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Conheça movimentos de renovação política que vão atuar nas eleições de 2020

Iniciativas como Acredito, Agora, Livres, Ocupa Política, Raps, Muitas e RenovaBR devem revigorar pleito de 2020

24 fev 2020
05h10
atualizado em 18/8/2020 às 08h59
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Eles não são partidos políticos, mas prometem mudar as eleições de 2020: movimentos de renovação política devem ajudar na ascensão de novos rostos ao poder, assim como ocorreu em 2018. Uma reportagem do Estadão mostrou que essas iniciativas atuaram na eleição de 54 políticos nas últimas eleições - 30 deles no Congresso Nacional. Para este ano, a expectativa é renovar os poderes executivo e legislativo municipais.

A maioria deles surgiu na esteira das manifestações de junho de 2013 e da turbulência política no Brasil nos anos seguintes. Alguns têm ideologias claras, outras preferem deixar as visões de mundo de lado. De qualquer forma, seus membros estão filiados a partidos dos mais variados espectros.

Um levantamento do Estadão mostra que existem ao menos 71 pré-candidatos ligados a grupos de renovação que trabalham para viabilizar suas candidaturas a vereador e prefeito. Saiba quem são e como atuam Acredito, Agora, Livres, Ocupa Política, Raps, RenovaBR e Muitas, algumas das iniciativas de renovação política que devem atuar nas eleições deste ano.

Acredito

O Acredito se intitula como um "movimento nacional e suprapartidário" que busca a renovação da política no Brasil. Fundado em 2017, funciona como uma rede de voluntários e núcleos regionais. A ideia é se aproximar de pessoas que desejam se candidatar e fornecer suporte, dando a oportunidade de que novos nomes consigam competir com candidaturas de políticos experientes. Hoje o movimento está presente em 19 Estados, com cerca de 7 mil voluntários. É financiado apenas por doações de pessoas físicas.

Em 2018, o Acredito promoveu formações locais para 28 pessoas em 13 Estados. Quatro se elegeram: Renan Ferreirinha (PSB-RJ), deputado estadual; Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES), deputados federais; e Alessandro Vieira (Cidadania-SE), senador. Para se manterem na rede, os membros precisam ter posicionamentos alinhados com o Acredito durante o mandato, sob pena de serem desvinculados.

É realizado um processo seletivo para definir quais candidaturas são apoiadas pelo movimento. Para 2020, os nomes ainda não foram divulgados. A seleção envolve uma avaliação de alinhamento aos valores do Acredito, prévias internas e filtro de diversidade - entre os apoiados, mulheres devem representar um terço e negros outro terço.

Integrantes do movimento Acredito
Integrantes do movimento Acredito
Foto: Divulgação/Acredito / Estadão

Agora

O Agora se classifica como um "movimento independente, plural e sem fins lucrativos" que aposta em oferecer alternativas de políticas públicas para enfrentar desafios do País. O grupo reúne estudos que ajudem no diagnóstico dos problemas nacionais e conta com um painel de especialistas para apurar a visão das questões e sugerir estratégias de enfrentamento.

O movimento é financiado por pessoas físicas e entidades sem fins lucrativos. Nasceu em 2016 e promove cursos, eventos, videoaulas e grupos de estudos. O Agora acredita em um Brasil "mais humano, simples e sustentável" e na construção de um Estado eficiente que reduza desigualdades e garanta o bem-estar de todos os cidadãos.

Conteúdos exclusivos como podcasts, acesso a artigos e convites para eventos presenciais são oferecidos aos membros. Qualquer pessoa maior de 18 anos e ficha-limpa pode se associar. O Agora também incentiva seus associados a realizarem encontros para dialogar sobre a agenda do grupo. Segundo o movimento, são 2 mil membros espalhados pelo País.

Reunião de membros do movimento Agora!; entre eles, Luciano Huck
Reunião de membros do movimento Agora!; entre eles, Luciano Huck
Foto: Divulgação/Agora! / Estadão

Livres

O Livres se considera um "movimento liberal suprapartidário". Nasceu incubado no Partido Social Liberal (PSL) em 2016 para defender "a liberdade por inteiro, na economia e nos costumes". Desvinculou-se do PSL em janeiro de 2018, quando o partido anunciou a candidatura de Jair Bolsonaro. "Recusamos a reciclagem do passado. Não vamos arrendar nosso projeto à velha política de aluguel", anunciaram integrantes do Livres à época.

O moviminto promove eventos, webnários e fóruns de discussão online sobre variados temas. Lançou o projeto Nabuco, série de eventos pelo Brasil que promovem a formação de lideranças. Associados com experiência em campanhas eleitorais, ações de ativismo e engajamento de pessoas ajudam na consolidação de novas lideranças. As aulas são gravadas e disponibilizadas.

