RS: pais relatam ameaças de escola após demissão de professor
Em reunião com vereadores, pais disseram que os filhos foram ameaçados de perder bolsa na escola após defesa de professor
A polêmica em torno da demissão do professor de história Giovanni Biazzetto da escola La Salle Pão dos Pobres, ocorrida há mais de um mês, motivou uma reunião da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Municipal de Porto Alegre (RS) para apurar denúncias de ameaças por parte da escola aos alunos que protestaram contra o desligamento do educador. Segundo a escola, a demissão teve razões técnico-pedagógicas; já Biazzetto afirma que houve perseguição religiosa.
No encontro, estudantes e seus pais confirmaram que as crianças teriam sido ameaçadas de perder as bolsas caso continuassem com as manifestações - o colégio oferece bolsas a 95% dos alunos, entre benefícios parciais e integrais. Cartazes com dizeres como "Fora Direção e Coordenação Pedagógica" eram exibidos por familiares de alunos. A reunião contou ainda com a presença de representantes da rede La Salle, do Conselho Tutelar e da Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude, que informou ter instaurado inquérito civil para apurar as denúncias.
À época do desligamento de Biazzetto, pais de alunos denunciaram a escola ao Conselho Tutelar, que foi até a instituição para conversar com a coordenação e funcionários. Semanas depois, uma nova denúncia foi feita. "Pais nos informaram que os bolsistas estavam sendo ameaçados novamente. Alguma coisa está acontecendo, pois são vários pais relatando a mesma coisa. O colégio deve tomar uma atitude com relação a isso", disse o conselheiro tutelar da região Centro, Cristiano Pinto, que participou do encontro.
A versão da escola
A coordenadora pedagógica do colégio La Salle Pão dos Pobres, Vanderléia Conrad, afirmou que não houve perseguição contra o professor nem contra alunos e esclareceu a postura religiosa do colégio. "Temos princípios cristãos, o que não significa que catequizamos nossos alunos. E em momento algum houve tentativa de impor algo. Temos apenas nossos momentos de reflexão".
Com relação às atitudes autoritárias da direção criticadas pelos pais, Vanderléia rebate. "O irmão Olir Facchinello é o nosso terceiro diretor, com um perfil diferente dos anteriores, porém, com a mesma pedagogia lassalista. Com personalidade diferente? Sim. Com posicionamento diferente? Sim. E isso está sendo dificultoso para a comunidade educativa. Há um processo com mais autoridade, mas não com autoritarismo", afirmou.
A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores, Fernanda Melchionna (PSOL), disse que é preciso analisar os limites entre ensino religioso e doutrinação. "Temos que pensar bem quando uma instituição chega e reafirma seus princípios sem querer ouvir os princípios, não daqueles que estão de fora, mas daqueles que estão inseridos lá dentro, da comunidade".
Uma nova reunião será marcada para debater o caso. A comissão entrará em contato com a Província Lassalista para que, no próximo encontro, o presidente da mantenedora, irmão Jardelino Menegat, possa participar.