Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Menino de 11 anos cria fórmula matemática e surpreende especialistas

Prodígio teve a criação validada por professores da UnB e busca publicação científica

23 nov 2025 - 04h59
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
O menino Rafael Kessler Ferreira, de 11 anos, criou uma fórmula matemática inédita validada por especialistas da UnB, destacando-se por seu diagnóstico de superdotação, autismo e conquistas autodidatas em diversas áreas.
Rafael Kessler já faz cálculos de nível universitário
Rafael Kessler já faz cálculos de nível universitário
Foto: Arquivo pessoal/Cedido ao Terra

Aos 11 anos recém-completados, Rafael Kessler Ferreira --conhecido pelos professores como Rafael Kessler, sobrenome que deu nome à sua primeira criação científica-- já faz cálculos de nível universitário, programa sozinho diferentes linguagens e passa as tardes assistindo a tutoriais de Python.

Mas foi um exercício aparentemente simples, de contagem de palitos que formam quadrados, durante um treinamento para a Olimpíada Brasileira de Matemática, que o levou a um feito inédito para alguém de sua idade: criar uma fórmula matemática original, hoje em processo de submissão científica.

A fórmula é a seguinte: [(x² + x) + (y² + y)] – (y – x)², batizada de “Fórmula de Kessler”.

Mais do que resolver a questão específica que apareceu em uma prova da OBMEP de 2022, a expressão criada pelo garoto amplia o cálculo para qualquer formação de quadrados e retângulos --algo que nem ele nem os pais suspeitavam que renderia uma descoberta.

A fórmula é a seguinte:  [(x² + x) + (y² + y)] – (y – x)², batizada de “Fórmula de Kessler”.
A fórmula é a seguinte: [(x² + x) + (y² + y)] – (y – x)², batizada de “Fórmula de Kessler”.
Foto: Arquivo pessoal/Cedido ao Terra

“Nessa prova apareceu uma questão em que ele precisava contar palitos numa progressão crescente. Então, eram quadrados: de um por um, depois dois por dois e três por três, e ia crescendo”, conta Robertha Munique Ferreira, mãe do garoto. “Ele percebeu que, nesse sentido, poderia ser uma progressão. Uma progressão infinita. E ele pensou assim: ‘Ah, então cada vez que aumentar a quantidade de quadrados, eu vou precisar contar tudo isso?’”.

A mãe, que é professora de português e espanhol, viu que o filho usou conhecimentos de matemática avançada para resolver a questão. Quando o pai perguntou se a lógica também funcionaria para retângulos, nasceu a Fórmula de Kessler.

Robertha buscou ajuda especializada para entender o que o filho havia criado. A família procurou matemáticos da Universidade de Brasília e Rafael passou por uma verdadeira sabatina.

A mãe, que é professora de português e espanhol, viu que o filho usou conhecimentos de matemática avançada para resolver a questão
A mãe, que é professora de português e espanhol, viu que o filho usou conhecimentos de matemática avançada para resolver a questão
Foto: Arquivo pessoal/Cedido ao Terra

O trabalho foi analisado primeiro por um professor mestre e depois por dois doutores em matemática -- Igor Lima e Rui Seymens, do Departamento de Matemática da UnB. O menino apresentou a lógica, fez demonstrações e respondeu às perguntas dos docentes.

“O que podemos fazer como especialistas é verificar se a expressão está correta e se tem relevância”, explica o professor Igor. “Validamos a consistência matemática e o raciocínio. O processo de confirmar ineditismo, de fato, é feito por revistas científicas”

Rui afirma que o espanto foi natural pela pouca idade de Rafael. “O que impressiona, pela idade dele, é a habilidade que ele tem, a criatividade em olhar algo e já observar padrões. Ele já ia construindo outros enquanto a gente conversava sobre o que ele tinha criado”.

A fórmula foi submetida à Revista Professor de Matemática (RPM), publicação científica reconhecida na área. O artigo está em avaliação.

Um menino de altas habilidades

Rafael tem diagnóstico de altas habilidades e superdotação, confirmado por avaliação neuropsicológica. E, além disso, é autista. A combinação revela um tipo de lógica afiada, raciocínio veloz e memória incomum.

Rafael tem diagnóstico de altas habilidades e superdotação, confirmado por avaliação neuropsicológica
Rafael tem diagnóstico de altas habilidades e superdotação, confirmado por avaliação neuropsicológica
Foto: Arquivo pessoal/Cedido ao Terra

Aos cinco anos, ele aprendeu a ler sozinho em português e em inglês. “Hoje ele é fluente”, conta a mãe. “E também já sabia, nessa idade, que queria escrever até o número 10 mil. Era a brincadeira dele.”

O interesse por números cresceu junto com o repertório improvável: tutoriais de cálculo, vídeos de sistemas numéricos e aulas universitárias no YouTube. Ele devora tudo, espontaneamente. “Não é uma imposição, é curiosidade”, garante a mãe.

O menino também cria nomenclaturas próprias para números infinitos, misturando latim e inglês. E produz desenhos de memória com incrível precisão, inclusive de cenas vistas rapidamente.

Os professores Igor e Rui mantêm oficinas de matemática para cerca de 300 alunos, sendo alguns com superdotação, em escolas do Distrito Federal, buscando incluir crianças que precisam de mais estímulo para seguirem os conhecimentos dessa área.

Outras conquistas

A fórmula não foi o primeiro feito impressionante do garoto. Desde 2023, Rafael coleciona resultados em olimpíadas científicas, tendo recebido medalhas e realizado provas com alto grau de dificuldade.

Problema em prova da OBMEP que originou a fórmula
Problema em prova da OBMEP que originou a fórmula
Foto: Reprodução/YouTube

Além disso, ele é autodidata e já domina três linguagens de programação e cria projetos próprios. Entre eles, um teclado virtual funcional, construído “por diversão”, como explica: “Eu queria fazer um teclado que funcionasse mesmo, para escrever com o mouse ou gerar caracteres”. Ele mostra orgulhoso os códigos criados por ele, convertendo números hexadecimais com naturalidade.

Para Robertha, mãe e também professora, a descoberta do filho traz orgulho e alerta. “Eu trabalho há 20 anos em sala de aula e nunca vi um cérebro como o do Rafael. Crianças com altas habilidades são invisibilizadas na escola brasileira”, afirma. O filho está há dois anos na fila de um centro de altas habilidades do Distrito Federal, que não atende alunos da rede privada com prioridade.

Hoje, Rafael segue estudando, programando e criando. Na mochila, quase sempre leva um caderninho onde anota descobertas, desenhos e ideias. Quando perguntado sobre o que gosta de fazer no tempo livre, ele pensa, hesita --e a mãe completa: “Ele gosta de aprender. É a brincadeira dele.”

Fonte: Portal Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade