Cremar corpos é antiecológico? Confira 10 questões sobre a morte
Em filmes, seriados e até no dia a dia, o tema da morte está presente. Várias afirmações sobre o que acontece com o corpo são reproduzidas, algumas delas de maneira equivocada. Mas afinal, quando surgiu o costume de enterrar os mortos? Cremar os corpos é antiecológico?
Confira 10 questões sobre a morte
O homem já enterra seus mortos há pelo menos 30 mil anos. Pedro Funari, professor de Arqueologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que alguns pesquisadores recuam esse processo para 90 mil anos e outros, para 300 mil anos, mas 30 mil é a data de que se tem registro. "O respeito pelos mortos liga-se a conceitos religiosos, então se especula que o enterramento seja evidência de algum tipo de culto ou crença", afirma.
Já quem não gosta da ideia de ser enterrado e ter o corpo "comido" por bactérias deve saber que a cremação não é um processo muito ecológico. "Ela emite gás carbônico, que se acumula na atmosfera e ajuda a aumentar o efeito estufa", diz Dionete Santin, pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Unicamp.
As plantas e as algas são responsáveis por retirar o gás carbônico do ar e transformá-lo em oxigênio. Porém, na medida em que elas não conseguem absorver tanto gás carbônico, ele vai sendo estocado na atmosfera e aumenta a temperatura terrestre.
A cremação, por queimar e produzir fumaça, não contribui para um mundo sustentável. O enterro também não é uma prática tão "verde". Quando se coloca lixo em um aterro, os restos orgânicos apodrecem, diminuem de volume e produzem um líquido escuro e fedido, chamado de chorume, que é altamente poluidor e pode chegar até os lençóis freáticos, contaminando a água potável. Com a putrefação de cadáveres ocorre a mesma coisa.
Dionete explica que, apesar de ser um processo natural, a decomposição de substâncias orgânicas gera um problema por ser realizada de maneira desequilibrada. O lixo e os corpos são depositados todos juntos, em aterros e em cemitérios, o que gera uma quantidade tóxica, prejudicial ao meio ambiente. "Formam-se ácidos, que irão percorrer o solo", afirma.