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Peças de teatro ajudam a estudar história e literatura

2 mar 2013 - 14h07
(atualizado às 14h08)
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Depois de muitos dias de estudo, o cansaço costuma tomar conta e muitos estudantes querem manter distância dos textos acadêmicos. Mas e se ainda falta conteúdo para ser revisado? A saída pode estar fora dos livros. Que tal escutar uma música que retrate a Revolução de 1968 em Paris? Ou um jogo de cartas que remeta aos Poetas Modernistas Brasileiros? Um filme que exponha a história do maior presidente americano? Alternativas para o aprendizado estão presentes em diversas produções artísticas ou de descontração.

Segundo o crítico teatral Antonio Hohlfeldt, a arte em cima dos palcos pode ser mais uma delas: "O teatro histórico é uma excelente ferramenta de ensino, mas não se restringe a isso. Assim como outras expressões artísticas, tem a função de estimular a reflexão, o pensamento". Pensando nisso, o Terra destaca cinco peças em cartaz em São Paulo que podem ajudar naquela prova de História ou Literatura.

Toda Nudez será Castigada

Nelson Rodrigues é um dos maiores dramaturgos da história do Brasil, com diversos textos que retratam a sociedade brasileira. A obra Toda Nudez será Castigada, que também já foi adaptada para o cinema em 1973 por Arnaldo Jabor, volta aos palcos sob a direção de Antunes Filho. Segundo Hohlfeldt, a peça traz traços característicos dos textos do dramaturgo pernambucano, como a crítica à hipocrisia das famílias tradicionais, a inclusão de meios de comunicação no desenrolar da história e o pioneirismo em tratar alguns assuntos. "Na década de 60, o Brasil, em geral, ainda dava as costas ao latino, e em Toda Nudez será Castigada, Nelson Rodrigues trouxe isso à tona", completa Hohlfeldt. 

Em cartaz até 3 de março de 2013, no Teatro do SESC Anchieta.

De Antunes Filho, com Mariana Leme, Felipe Hofstatter, Naiene Sanchez e outros. 

Uma Alice imaginária

O mundo da fantasia de um dos maiores escritores mundiais também passa pelo palco paulista. Lewis Carroll (1832-1898) tem duas de suas "Alices" - Alice no país das Maravilhas (1865) e Alice Através do Espelho (1871) - adaptadas pela Cia. dos Imaginários, que já mostrou anteriormente o universo de Franz Kafka em Niklasstrasse. Uma Alice imaginária usa da fantasia para trazer à tona uma temática delicada: a aceitação da morte. Segundo o professor de literaturas de Língua Inglesa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Julio Jeha esse é um dos destaques da obra de Lewis Carrol: "Esse escritor sempre tratou assuntos complexos, como lógica, filosofia da linguagem, de uma maneira muito lúdica. Ele tem um modo divertido de contar história, mas com uma grande mensagem por trás". 

Em cartaz até 10 de março de 2013, no Teatro Cacilda Becker.

De René Piazentin, com Aline Baba, Renata Weinberger, Kedma Franza, Camila Nardoni, Luana Frez e outros.

As mentiras que os homens contam 

As crônicas de Luis Fernando Verissimo chegam aos palcos de São Paulo com a adaptação de Marcos Franco. Inspirado pelo escritor gaúcho, o roteirista e diretor montou a comédia As mentiras que os homens contam sobre diversos casos do universo masculino. Para o crítico de teatro Antonio Hohlfeldt, a crônica tem uma vantagem ao ser levada aos palcos: "Por já ser reconhecida nos jornais, nos periódicos diários, interpretar esses textos é corresponder a uma expectativa de sucesso". Segundo Jeha, é importante conhecer o trabalho de Verissimo por ele saber transmitir as narrativas do dia a dia: "A crônica é um gênero díficil, traz temas que não são elevados, fatos que ocorrem no cotidiano e que o bom escritor, como o Verissimo, faz as pessoas pensarem 'e se isso ocorresse comigo?’”. 

Em cartaz até 22 de fevereiro de 2013, no Espaço Cultural Juca Chaves

De Marcos Franco, Com Alan de Faria Pinheiro, Andre de Faria Pinheiro, Aquiles Francisco Alexandre, Bruna Lourenço, Kamilla Domingues Marques, Pâmela Fragoso, Richardh Zucateli e Vinicius de Almeida. 

Odisseia

A grande epopeia de Homero, escrita há quase 3 mil anos, volta aos palcos com adaptação de Samir Yazbek e do Estúdio em Cena. Trata-se de uma versão contemporânea da saga de Ulisses, que depois de passar 10 anos guerreando, leva mais 17 para voltar para casa, passando por muitas aventuras no caminho. Na peça, um dos grandes episódios da história grega é encenado, a Guerra de Troia, que já foi tema de muitos filmes e livros. O enfrentamento entre gregos e troianos, que durou 10 anos, foi causado pelo rapto da princesa Helena, a mulher mais bela do mundo, pelo princípe troiano Páris, em sua passagem por Esparta. Ulisses, personagem principal da obra de Homero, foi o mentor do famoso Cavalo de Troia, estratégia que definiu a vitória dos gregos sobre a resistência troiana. Odisseia foi escrita como uma intenção: de transmitir o ideal do belo e bom guerreiro, tendo como modelo Ulisses, por sua destreza, astúcia, esperteza, inteligência e habilidade. Esta obra já foi representada muitas vezes no cinema, mas, para Hohlfeldt, a encenação nos palcos tem uma vantagem. "A atuação no teatro é uma nova forma de ver um episódio, a cada apresentação, influenciada pela reação do público, é uma peça diferente, uma outra maneira de contar uma história que já é clássica", diz.

Em cartaz até 10 de março de 2013, no Teatro da Universidade de São Paulo (TUSP).

Direção de Marco Antônio Rodrigues, com Aline Basili, Camila Caparroz, Gabriel Muglia, Pedro Lopes, Rafael Faustino e outros. 

Sonata a Kreutzer - Uma História para o Século XIX

Nesta encenação, com adaptação de Cássio Pires para o romance de Leon Tolstoi (1828-1910), quatro discos contendo a Sonata a Kreutzer, de Beethoven, tocados numa vitrola, provocam as memórias do personagem Pózdnichev, interpretado por dois atores. O escritor russo também é autor de Guerra e Paz (publicado entre 1865 e 1869), uma das obras mais aclamadas da história. Para Jeha, os textos do Tolstoi nos conduzem a momentos históricos. "Esse autor utiliza muito bem de um dos princípios da literatura, que é ser um produto cultural de perpetuação dos fatos. Ele nos leva àquele momento, àquele acontecimento", explica. 

Em cartaz até 23 de fevereiro de 2013, no SESC Pinheiros. 

De Cássio Pires, com André Capuano e Ernani Sanchez.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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