Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Justiça restabelece resultados do Enamed e sanções do MEC a cursos de Medicina mal avaliados

Decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça derrubou medida anterior do TRF

19 ago 2026 - 12h03
Compartilhar
Exibir comentários

BRASÍLIA- O Superior Tribunal de Justiça (STJ) restabeleceu as sanções aplicadas pelo Ministério da Educação (MEC) a universidades que tiveram maus resultados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A decisão foi expedida pelo presidente do tribunal, ministro Herman Benjamin, nesta quarta-feira, 19. A medida não cabe recurso.

No início do mês, decisão da desembargadora Maria do Carmo Cardoso, presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, havia suspendido os resultados do exame e suas sanções às instituições de ensino. Na ocasião, a magistrada acatou argumento apresentado por associações de universidades privadas de que a metodologia de cálculo da nota foi definida após a prova e sem divulgação prévia dos critérios e argumentou que a medida geraria prejuízos graves às instituições.

A nova decisão, proferida pelo presidente do STJ, afirma que é preciso preservar a competência de supervisão do MEC e que a suspensão dos resultados e das sanções aplicadas pela pasta lesa as funções administrativas do ministério.

Enamed virou requisito obrigatório para exercício da Medicina, segundo novas regras do governo federal
Enamed virou requisito obrigatório para exercício da Medicina, segundo novas regras do governo federal
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

"A decisão impugnada, ao vedar toda e qualquer utilização dos resultados do ENAMED/2025, impediu o poder público de investigar as deficiências que o sistema oficial de avaliação identificou", resume.

O Estadão procurou a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), que moveu a ação, mas ainda não obteve resposta.

O Enamed foi criado pelo MEC em abril do ano passado para substituir o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) para Medicina. Com isso, houve ampliação da prova, que passou de apenas 40 questões para 100.

O Enamed é aplicado para todos os estudantes concluintes da área e a, partir de 2026, será aplicado também no 4º ano do curso. Cerca de um terço dos cursos de Medicina do País foi mal avaliado no exame e não alcançou desempenho proficiente. A nota do Enamed varia de 1 a 5, e as notas 1 e 2 são consideradas não proficientes pelo MEC.

A decisão do STJ cita ainda que ao suspender os efeitos do Enamed a medida gera impactos sobre a saúde pública e impede o poder público de fiscalizar falhas que podem impactar na saúde da população.

"A falta de qualidade dessa formação converte-se, necessariamente, em deficiência da assistência prestada à população, com especial repercussão sobre os usuários do Sistema Único de Saúde e sobre as regiões atendidas pelo Programa Mais Médicos, que dependem preponderantemente de egressos recentes", afirma o presidente do STJ.

Segundo o magistrado, o prejuízo gerado pela paralisação da fiscalização pode se perpetuar por décadas. Ele cita ainda danos à economia pública, uma vez que a suspensão dos resultados do exame e suas sanções permitiria a alocação de recursos federais em cursos mal avaliados por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), por exemplo.

"Educar e formar médico não constitui atividade menor ou banal, deixada às incertezas e cobiça do mercado, pois envolve lidar e assegurar vidas humanas, além de envolver a credibilidade de uma profissão milenar, cada vez mais essencial", afirma Benjamin.

"O juiz que, direta ou indiretamente, ignora, nega, obstaculiza ou enfraquece o direito à saúde perde o atributo de juiz, ou, pior, revela que juiz nunca foi."

Estadão
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra