeu. Ele sabe disso. Agora, ele diz que tomou R$ 249 mil reais emprestados, como tá na imprensa. Só ele sabe a verdade. Quando tiver a acariação entre os dois, é que vamos saber. Por enquanto, acredito na versão dele de que foi emprestimo", complementa Lula -- que reforça que se o seu aliado cometeu um erro, que ele pague à Justiça.

Escândalo do INSS

Investigações revelaram que mais de 60% dos descontos sob suspeita do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) aconteceram durante o governo Lula. Tralli traz à mesa o fato de que o presidente do INSS durante o governo do petista está preso preventivamente, Alessandro Stefanutto, e pede explicações do candidato aos aposentados e pensionistas afetados. 

"Nós já demos a explicação. Primeiro que nós já devolvemos R$ 3,5 bilhões. Não tem um aposentado que foi roubado que não foi devolvido o dinheiro. E esse dinheiro vai ser ressarcido pelos bens que nós apreendemos da quadrilha, uma quadrilha que foi montada em 2019, inclusive com a participação do ministro da Previdência daquela época", respondeu Lula, que deu ao governo os créditos de ter descoberto e desarticulado a dita quadrilha.

Outro nome citado foi o de Carlos Lupi, que foi ministro da Previdência Social do governo Lula de 2023 a 2025, quando pediu demissão em meio a escândalos de fraudes no INSS. Renata lembrou que, mesmo com a questão, Lula teria voltado a dar visibilidade política a Lupi.

Lula ressaltou que ele não está condenado, que é um cidadão livre e que "a relação política não tem nada a ver com a relação administrativa". "Vamos aguardar a investigação. Eu sei o que é isso, já passei por isso", diz, mais uma vez se colocando como vítima do período da Lava Jato.

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Na sequência, subindo o tom, Lula disse que a imprensa brasileira "comprou uma mentira, vendeu a mentira e nunca reconheceu", voltando ao assunto da Lava Jato. A bancada da Globo rebate, alegando que o jornalismo da Globo cumpriu a sua obrigação de noticiar os fatos durante a cobertura. "É difícil pedir desculpa. A imprensa sabe que ela produziu um monstro mentiroso chamado Moro, chamado Dallagnol. Eu não esqueço do PowerPoint mentiroso contra mim" 

No momento da entrevista, o petista não deixou claro se a fala era sobre a apresentação de Deltan Dallagnol na época da Lava Jato ou sobre a feita recentemente pelo programa Estúdio i, da GloboNews, com foco no Caso Master.

Porém, em sua intervenção, Tralli retrucou o petista como se a referência fosse ao caso do canal fechado. "O senhor falou do PowerPoint. Eu só quero dizer ao senhor, por favor, em relação a essa questão do PowerPoint: nos nossos princípios editoriais, nós fizemos a devida retratação sobre esse assunto."

Lula após Tralli ler mensagem de investigação: 'Se eu pegasse seu celular só teria coisa correta?':

Caso Master

Jaques Wagner, aliado histórico de Lula, que até junho era líder do governo no Senado, é investigado por suspeita de promover interesses do banqueiro Daniel Vorcaro. "Apesar da investigação, o senhor continuou demonstrando apoio e pediu inclusive votos a Jaques Wagner. Antes, não é preciso aguardar as investigações para esclarecer de fato o envolvimento dele?", questionou Renata.

Lula alegou que há muita gente envolvida no caso, e alega que não está provada relação de Wagner com o banco Master. "As pessoas são inocentes até que se prove o contrário [...] Eu não posso colocar em dúvida o comportamento e a relação do Wagner comigo por conta de uma ilação, não posso. Eu tenho consciência que ele é honesto. Se cometeu um desvio, vai acontecer com ele o que vai acontecer com qualquer pessoa: vai pagar um preço pelo erro que cometeu."

Lula relembra PowerPoint, e Tralli cita princípios editoriais da Globo: 'Fizemos as retratações':

Dívida pública

Lula não conseguiu equilibrar as contas públicas em seus últimos quatro anos de mandato e o problema fiscal no Brasil segue grave. Em junho deste ano, a Dívida Bruta do Governo Geral avançou para 81,9% do PIB (Produto Interno Bruto), alcançando R$ 10,4 trilhões no mês. Esse é o maior valor desde abril de 2021, quando a dívida estava em 82,62% do PIB. Na Globo, Renata pergunta sobre as metas do petista e para qual percentual do PIB ele pretende trazer essa dívida.

"Renata, eu pensei que uma jornalista da tua qualidade, da tua competência, pudesse começar essa pergunta falando diferente. Você poderia dizer: presidente Lula, o senhor foi o único presidente da história do Brasil que fez superávit primário durante 8 anos do seu primeiro mandato", rebateu Lula.

"Nunca tive problema fiscal nesse país. Você acha que o Brasil está com problema de dívida pública porque chegamos a 80%. Sabe por quê? Porque estamos há mais de 10 anos sem crescer. Sabe quando o PIB voltou a crescer acima de 2%? Quando voltei à Presidência da República", continuou, sem responder a pergunta inicial da jornalista. 

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Quando os outros candidatos serão entrevistados?

Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), candidatos à Presidência da República
Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), candidatos à Presidência da República
Foto: Wilton Junior/Tiago Queiroz/Cauê Del Valle/Divulgação MBL/Taba Benedicto / Estadão

As entrevistas tiveram início na segunda-feira, 24, com Romeu Zema (Novo). O candidato defendeu anistia a Bolsonaro, disse ser contra a obrigatoriedade de vacina, e sofreu mais de 10 interrupções de Renata e Tralli. 

Na terça-feira, 25, foi a vez de Ronaldo Caiado (PSD). O candidato evitou responder perguntas comprometedoras, detalhar planos econômicos, tentou se colocar como 3ª via e se comprometeu com um projeto de 'anistia ampla, geral e irrestrita' aos condenados pelo 8 de janeiro para pacificar o Brasil. A entrevista foi marcada por cerca de 40 interrupções ou tentativas de interrupções de Renata Vasconcellos e César Tralli, que muitas vezes foram ignorados pelo ex-governador de Goiás.

Na quarta-feira, 26, Renan Santos (Missão) foi entrevistado. O candidato defendeu o desenvolvimento de bomba nuclear para fazer do Brasil protagonista e soberano, se disse alinhado do entendimento "prendeu, matou", e reivindicou uma reforma da Previdência.

Agora, após Lula, a cronologia das entrevistas segue a seguinte ordem sorteada:

  • 28/8 (sexta-feira) - Flávio Bolsonaro (PL)
  • 29/8 (sábado) - Augusto Cury (Avante)

Cada entrevista tem 40 minutos de duração, com dois blocos, e um minuto para considerações finais no encerramento. Foram convidados os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de intenções de voto, divulgada em 14 de agosto.

Fonte: Portal Terra
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