Caiado foca em segurança e mulheres em 1º discurso como candidato e tenta se contrapor a Flávio por 2º turno
Ex-governador de Goiás foi oficializado como nome do PSD na disputa pelo Planalto
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) usou o primeiro discurso após ser oficializado candidato à Presidência da República neste domingo, 26, para apresentar a segurança pública como principal bandeira de sua campanha, direcionar um recado ao eleitorado feminino e reforçar a estratégia de se consolidar como o nome da direita capaz de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno. Ao longo de cerca de uma hora de fala, também atacou o petista e o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal concorrente no campo conservador.
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Aposta para chegar ao segundo turno
Um dos principais objetivos do discurso foi tentar convencer o eleitor de que ele, e não Flávio Bolsonaro, representa a candidatura mais competitiva da direita. A estratégia ocorre em um momento em que Caiado aparece na terceira colocação nas principais pesquisas de intenção de voto para a Presidência, mas distante dos líderes.
- Levantamento Quaest divulgado em 15 de julho aponta o governador de Goiás com 4% das intenções de voto, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45%, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 37%.
- O cenário se repete na pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira, 24. No primeiro turno, Caiado registra novamente 4%, enquanto Lula aparece com 40% e Flávio Bolsonaro com 32%.
Apesar do desempenho, o candidato do PSD afirmou que sua experiência administrativa o credencia para crescer durante a campanha.
Ao citar os resultados de sua gestão em Goiás, Caiado pediu uma oportunidade para disputar a fase decisiva da eleição. “Me dê essa chance, povo brasileiro. Me dê a chance de chegar ao segundo turno que eu vou bater o Lula e nós vamos criar um país diferente e devolver o Brasil aos brasileiros de bem.”
A estratégia também passou por novas críticas a Flávio Bolsonaro. Sem citar o senador nominalmente, Caiado afirmou que o Brasil não precisa de um candidato com “surpresas” frequentes, em referência às suspeitas envolvendo o Banco Master. “O pessoal mais jovem me disse: ‘é o candidato Kinder Ovo, uma surpresinha todo dia’. Não adianta.” Kinder Ovo é um doce voltado ao público infantil que traz um brinquedo surpresa dentro.
O governador ainda fez uma referência indireta à campanha de Flávio associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro ao afirmar que não depende de padrinhos políticos para disputar a Presidência. “O Caiado é galo de terreiro, meu amigo. Sou acostumado na briga, mas brigo pelo que interessa ao Brasil.”
'Fora da polarização'
A candidatura foi confirmada durante convenção nacional do PSD, realizada no centro de São Paulo. O presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, foi oficializado como candidato a vice-presidente, formando uma chapa puro-sangue. Esta é a prmeira vez desde sua fundação, em 2011, que o partido lança uma candidatura a presidente. Também participaram do evento os governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Júnior (Paraná), que declararam apoio ao ex-governador de Goiás.
Ao abrir o discurso, Caiado atribuiu a Kassab a manutenção de sua candidatura mesmo diante da pressão para que a eleição presidencial se resumisse à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. “Eu não seria candidato se não fosse a coragem de Gilberto Kassab em enfrentar todos aqueles que achavam que podiam calar o Brasil e que não teriam mais nenhum candidato fora da polarização.”
Em seguida, afirmou que o país vive um momento de descrença nas instituições e disse que pretende oferecer uma alternativa aos dois principais adversários. “Não é possível que o Brasil vai querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional. A eleição não é eleição de rejeitados. A eleição é de quem traz resultado para a sociedade brasileira.”
Segurança como principal bandeira
O eixo central do discurso foi a segurança pública, tema que Caiado transformou na principal marca de sua campanha presidencial. Ao defender o modelo implantado durante seus dois mandatos em Goiás, repetiu o slogan que vem utilizando desde o lançamento da pré-candidatura.
“Me bota na Presidência da República e vocês vão ver um modelo de segurança que vai fazer com que presidiário cumpra a sua pena.”
Segundo ele, as medidas adotadas no sistema prisional goiano reduziram o poder das facções criminosas. “Faccionado só fala com Deus porque não tem visita íntima. Não tem audiência sigilosa com advogado. É monitorado 100%.”
Aceno às mulheres
Além da segurança, Caiado buscou dialogar diretamente com o eleitorado feminino ao prometer endurecer a punição contra autores de violência doméstica e feminicídio.
Durante o discurso, afirmou que pretende tornar obrigatória a utilização de tornozeleira eletrônica por agressores e defendeu penas mais severas para os condenados. O candidato também anunciou que pretende incluir em seu programa de governo uma proposta para confiscar o patrimônio de condenados por crimes contra mulheres.
“Aquele agressor de mulher, aquele que violenta a mulher ou que pratica o feminicídio, eu vou confiscar os bens dele e transferir para a mulher. Vai doer no bolso também”, prometeu.
O candidato também direcionou parte do discurso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem acusou de governar sem apresentar resultados e de evitar o confronto direto com os adversários. Ao mencionar o debate presidencial previsto para agosto, provocou o petista. “Estou te esperando, Lula. Vem cá. Diz que não quer ir para debate. Não quer ir porque está com medo, amarelou.”
Caiado encerrou o discurso convocando militantes e dirigentes do PSD a iniciarem a campanha nacional e reforçou o mote que pretende utilizar ao longo da disputa presidencial. “A hora é agora. É devolver o Brasil aos brasileiros e dizer em alto e bom som: PT, narcotráfico, corrupção e Kinder Ovo não têm chance no Brasil.”



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