Secretário de SP quer escola aberta mesmo se Estado voltar à fase vermelha

Rossieli diz que retorno 100% presencial no ano que vem não está garantido e dependerá de evolução da pandemia e do comportamento nas festas de fim de ano

2 dez 2020
13h12
atualizado às 19h12
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SÃO PAULO - O secretário da Educação de São Paulo, Rossieli Soares, disse nesta quarta-feira, 2, que quer manter escolas estaduais abertas mesmo que o Estado retroceda para as fases laranja ou vermelha do plano de reabertura econômica, quando há aumento de infecções pela covid-19. Nesta semana, todas as regiões voltaram para a fase amarela, mas as escolas continuaram em funcionamento nos municípios que já haviam autorizado o retorno.

"Por mim, sempre que puder manter a escola aberta com segurança para ter algum tipo de atividade para os estudantes, isso tem de ser prioridade. O mundo inteiro, mesmo com ondas maiores de casos, agora está dizendo que educação é essencial. Se depender de mim, escola tem de ser considerada serviço essencial", disse o secretário em uma coletiva para apresentar ações de combate ao abandono escolar. "Escolas têm ambientes mais seguros do que qualquer outro (espaço). Nosso problema é que a sociedade precisa olhar isso como uma prioridade."

Rossieli e o produtor musical Kondzilla
Rossieli e o produtor musical Kondzilla
Foto: Secretaria de Educação/Facebook / Estadão

Quando o Estado entrou na fase vermelha de restrição de atividades, em março, apenas serviços essenciais, como farmácias e supermercados, foram liberados para funcionar. Na época, as escolas não entraram no rol de atividades essenciais e acabaram fechadas. "Se Educação é prioridade, é preciso cuidar em todos os outros ambientes para que não seja necessário fechar a escola."

Rossieli disse ainda que não está garantido o retorno de 100% dos alunos às escolas no ano que vem e que essa volta total dependerá da evolução da pandemia no Estado e do comportamento das pessoas nas festas de fim de ano. Rossieli voltou a dizer que é preciso que as pessoas evitem aglomerações e festas justamente para permitir que as escolas permaneçam abertas.

Ele afirmou, no entanto, que, ao contrário do que fez o Ministério da Educação (MEC), não pretende forçar o retorno de universidades estaduais porque entende que elas têm "maturidade" para tomar essa decisão. Nesta quarta-feira, o MEC determinou em uma portaria que universidades federais e particulares voltem às aulas presenciais a partir do dia 4 de janeiro. Para ele, uma medida desse tipo faria mais sentido na educação básica. Ainda assim, o secretário acredita que o retorno não deve ser resolvido dessa forma.

Segundo o secretário, foram contabilizadas 56 infecções de alunos e estudantes de escolas estaduais testados pelo método RT-PCR, que identifica o vírus enquanto ele ainda está ativo no organismo. O último número, divulgado no dia 18 de novembro, era de 51 infecções. O dado informado nesta quarta não inclui análises realizadas nesta semana.

"Não foi um crescimento grande. Não tivemos casos de transmissão dentro da escola, mas temos redobrado os cuidados. É uma volta vagarosa e cuidadosa. Temos trabalhado com alunos prioritários, os que têm mais dificuldade de ter equipamento, acesso. Estamos em alerta e fazendo o monitoramento", afirmou.

Parcerias com influenciadores digitais

Para manter os alunos engajados nos estudos e estimular os que ainda não entregaram as atividades, a Secretaria vem fazendo parcerias com influenciadores digitais. O último balanço da pasta indica que 500 mil alunos não entregaram nenhuma atividade. Nesta quarta-feira, Rossieli apresentou uma parceria com Konrad Dantas, o KondZilla, produtor de videoclipes de funk e dono de um dos maiores canais no YouTube em todo o mundo, para incentivar os estudantes.

Uma transmissão com a presença de Kondzilla foi realizada na manhã desta quarta-feira no Centro de Mídias, plataforma usada pelo governo estadual para publicar aulas aos estudantes no ensino remoto. O produtor musical reforçou, na transmissão ao lado do secretário, a importância dos estudos.

"É fundamental continuar estudando. Quem tem a oportunidade de estudar não pode desperdiçar. É o momento de se preparar para o nosso futuro. Muitos jovens têm o mesmo sonho que eu, de dar uma vida mais confortável para os nossos pais. A gente consegue isso através da educação. Não consigo enxergar outra maneira de se preparar melhor", disse Kondzilla.

A parceria inclui vídeos dos influenciadores no TikTok, uma rede social voltada para vídeos curtos. A ideia é usar uma linguagem descontraída para atingir o máximo de estudantes. "Precisamos falar com o jovem sob inúmeras perspectivas. É muito diferente de o Rossieli estar falando. É uma forma de comunicação bacana para chegar mais próximo de vocês, para ter a construção de algo mais perene. Todos remando juntos pela educação", disse o secretário.

Segundo Rossieli, após uma publicação do influenciador Esdras Saturnino no TikTok, o número de downloads do aplicativo do Centro de Mídias aumentou 139%. Outros influenciadores como Michel Brito, Yasmin Brossi, Caio Pericinoto, Rayl Simon e Fernanda Evan também devem participar das publicações de incentivo para que os alunos continuem estudando.

Veja também:

Os heróis que mantiveram a educação caminhando em 2020
Estadão
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