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Rede pública brasileira amplia aulas de mandarim

O Instituto Confúcio (IC), ligado ao Ministério da Educação da China, fez parcerias com universidades para oferecer cursos de mandarim no Brasil

1 mai 2013
18h55
atualizado às 18h55
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E se os períodos de inglês fossem substituídos por aulas de mandarim na escola? Calma, esse cenário está longe de acontecer. Mais por causa da importância do inglês do que por um desinteresse pelo idioma chinês, que, pelo contrário, está cada vez mais presente na vida dos brasileiros. Não nas canções pop e seriados que os alunos tanto gostam, mas nas transações econômicas.

Hoje, mais de 20 universidades chinesas têm cursos de português, reflexo da sólida parceria comercial entre Brasil e China nos últimos anos. A informação é de Thiago Fernandes, gerente de Gestão e Planejamento do Instituto Confúcio (IC) na Universidade Estadual Paulista (Unesp), que ressalta que o interesse pelo entendimento é mútuo. "Um dos maiores interesses dos estudantes de língua chinesa é ganhar um diferencial importante para a área de comércio com a China. Não há hoje possibilidade de qualquer empresa organizar seus negócios sem levar a China em consideração e, por conta disso, o mandarim vem tomando importância cada vez maior", diz Fernandes.

O IC é um organismo internacional do Ministério da Educação da China e possui cerca de 400 centros de cultura chinesa em mais de 90 países. No Brasil, ele está presente em três Estados (São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul) e no Distrito Federal, sempre vinculado a alguma universidade (Unesp, PUC-Rio, UFRGS e UnB, respectivamente). Em São Paulo, a rede tem unidade em 12 cidades e oferece aulas para a rede pública em quatro - capital, Franca, Araraquara e São José dos Campos. Fernandes revela a vontade do grupo de aumentar seu alcance: "Estamos em negociação com a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo para ampliar o projeto para mais cidades ainda no próximo semestre. Além disso, o Instituto Confúcio na Unesp pretende abrir unidades em todos os campi da universidade".

Irene Miura, assessora de Relações Internacionais da Secretaria de Educação estadual, confirma o intuito de ampliar a oferta do curso. "Dado o feedback positivo, em 2013, o projeto será ampliado para mais dois Centros de Estudos de Línguas da rede estadual: Marília e São José do Rio Preto", diz. Irene conta que a aproximação entre os dois países e o tamanho da China justificam a ampliação: com uma população em torno de 1,3 bilhão de pessoas, o mandarim é falado por um quarto da população mundial. Para ela, a língua é "promissora para o ingresso no mercado de trabalho formal", ainda mais em um contexto de forte exposição do Brasil, que sediará eventos como Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíada.

Língua tem estrutura mais simples do que o português
A unidade paulistana do Instituto Confúcio na Unesp foi criada em 2008 e é a pioneira no Brasil. Ela fornece bolsas de estudo integrais para alunos de escolas públicas - através da Secretaria de Educação para os alunos da rede estadual e diretamente no instituto para os municipais. O curso é gratuito para esses estudantes e dura três anos, divididos em seis módulos de 80 horas cada. Através das bolsas, a intenção é fazer com que os alunos entrem em contato com o idioma o mais cedo possível. Sem conjugação de verbos, tempo ou gênero, a língua chinesa tem uma estrutura relativamente simples, conta Fernandes. O que complica o seu aprendizado é que geralmente os alunos não tiveram contato com o idioma anteriormente.

De acordo com Fernandes, a procura pelo mandarim tem crescido. "Em 2009, tínhamos 30 alunos matriculados. Hoje, são 2 mil, 300 deles oriundos de escolas públicas", cita. Um diferencial das aulas é que os professores são selecionados pela Matriz dos Institutos Confúcio e vêm da Universidade de Hubei, na China, para lecionar no Brasil.

Turismo
Um dos destinos mais procurados por turistas do mundo todo, o Rio de Janeiro deve receber cada vez mais visitantes com os grandes eventos esportivos previstos para ocorrer na cidade. Ou seja, mais um fator que fez crescer o interesse pelo ensino do mandarim como capacitação para o atendimento ao turista chinês. O Instituto Confúcio tem parceria com o governo local e participa do programa Ginásio Experimental, com 29 escolas municipais. Nesse projeto, as escolas funcionam em turno integral e, além da grade de ensino tradicional, os alunos cursam atividades eletivas - o mandarim é uma delas. O IC cede um professor, que vai de escola em escola ensinar o idioma. Segundo a Secretaria Municipal de Educação (SME), o número de alunos nas turmas fica entre 20 e 35 alunos.

Inicialmente gerido pelo centro da UnB, houve troca para o Instituto Confúcio sediado na PUC-Rio. Isso causou atraso no início das aulas em 2013 e troca de professores. Mas, de acordo com a prefeitura carioca, tudo deve se normalizar até o final de abril. A SME não demonstra interesse em ampliar a rede de ensino de mandarim imediatamente. "Tem que esperar consolidar", relata.

Faltam professores qualificados
Há ainda um obstáculo para o mandarim estar mais presente em sala de aula: a falta de professores qualificados. Antes mesmo de o Instituto Confúcio se estabelecer no Brasil, o Colégio Estadual do Paraná (CEP) já oferecia curso de mandarim, por meio do Centro de Línguas Estrangeiras Modernas (Celem). O início das atividades foi em 2006. A coordenadora do curso, Jamille Dalazuana, revela que, apesar do crescente interesse por parte dos alunos (aumenta cerca de 30% ao ano, segundo ela), dificilmente o Estado ampliará a oferta do curso, pois faltam profissionais qualificados para ministrá-los. "Existem poucos professores interessados em lecionar em escola pública. Hoje, as aulas de mandarim têm caráter extracurricular e não há possibilidade de que entrem na grade por falta de profissionais", relata. Os cursos no Celem são gratuitos e o CEP é a única escola paranaense que oferece curso na língua chinesa.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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