Assim como o projeto Nabuco, algumas atividades são exclusivas para associados - a associação tem o custo mensal de R$ 24,90. O Livres afirma que é financiado por pessoas físicas e jurídicas.

Membros do Livres em encontro nacional
Membros do Livres em encontro nacional
Foto: Livres/Divulgação / Estadão

Ocupa Política

O Ocupa Política se define como uma "confluência de organizações, coletivos da sociedade civil" e 16 "mandatos-ativistas". Foi criado em 2017 com o objetivo de promover a ocupação da política institucional por meio de uma renovação suprapartidária. Atua como uma rede de intercâmbio, fortalecimento e formação de novos protagonistas. O foco é específico em ativistas sociais e candidaturas progressistas.

Entre os princípios do movimento estão a redução das desigualdades, o fim da guerra às drogas e o compromisso contra toda forma de preconceito e violência.

O grupo promove eventualmente encontros de integração entre as iniciativas associadas e entre os mandatos-ativistas. Anualmente também realiza um encontro nacional com uma programação de debates, articulações e formações políticas. Para se manter, o Ocupa Política faz campanhas de financiamento coletivo e recebe recursos de fundações.

Raps

Mais antiga da lista, a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps) se considera uma "organização suprapartidária", fundada em 2012, que atua na "formação, conexão, apoio e desenvolvimento de lideranças políticas". A rede afirma reunir mais de 600 membros ao redor do Brasil pertencentes a 29 partidos políticos.

Oferece o Programa Líderes Raps, formação gratuita de líderes políticos, "independentemente do estágio em que se encontram na vida pública e no processo eleitoral". A capacitação envolve workshops, debates e troca de experiências. Um dos diferenciais, segundo o movimento, é a sustentabilidade como um dos eixos da formação. A seleção de participantes é realizada anualmente. Não há número fixo de vagas. Em 2019, foram selecionados 98 participantes.

O processo seletivo envolve cinco etapas como produção de um vídeo de apresentação pessoal, preenchimento de questionários e averiguação jurídica. As atividades da Raps são mantidas por doações de pessoas físicas e de pessoas jurídicas sem fins lucrativos.

A Raps não se considera um movimento de renovação política, e sim uma rede para qualificá-la
A Raps não se considera um movimento de renovação política, e sim uma rede para qualificá-la
Foto: Divulgação/Raps / Estadão

RenovaBR

O RenovaBR se denomina a "a maior escola de democracia do Brasil". Foi fundado em 2017 com a missão de "preparar gente comprometida e realizadora para entrar na política". É uma organização sem fins lucrativos mantida por doações de pessoas físicas e entidades filantrópicas.

O curso oferecido pelo RenovaBR é gratuito e dividido em aulas a distância e encontros presenciais. Não há número fixo de vagas - em 2019 foram 1.400 participantes nas 18 semanas de curso. Entre os temas abordados estão ética, liderança, papel do Estado, dinâmica institucional e comunicação política. A seleção é dividida em seis etapas e envolve envio de vídeo, teste de conhecimentos gerais e checagem de histórico do candidato.

Em 2018, o RenovaBR contribuiu para eleger 17 parlamentares em todo o País, 10 deles no Congresso Nacional. Entre eles estão Tabata Amaral (PDT-SP), sexta mais votada do Estado; Joênia Wapichana (Rede-RR), primeira mulher indígena eleita para a Câmara dos Deputados; e Felipe Rigoni (PSB-ES), primeiro deputado federal cego do Brasil.

Muitas

O movimento Somos Muitas surgiu em Belo Horizonte (MG) em 2015 para ajudar candidaturas de mulheres nas eleições municipais de 2016. Naquele ano, o movimento conseguiu eleger Áurea Carolina e Cida Falabella como vereadoras. Em seguida, em 2018, foram mais duas eleições: Áurea se tornou a mulher eleita deputada federal com o maior número de votos do Estado. Andréia de Jesus, também do movimento, foi eleita deputada estadual.

Para 2020, o Muitas formou uma parceria com o PSOL para apresentar pelo menos 13 pré-candidaturas, sendo a de Áurea Carolina para a prefeitura de Belo Horizonte a mais relevante. Entre as pré-candidaturas deste ano não estão apenas mulheres, mas também homens representantes da comunidade LGBTQIA+, da população negra e das comunidades da periferia, além de defensores do uso recreativo de maconha.

Integrantes da Gabinetona, mandato coletivo criado pelo Muitas e cuja parte dos membros é pré-candidato pelo movimento.
Integrantes da Gabinetona, mandato coletivo criado pelo Muitas e cuja parte dos membros é pré-candidato pelo movimento.
Foto: Reprodução/gabinetona.org/site/ / Estadão

/COLABOROU DIEGO KERBER

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