Referência em negócios, EUA atraem mais brasileiros para pós-graduação

Levantamento indica que o número de brasileiros que se candidataram a cursos de pós-graduação nos Estados Unidos em 2013 cresceu 24%

1 mai 2013
15h43
atualizado às 15h47
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"Se quiser aprender arte, vá a Florença, culinária, a Paris, mas para negócios, vá aos Estados Unidos". Essas foram as palavras que Paulo Marostica, 29 anos, escutou de diversos executivos em São Paulo e que o fizeram optar por cursar MBA na Hult International Business School, em Boston. Segundo informações do Institute of International Education (IEE), atualmente 2.949 brasileiros cursam pós-graduação em instituições de ensino americanas, e a área mais procurada pelos estudantes, incluindo os de graduação, é Business & Management.

Um levantamento divulgado no início de abril pelo Council of Graduate Schools (CGS) indica que o número de brasileiros que se candidataram a cursos de pós-graduação nos Estados Unidos em 2013 cresceu 24% em relação ao ano anterior - de 2011 para 2012, o aumento havia sido de 9%. O CGS aponta que o relatório não inclui dados referentes a programas de mobilidade, mas que como as informações foram coletadas por meio das candidaturas de admissão a instituições, alguns estudantes do Ciência sem Fronteiras podem ter sido contabilizados, o que, segundo o órgão, pode ter contribuído para o aumento de inscrições.

Chefe da unidade do Rio de Janeiro do Education USA, Bianca Macena indica outra possibilidade para este avanço. "Sem dúvidas, o Brasil está em evidência, em razão de todos os eventos importantes de que será sede. As universidades americanas vêm recrutar estudantes aqui, em diversas cidades", afirma. Ela destaca também que programas como o Ciências sem Fronteiras ajudaram a desmitificar os Estados Unidos como um lugar de difícil acesso. "A qualidade e a variedade de campos de ensino também atraem alunos, afinal, são mais de 4 mil instituições de ensino superior", acrescenta, lembrando que o país é o destino mais procurado por brasileiros que querem estudar no exterior. Conforme o IEE, o Brasil é o país da América do Sul que mais envia estudantes aos Estados Unidos, ocupando o 14º lugar na lista total.

Experiência global
Bianca também teve a experiência de cursar uma pós-graduação nos Estados Unidos e garante que o diferencial do país não está apenas no sistema acadêmico. Além de apresentar diferentes opções de atividades, como a participação em clubes e organizações, e recursos como grandes laboratórios e bibliotecas, a interação entre diferentes culturas também é essencial. "Não é somente sala de aula e conhecimento, mas também conviver com pessoas de diversos países, isso é muito enriquecedor. Nos Estados Unidos, há muitos alunos de intercâmbio", justifica.

Marostica, que foi aos Estados Unidos pela referência em negócios, também descobriu outra vantagem no curso, que classifica como experiência global. "Temos professores de diversos países, e entre os alunos do campus de Boston há mais de 50 nacionalidades representadas", conta o estudante. Natural do Recife, o jovem concluiu a graduação em ciências contábeis na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Depois, foi trabalhar em São Paulo, de lá para os Estados Unidos e agora vai passar dois meses em Xangai, pois a Hult International Business School possibilita que os estudantes passem por outros campi da instituição.

O "intercâmbio dentro do intercâmbio" é parte da rotina corrida que o pernambucano iniciou em agosto de 2012 e que se estenderá até agosto deste ano. O curso compacto, com duração de um ano, faz com que Marostica passe entre 20 e 25 horas semanais em sala de aula, além de se dedicar de 12 a 15 horas aos estudos. De acordo com o jovem, o esforço compensa, pois a rede de contatos e o acesso a metodologias e tecnologias que ainda não chegaram ao Brasil lhe darão vantagens no mercado de trabalho.

A Hult possui campi em Boston, São Francisco, Nova York, Londres, Dubai, Xangai e São Paulo. A EF Education First, que representa a instituição no Brasil, aponta que 95% dos alunos brasileiros optam pelas unidades de Boston e São Francisco. A EF percebeu um aumento significativo na procura por cursos de MBA e outros mestrados: um total de 62 estudantes atualmente, em comparação a 30 alunos em 2011 e 2010.

Qualificação
Segundo o Education USA, a Califórnia é o destino mais procurado por estudantes brasileiros. Thiago Terra, por exemplo, optou pela Northwestern Polytechnic University, em Fremont, por causa da proximidade do Vale do Silício, que concentra empresas voltadas à inovação científica e tecnológica.

Graduado em engenharia ambiental na Faculdade de Administração Espírito-santense, o jovem de 24 anos chegou aos Estados Unidos em setembro de 2012 para fazer o curso de English Second Language. Em janeiro de 2013, iniciou o MBA em gestão de projetos na Northwestern.  Segundo ele, apesar de trabalhoso, o processo para estudar no exterior valeu o esforço. "Quando temos uma qualificação diferenciada em um mercado como o brasileiro, temos também visão e oportunidades maiores", opina.

O processo para cursar uma pós-graduação nos Estados Unidos pode ser mais complicado do que no Brasil. O Education USA, que assessora estudantes que desejam ir ao país, explica que os procedimentos podem variar de acordo com a  instituição de ensino. "Na maior parte das vezes, é necessário apresentar carta de recomendação, currículo, fazer prova específica da área, redação, além de possuir resultado positivo no teste de proficiência em inglês", esclarece Bianca. 

Ela destaca a importância de prestar atenção nos prazos - geralmente, as candidaturas são realizadas entre dezembro e fevereiro para iniciar o curso em agosto, por exemplo. No caso de o aspirante a intercambista desejar uma bolsa de estudos, a solicitação deve ser feita no momento da inscrição. Não é preciso, necessariamente, apresentar um projeto de pesquisa, a não ser que a instituição especifique este requisito.

Planejamento e organização são essenciais para não se perder na documentação e testes necessários, por isso recomenda-se que o aluno crie um organograma com as tarefas a serem realizadas. Após a aprovação pela universidade, o estudante pode solicitar seu visto.

Os gastos com os processos para admissão costumam ser elevados, mas aqueles que não têm condições de arcar com os custos podem contar com assistência. O Education USA, por exemplo, oferece desde 2006 o Programa Oportunidades Acadêmicas, que auxilia estudantes que possuem os pré-requisitos para o intercâmbio – como fluência em inglês e bom desempenho acadêmico -, mas sem recursos financeiros. A ação conta com o apoio do Departamento de Estado Americano.

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