Quais as capitais que são farol na educação, segundo os resultados do Ideb
Faróis não fazem a travessia por nós, mas iluminam caminhos. Na educação, boas experiências mostram que avançar é possível e orientam escolhas
Os resultados de 2025 do Ideb, índice que combina aprendizagem e aprovação escolar, revelam onde há luz. Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, do 1º ao 5º ano, Curitiba e Teresina alcançaram os melhores resultados tanto no Ideb quanto no seu componente específico de aprendizagem. Uma está no Sul, outra no Nordeste. São cidades com condições socioeconômicas muito diferentes, mas que chegaram juntas à liderança.
Teresina chama atenção por sua trajetória. Antes da pandemia, a capital piauiense havia se tornado referência nacional. Depois, uma gestão marcada por descontinuidades fez o Ideb cair um ponto inteiro. Em 2025, voltou a se destacar, retomando o caminho que vinha sendo trilhado. O caso mostra que avanços podem ser perdidos quando faltam direção e continuidade, mas também reconstruídos.
Rio Branco, Florianópolis e Goiânia completam o grupo das cinco capitais com melhores resultados nos Anos Iniciais. Florianópolis merece muita atenção: de 2023 a 2025, seu salto de aprendizagem foi quatro vezes maior que o avanço médio dos municípios brasileiros. É uma rede menor, mas, em apenas um ano de nova gestão, mostrou que foco e atenção à execução podem acelerar a aprendizagem.
Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano, os destaques se repetem, agora acompanhadas por Vitória. Não é coincidência. Quando a gestão funciona, os avanços alcançam diferentes etapas e indicadores.
Essas cidades têm contextos distintos, mas compartilham escolhas importantes. Apoiam-se nas evidências para desenhar suas políticas, evitam invencionices e cuidam da implementação. Isso exige secretarias próximas das escolas, acompanhando se as políticas chegam às salas de aula e corrigindo rapidamente as rotas quando algo não dá certo.
Elas se somam a referências estaduais. O Paraná alcançou o melhor Ideb nas três etapas avaliadas; Ceará e Goiás estão entre os melhores resultados em pelo menos duas; Rio Grande do Sul teve a maior evolução do Ideb do Ensino Médio e o Piauí, do indicador de aprendizagem. Há faróis em todas as regiões, em redes grandes e pequenas, mais ricas e mais pobres, sob governos de diferentes partidos.
Nada disso torna a transformação educacional simples. Os resultados exigem esforço hercúleo de gestores, professores e equipes técnicas. Mas não há justificativa para naturalizar que milhões de estudantes continuem ficando para trás. Não há justificativa para a posição medíocre do estado e do município de São Paulo no contexto nacional, ainda mais quando consideramos a capacidade orçamentária dessas duas gestões.
A combinação entre prioridade política, gestão de alta qualidade e foco permanente na aprendizagem pode ser construída em qualquer lugar. Dá trabalho, exige continuidade e não oferece atalhos. Mas dá para fazer. E há quem nos inspire aqui mesmo no Brasil.
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