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Jovem entrou na faculdade aos 15 anos e, agora, vai fazer mestrado em Harvard: 'Era irmã mais nova da turma'

Layse passou na UFRN quando estava no 1º ano do ensino médio; potiguar conta como foi sua trajetória até chegar na especialização nos EUA

14 ago 2025 - 04h59
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Resumo
Jovem potiguar que ingressou na faculdade de Direito aos 15 anos foi aprovada para mestrado em Harvard; atualmente advogada, destaca trajetória e dicas para estudos no exterior.
Layse foi aprovada na Universidade de Harvard para cursar o mestrado em Direito
Layse foi aprovada na Universidade de Harvard para cursar o mestrado em Direito
Foto: Arquivo pessoal

Era uma quarta-feira, 12 de março de 2025, quando a potiguar Layse Rhayana Marcelino Dias, de 26 anos, foi surpreendida com o e-mail que marcaria o início da sua nova etapa acadêmica: a mensagem contava que ela tinha sido aprovada na Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas do mundo, para cursar o mestrado em Direito.

"Foi uma surpresa. Eu fiquei emocionada, chorei. Liguei para os meus pais na hora, que também choraram", recorda a estudante. Além de emocionante, ela define o momento como engraçado. "Eu tinha quebrado um dos dedos do pé e estava enfaixado, com o pé na cadeira do lado. Não podia nem pular de alegria. Não podia nem me mexer, foi uma limitação na minha comemoração."

Layse viajou para os Estados Unidos no início deste mês e já começou as aulas. Ela afirma que sempre teve vontade de fazer um mestrado no exterior, especialmente no país norte-americano, para complementar as experiências no trabalho. Atualmente, ela é advogada no BMA - Barbosa Müssnich Aragão, um escritório tradicional de São Paulo.

"Nós lidamos com muitos clientes internacionais, não só dos Estados Unidos, mas de outros países também. Você tem que estar preparado para saber lidar com a negociação, com as contrapartes de outros países. Eu sentia que vir para um mestrado desses, onde pessoas do mundo inteiro estão estudando, me ajudaria a entender melhor como me relacionar com o mundo dessa forma", diz.

A trajetória até o mestrado

A jovem é natural de Natal, no Rio Grande do Norte. Ela estudou em escolas particulares da cidade e, desde muito cedo, já tinha o sonho de cursar Direito, inspirada pela mãe de um colega das aulas de karatê que fazia na época.

Quando estava no primeiro ano do ensino médio, Layse tinha uma rotina de estudos intensa focada em vestibulares e decidiu fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014 como "treineira", somente para testar seus conhecimentos. "Eu fiz a prova sem nenhuma pressão", relembra.

Após a divulgação das notas, ela se inscreveu no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para o curso de Direito, tanto matutino quanto noturno, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que era onde sempre quis fazer o ensino superior. Quando saiu o resultado, veio a surpresa: ela conseguiu a vaga.

Mas como ela se matricularia na universidade se só concluiria o ensino médio em 2 anos? Com o apoio dos pais, Layse entrou com um mandado de segurança, conseguiu prestar e ser aprovada no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), prova que certifica quem não concluiu os estudos na idade adequada. E, aos 15 anos, ela conseguiu entrar na graduação.

Layse viajou para os Estados Unidos no início deste mês e já começou as aulas em Harvard
Layse viajou para os Estados Unidos no início deste mês e já começou as aulas em Harvard
Foto: Arquivo pessoal

Como era muito nova, o acompanhamento da mãe foi fundamental. "Ela ficava lá, às vezes, no carro, às vezes, no corredor ou na cantina. Ela ficava esperando durante as aulas. Não fez isso durante os cinco anos, mas fez por bastante tempo." 

A jovem também conta que foi muito acolhida pelos estudantes da turma da faculdade e, no começo, era vista por alguns como uma "irmã mais nova". "No início tinha alguma reação de 'nossa, você entrou mais cedo', mas foi bem no primeiro semestre, depois as coisas se nivelaram pela dedicação."

Ela ainda afirma que nunca sentiu ter perdido uma fase da vida por ter avançado os dois anos do ensino médio. "Acho que eu pude viver esse momento de amadurecimento já num ambiente com pessoas mais maduras e, ao mesmo tempo, com uma pressão bem diferente da pressão que é estar na escola. Se você leva a escola com seriedade, tem um desejo muito grande de ser aprovado [no vestibular], aquilo é tudo muito demandante. Não tenho a sensação de que perdi uma fase da minha vida", pontua.

A fase profissional

Layse se formou na universidade com 20 anos. Durante a graduação, ela sempre esteve envolvida em atividades extracurriculares que a ajudaram a entender que tinha interesse na área de direito societário e fusões e aquisições (M&A) e gostaria de trabalhar no BMA. 

A estudante participou do Capitólio, holding jurídica da UFRN, onde organizou palestras com advogados de várias áreas, e foi professora de francês no Instituto Ágora, também da universidade. Em 2018, ela foi aprovada para o Conferência na Prática, um evento organizado pela Fundação Estudar, em que o BMA esteve presente, conversou com uma das sócias e ficou sabendo como funcionava o processo seletivo no escritório. 

Um tempo depois, no Capitólio, Layse ainda atuou em um projeto que levou os alunos da instituição para uma viagem a São Paulo. O objetivo era conhecer programas de pós-graduação e escritórios de advocacia, e um dos escolhidos foi justamente o BMA. "Quando cheguei, eles lembraram que eu estava na Conferência e, desde então, não perdi mais o contato."

Estudante participou do Capitólio, holding jurídica da UFRN, onde organizou palestras com advogados
Estudante participou do Capitólio, holding jurídica da UFRN, onde organizou palestras com advogados
Foto: Arquivo pessoal

No fim de 2019, ela foi a uma palestra em Fortaleza, em que um dos palestrantes era Paulo Aragão, outro sócio da BMA. Lá, ela conseguiu conversar com ele, que testou o francês de Layse e encaminhou o currículo dela para o RH da empresa. 

Depois disso, a jovem fez o processo seletivo, foi aprovada, se mudou para São Paulo e trabalha lá desde fevereiro de 2020. Para fazer o mestrado, ela tirou uma licença. Mas, ao retornar dos Estados Unidos, continuará trabalhando no escritório.

Para o estudante que já está cursando Direito ou que vai começar na área e gostaria de estudar fora, Layse aconselha construir desde a faculdade uma trajetória que o torne "mais atrativo" para as universidades estrangeiras.

"Entenda o quanto antes sobre o processo seletivo, o que os norte-americanos e as faculdades valorizam. Uma maneira muito boa é ver o perfil das pessoas que já passaram, o que elas fizeram, como o peso das experiências extracurriculares na faculdade, peso do pro bono numa experiência profissional no escritório. Entenda isso e tenha uma prática e dedicação em torno dessas questões que são importantes."

Fonte: Redação Terra
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