Jovens médicos começam a carreira no 'escuro', alerta estudo
Pesquisa com estudantes em fase final da graduação e recém-formados aponta insegurança para começar a vida profissional
A transição da faculdade para os primeiros plantões tem sido vivida por muitos médicos como um salto sem mapa. Um estudo conduzido pela plataforma Caveo em 2025 - com 308 entrevistas com estudantes em fase final da graduação e profissionais com até três anos de formação - mostra que 68% dos formandos não se sentem preparados para iniciar a carreira.
Embora mais de 60% afirmem já ter escolhido uma especialidade, parte relevante dos entrevistados relata dúvidas sobre o mercado, sobre a rotina real das áreas e sobre o que muda na prática ao longo dos primeiros anos. O levantamento também traz um recorte de gênero: 63% dos respondentes são mulheres.
Oportunidades no WhatsApp e decisões sem referência
A pesquisa indica um mercado altamente dependente de redes pessoais. Entre os médicos entrevistados, 87,5% dizem recorrer a indicações informais ou grupos de WhatsApp para encontrar oportunidades. Entre estudantes, 86% apontam conversas com colegas e residentes como principal fonte de informação sobre o que vem depois do diploma.
Esse padrão aparece também nas prioridades: na escolha da especialidade, 80% dizem priorizar qualidade de vida, enquanto 40% apontam remuneração como fator principal. A leitura da Caveo é que a nova geração busca caminhos mais sustentáveis, mas ainda encontra pouca orientação prática para conectar escolhas do início da carreira a objetivos de longo prazo.
“A formação médica no Brasil segue como se a carreira fosse algo que o profissional precisa montar sozinho. O que os dados mostram é um início de trajetória com muita pressão e pouca referência confiável para decidir, o que alimenta insegurança e desgaste logo no começo”, afirma Pedro Rosolen Jr., diretor-médico e cofundador da Caveo, plataforma financeira que estrutura a vida financeira do médico ao longo da trajetória profissional.
Na avaliação da empresa, reduzir essa insegurança exige mais do que informação solta ou decisões feitas na pressa. O caminho passa por orientação prática sobre o mercado, por clareza para escolhas recorrentes e por um sistema que ajude a organizar decisões ao longo do tempo, conectando o início da carreira a objetivos de longo prazo como autonomia, estabilidade e qualidade de vida.
Quando projetam o futuro, mais de 70% descrevem como ideal uma rotina com menos plantões, consultório próprio, liberdade geográfica e qualidade de vida. O estudo também aponta que metade dos entrevistados se sente insegura para se posicionar digitalmente ou empreender na medicina, indicando que o início da carreira envolve de fato muitas demandas novas, além do exercício clínico.