Estudantes de Medicina em MG ofendem bolsistas em grupo após Lula ser reeleito: 'Pega a bolsa e divide com o MST'
Centro Universitário Imepac, em Araguari, instaurou um processo administrativo disciplinar para apurar ofensas enviadas por alunos
O Centro Universitário Imepac, em Araguari, em Minas Gerais, instaurou um processo administrativo disciplinar para apurar ofensas de alunos do curso de Medicina enviadas a colegas bolsistas em um grupo em um aplicativo de mensagens. Os áudios foram enviados após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser reeleito.
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"Diante dos episódios de intolerância relatados nesta semana contra estudantes, foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos e adotar as medidas cabíveis, com rigorosa observância das normas regimentais e do direito de defesa", informou a instituição.
Nos áudios enviados, dois estudantes insultaram os colegas que vendem trufas e outros produtos para ajudar a pagar a faculdade, além dos que recebem bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni) ou têm financiamento pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
"Eu quero ver nego vender trufa para o meu lado. Vai enfiar tudo no c*, seus petistas do caralh*. Quero que vocês enfiem essas merd* que vocês vendem tudo no meio do c*, seus petistas do caralh*", disse uma das alunas.
Já o outro enviou: "Agora quem votou no Lulinha, que está há 20 anos prometendo picanha, quem vier vender trufa, trazer emoji do Lula, falar que as minas gostosas que estão com o Lula. Vai todo mundo se f*. Pega a porr* da sua bolsa de Prouni, de Fies e divide com a porr* do MST".
Em comunicado divulgado na quarta-feira, 28, o Imepac afirmou que repudia qualquer manifestação de intolerância ou discriminação, seja por convicções políticas ou por condição socioeconômica.
"A instituição reafirma seu compromisso com a liberdade de expressão, a pluralidade de ideias e o respeito as diferenças, princípios fundamentais para a convivência acadêmica e a formação ética e humanizada dos futuros profissionais", destacou.
Além disso, a instituição disse que também disponibiliza acolhimento e suporte aos estudantes atingidos, por meio de seus canais de apoio, e "reforça que todos têm direito a um ambiente universitário seguro, inclusivo e livre de discriminação".
O Diretório Acadêmico Diogo Guimarães, que representa estudantes de Medicina da instituição, também publicou uma nota de repúdio nas redes sociais.
"Ressaltamos que não toleramos e jamais vamos nos calar diante de posturas que violem a integridade de seus integrantes. Medidas firmes estão sendo adotadas, e informamos que já estamos em contato frequente com a Instituição de Ensino Superior para que todas as providências cabíveis e devidas medidas sejam tomadas com o rigor necessário", disse.
O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais também repudiou os ataques sofridos pelos alunos bolsistas.
"Divergências políticas não podem resultar em agressão e discriminação. Acusar bolsistas de 'serem culpados' pela vitória de Lula por serem pobres, ridicularizar quem ingressou no ensino superior por meio de políticas públicas e desqualificar seu direito de votar não é troca de opiniões, é punição e humilhação dirigidas a um grupo específico por sua escolha eleitoral. Isso extrapola a liberdade de expressão e viola o direito fundamental ao voto e à participação política", afirmou o Sinpro Minas.
"A universidade deve ser espaço de liberdade e de construção do pensamento crítico. A convicção política é direito fundamental de todo cidadão e deve ser respeitada. Atacar bolsistas por sua escolha eleitoral é tentar silenciar e punir a participação política de quem historicamente foi excluído dos espaços de poder. Exigimos que a direção do Imepac apure o ocorrido e não se cale frente ao preconceito. A discriminação não deve ser tolerada", acrescentou o sindicato.
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