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"Morangos Mofados": resumo da obra de Caio Fernando Abreu

Um dos maiores sucessos editoriais dos anos 1980, vigorosa reunião de contos revela a falência dos sonhos da juventude sob a ditadura

25 nov 2022 - 16h58
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Caio Fernando Abreu foi um criador múltiplo, tendo produzido em seus 48 anos de vida contos, novelas, crônicas, poemas, romance, roteiro de cinema e peças de teatro. Considerado um dos principais contistas brasileiros de sua geração (preferia as narrativas curtas), costumava retratar cenários urbanos e fatos sociais, baseando-se em temas do cotidiano. Utilizando linguagem e temáticas próprias, o escritor especializou-se em explorar os sentimentos humanos, muitas vezes proibidos.

Caio Fernando de Abreu, escritor e jornalista.
Caio Fernando de Abreu, escritor e jornalista.
Foto: Fernando Pimentel/Reprodução / Guia do Estudante

Seus escritos, em geral breves e repletos de significado, tendem a deixar uma sensação de vazio interior após a leitura, um silêncio que o inconsciente do leitor luta para eliminar, em busca de palavras ou ideias que ficaram perdidas nas entrelinhas.

Publicado em 1982 como continuação de " Pedras de Calcutá" (1977), " Morangos Mofados" foi um dos maiores sucessos editoriais da década. Nesta coletânea de contos, focalizam-se personagens socialmente excluídos ou marginalizados por seu comportamento. A obra é dividida em duas partes.

A primeira, intitulada "O Mofo", é constituída de nove histórias que contemplam a ditadura militar e a repressão à liberdade e ao direito de opinião, escarafunchando sentimentos rejeitados pela sociedade e reprimidos nos indivíduos. Na segunda parte, "Morangos", o autor mostra que há solução para os traumas impostos pelas circunstâncias sociais e fornece, em oito contos, um fio de esperança aos personagens, que encontram um sentido para viver.

O mérito de Caio Fernando Abreu, em " Morangos Mofados", foi ter revelado, num período em que o Brasil não tinha retomado a democracia, o que faziam e o que sentiam os loucos, os homossexuais e a própria juventude brasileira diante do preconceito da sociedade e da repressão a seus ideais.

"Morangos não deixa de revelar uma enorme perplexidade diante da falência de um sonho e da certeza de que é fundamental encontrar uma saída capaz de absorver, agora sem a antiga fé, a riqueza de toda essa experiência", observou a crítica cultural Heloísa Buarque de Hollanda em texto publicado no Jornal do Brasil. Na verdade, o autor serviu-se de estados com que lidou em seu cotidiano, como o estranhamento, a solidão, a dor e a marginalização.

Nascido em 1948, em Santiago, cidade próxima à fronteira com a Argentina, escreveu seu primeiro conto com 6 anos. Ainda jovem mudou-se para Porto Alegre, onde começou a publicar alguns textos. Abandonou os cursos de letras e artes dramáticas para dedicar-se ao jornalismo e à carreira de escritor.

Em 1971, foi preso por porte de drogas. Morou na Europa (Londres, Paris, Estocolmo), onde, para sobreviver, trabalhou como faxineiro, lavador de pratos e modelo fotográfico. De volta ao Brasil, passou os anos de 1980 entre São Paulo e Rio de Janeiro. Em 1994, assumiu publicamente ser portador do vírus da aids, de cujas complicações viria a morrer em 1996, já de volta a Porto Alegre.

Nesses últimos anos devotou-se, ao lado da literatura, ao cultivo de seu jardim.

Título: Morangos Mofados

Autor: Caio Fernando Abreu

Esse texto faz parte do especial "100 Livros Essenciais da Literatura Brasileira", publicado em 2009 pela revista Bravo!

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