Veja como se forma o ciclone; fenômeno deve chegar à Austrália
Saiba como se forma o ciclone; Austrália se prepara as chuvas
Um alerta sobre a chegada do ciclone Ului deixou os australianos preocupados na última quarta-feira, dia 17. Autoridades do País tiveram de evacuar 300 pessoas nas ilhas do nordeste do país, na Grande Barreira de Coral, devido a previsão da chegado do ciclone para este fim de semana. Para entender melhor a origem desses ventos, o Terra conversou com especialistas da área de meteorologia.
O ciclone é uma formação que ocorre em função do aquecimento maior ou menor de uma superfície. A região quente ocasiona o centro de baixa pressão atmosférica, por isso recebe o nome de centro ciclônico. "Ou seja, é um vento que gira na superfície horária. Ciclone é a alteração formado por baixa pressão de ar atmosférico", afirma o professor Hilton Silveira Pinto, diretor do entro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura, da Unicamp.
"O ciclone não se transforma em furacão. Os fenômenos se formam em áreas oceânicas completamente diferentes", disse a meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo. Segundo ela, o fenômeno que ocorre na Austrália é chamado ciclone tropical.
São fortes áreas de nuvens bastante carregadas, que provocam chuvas torrenciais e que giram no sentido dos ponteiros do relógio (horário) em torno de um centro pressão atmosférica muito baixa.
Os ciclones são parecidos com os furacões, pois se formam em locais onde a água está muito quente. Porém, a massa de nuvens e os ventos de um furacão giram no sentido antihorário (contrário ao relógio), pois os furacões se formam no Hemisfério Norte. A denominação de furacão, tufão ou ciclone vai depender de qual oceano o fenômeno se forma. Todos estes fenômenos são associados a chuvas intensas e ventania.
O nome furacão é dado no Oceano Atlântico Norte (Caribe, costa leste do México, Golfo do México), sul e costa leste dos Estados Unidos) e na parte nordeste do Oceano Pacífico (costa oeste do México, Hawaí). O nome tufão é reservado para a parte noroeste do Oeano Pacífico e atinge o Japão, as Filipinas, a China, entre outros lugares. No Oceano Índico eles são ciclone tropicais.
Existem escalas (de 1 a 13) que classificam essa formação de ventos. Atualmente, com satélite, pode-se detectar essa variação de temperatura. Os ciclones são muito comuns no Jopão, e na Flórida (Estados Unidos).
"Nos países onde ocorrem com frequencia os tufões, furacões e ciclones tropicais, os serviços meteorológicos oficiais, dos gorvernos, emitem muitos alertas, têm planos para evacuação das pessoas", disse a meteorologista. Segundo ela, a população em geral sabe a época comum de ocorrência destes fenômenos extremos. "Porém, não há muito o que fazer para evitar danos materiais. Dependendo da intensidade do fenômenos, a destruição é imensa e implica em grandes perdas financeiras. Todo o trabalho dos governos é no sentido de salvar vidas humanas".
Ciclone na Austrália
De acordo com Josélia Pegorim, os ciclones ocorrem quase todos os anos na costa da Austrália. Podem chegar ao país vindos do Oceano Índico (costa oeste/nooroeste do país) ou do Pacífico (costa leste/nordeste australiana), que é o caso do ciclone "Ului".No caso da Austrália, a época mais propícia para estes fenômenos vai de janeiro até março.
Ciclone no Brasil
O Centro de Previsão Ambiental dos EUA (NCEP, na sigla em inglês) levou a Defesa Civil de Santa Catarina a emitir um alerta de ciclone para toda a costa catarinense até no início deste mês. Entre os dias 8 e 10 de março, tivemos um caso fora dos padrões que foi a formação de um ciclone tropical na costa sul do país. A tempestade tropical que se formou na região Sul do Brasil trazendo ondas de até 4 m e ressaca em vários municípios. Ela foi batizada com o nome de Anita.
"No Brasil, é muito comum termos ciclones extratropicais, que são áreas de baixa pressão intensas que vêm junto com as frentes frias. Os ventos deste tipo de sistema giram no sentido dos ponteiros do relógio, pois estamos no Hemisfério Sul.
"Os ciclones extratropicais são muito menos intensos do que qualquer furacão, tufão ou ciclone tropical. São muito comuns em toda a costa da Argentina, na costa sul do Chile, do Uruguai e do sul do Brasil", disse a especialista Josélia Pegorim.
Os ventos de um ciclone extratropical em geral não passam de 100 km/h. Se for muito forte, pode chegar a 120 km/h. "Estes ventos moderados a fortes e constantes sobre o oceano causam agitação do mar e geram grandes ondas", afirma a meteorologista.
Em relação ao Catarina, que ocorreu em março de 2004, Josélia diz que foi um fenômeno único, nunca antes observado na costa no Oceano Atlântico Sul. Neste caso ele foi considerado um furacão pois teve um deslocamento do alto-mar para o continente, de leste para oeste.